15 de novembro — São Leopoldo da Áustria († 1136)
15 de novembro — São Leopoldo da Áustria († 1136)Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
Leopoldo III, cognominado o piedoso, descendente da casa da Áustria, nasceu em Melk no ano de 1073. A piedade dos pais comunicou-se ao filho, que desde a mais tenra idade revelou indubitáveis sinais de futura santidade. Como o piedoso Tobias do Antigo Testamento, os pais de Leopoldo implantaram no coração da criança os princípios do temor de Deus e da caridade. Apoiado assim pelo exemplo dos pais e pela oração, conservou-se Leopoldo, puro do contágio pestífero do mundo.
Também quando, pela morte do pai, teve de assumir a responsabilidade do governo, ficou fiel aos mesmos princípios, de modo que aos súditos, como aos outros príncipes, podia servir de modelo de perfeição cristã. Para os súditos era Leopoldo um verdadeiro pai, que os governava com justiça e caridade, tendo diante dos olhos constantemente a grande responsabilidade perante Deus.
Inês, a esposa de Leopoldo, rivalizava com ele em virtude e santidade. Inspirada por ela, Leopoldo fundou o célebre convento de Neuburgo, com o único fim de ter uma Ordem religiosa, sustentada por ele, que pelas orações e obras de caridade atraísse a bênção de Deus sobre o governo e a nação inteira.
Leopoldo governou durante 40 anos, com muita felicidade, e os súditos viviam-lhe em paz e boa ordem. Estimado por todos, venerado como Santo, deixou Leopoldo esta terra em 1136, para trocá-la pelo eterno reino da glória celestial. Numerosos milagres que se lhe deram no túmulo, revelaram o grande poder da sua intercessão junto ao trono de Deus. O Papa Inocêncio IV inseriu o nome de Leopoldo no catálogo dos Santos.
REFLEXÕES
São Leopoldo fundava igrejas, conventos e escolas; defendia e protegia os ministros de Deus e os religiosos; dava-lhes meios suficientes de subsistência, para que pudessem tranquilamente trabalhar no serviço de Deus e se santificar pela oração e pelas boas obras. – Hoje são poucos os que pensam como São Leopoldo. Esmolas ou subvenções pedidas em benefício de conventos, igrejas e seminários, muitos julgam-nas mal empregadas. Em vez de acatar os sacerdotes e religiosos, tratam-nos desrespeitosamente, acoimando-os de ociosos, de elementos inúteis, improdutíveis e até nocivos. Que o dinheiro se empregasse na manutenção de hospitais, de escolas e de asilos, mas não para sustentar uma classe que nada merece. Para que precisamos de sacerdotes, de frades, de freiras? Há outras necessidades, cuja existência reclama o nosso socorro! – Quem não ouve nestas argumentações o eco da palavra amofinada que um apóstolo proferiu por ocasião de um grande banquete, em que o divino Mestre permitiu que uma mulher lhe ungisse a cabeça com nardos preciosos? “Para que este desperdício?", perguntou Judas. "Não se poderia vender o unguento por 300 dinheiros e dá-los aos pobres?” (Marcos 14, João 12, 4). Mas São João qualificou muito bem o descontente apóstolo, chamando-o de ladrão: “Não dizia isto porque tivesse amor aos pobres, mas porque era ladrão e guardava a bolsa”.
Judas tem muitos imitadores no zelo de impedir que se faça um bem a Jesus Cristo, na pessoa dos sacerdotes.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii ↩