15 de dezembro — Santa Cristiana, Virgem
15 de dezembro — Santa Cristiana, VirgemExtraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
Sobre esta Santa, lemos no Martirológio Romano o seguinte tópico: “Na Ibéria, além do Mar Negro, vive a memória da santa empregada Cristiana, a qual, no tempo de Constantino, pela virtude dos milagres, conduziu o povo à fé cristã”. Cristo, que escolheu doze Apóstolos, aos quais o mundo deve a conversão, serviu-se de uma simples empregada, para converter um reino à santa religião. Cristiana, a Santa de que se trata, por ocasião de uma invasão que os povos bárbaros da Armênia fizeram nos países vizinhos cristãos, caiu nas mãos dos inimigos e por eles foi vendida, como escrava, a um patrão crudelíssimo e desumano. Com resignação e admirável paciência, aceitou Cristiana a triste sorte, na convicção de cumprir assim a vontade de Deus. Embora rodeada de elementos pagãos, ficou fiel às práticas religiosas. À medida que cresciam os perigos e sofrimentos, aumentava Cristiana as obras de piedade e mortificação. Aos pagãos não podia passar desapercebido o modo de viver tão diferente do seu. Cristiana respondia aos que a interpelaram: “Sou cristã e meu empenho é servir a Cristo, meu Deus.” Onde se dava ocasião, Cristiana a aproveitava, para familiarizar os pagãos com as ideias cristãs.
Aconteceu que a Rainha e o Príncipe herdeiro caíssem gravemente doentes. A doença zombava de todos os recursos médicos. Quando já não havia mais esperança alguma de salvar a vida dos ilustres doentes, recorreram às orações de Cristiana, que realmente conseguiu de Deus o restabelecimento de ambos.
Para manifestar seu reconhecimento, o Rei ofereceu a Cristiana ricos presentes, os quais esta rejeitou, declarando que recompensa esperava só de Cristo, seu Senhor. Insinuou, porém, às majestades a ideia de abandonarem a idolatria e abraçarem a religião daquele Deus, a que tão grande benefício deviam. Se bem que o Rei não se mostrasse contrário, não se animou a dar este passo, temendo a ira do povo. A conversão, porém, preparou-se de um outro modo. Por ocasião de uma grande caçada, aconteceu que o Rei e a comitiva fossem surpreendidos por uma grande tempestade. Trevas espessas envolviam o lugar onde estavam, e raios formidáveis rasgavam as nuvens. Todos procuravam um abrigo seguro e, na ânsia de salvar a vida, ninguém mais se lembrava do Rei, que, abandonado por todos, se achava exposto ao maior perigo. Nessa aflição, invocou os deuses, um por um, sem que fosse atendido. Lembrou-se, então, do Deus de Cristiana, ao qual fez o voto de conversão, se o salvasse da morte segura. Imediatamente cessou a fúria dos elementos, as nuvens se dispersaram e voltou a serenidade.
O Rei cumpriu a palavra e converteu-se, no que foi imitado pelos membros da família e os vassalos. Cristiana teve a grande satisfação de servir de catequista para toda família real e prepará-la à recepção do batismo. Por indicação da donzela, o Rei mandou uma mensagem ao Imperador Constantino, na qual pedia missionários, para a pregação do Evangelho.
Assim, uma nação inteira se converteu ao Cristianismo, em virtude das orações de uma pobre escrava.
Não se sabe o ano e a data da morte de Cristiana, mas certo é que morreu como viveu: piedosa e santamente, e por Deus foi recebida nos eternos tabernáculos.
Reflexões
Santa Cristiana serviu como empregada numa família pagã, circunstância esta que em nada lhe influiu na vida cristã e nos exercícios de piedade, cuja prática lhe era familiar. Se um empregado católico, forçado pelas circunstâncias, deve prestar serviços em uma família não-católica, não dispense prática nenhuma que a religião, a fé exigem. Pelas palavras e obras se revele sempre o católico consciencioso. Que não se perturbe com os ditos irônicos e sarcásticos; que não se desoriente com as críticas sardônicas de pessoas que não são de sua religião. Saiba que sem licença do Bispo, não lhe é lícito ler a Bíblia, o catecismo, livros de cânticos, e outras publicações religiosas dos protestantes. Convença-se, além disso, que não há coisa mais ingrata do que entrar em discussão religiosa com hereges. Discussões religiosas são mais prejudiciais do que úteis. Permanecer por mais tempo numa casa protestante, não é aconselhável. Deve haver motivos muito graves que justifiquem esta resolução, sem o que dificilmente deixaria de ser pecado, por causa do perigo que há, de perder-se a fé, na convivência com os hereges.
Santa Cristiana vivia no meio de gente devassa, entretanto, sem se macular. Se as condições da vida obrigarem uma pessoa à convivência com semelhante espécie de pessoas, recomende-se a Deus e cumpra o dever. Havendo boa vontade e firmeza de caráter, a graça e o auxílio de Deus não faltarão.
Santo do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:
Na Tunísia, a morte do bispo octogenário Valeriano. Na perseguição dos vândalos recusou-se energicamente a entregar o inventário de sua Igreja. O Rei ariano Genserico expulsou-o da cidade, expondo-o à maior miséria. 457.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii ↩