14 de outubro — São Burcardo de Würzburg, Bispo († 752)

14 de outubro — São Burcardo de Würzburg, Bispo († 752)
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Burcardo, o príncipe e santo bispo de Würzburg (Alemanha), nasceu na Inglaterra, onde pais tão nobres quanto piedosos o educaram cristãmente. De compleição robusta, dotado de rara inteligência, amigo do trabalho e da oração, Burcardo reunia em sua pessoa todos os requisitos para ser um grande missionário.

Cabe à Inglaterra a honra de ter iniciado os trabalhos apostólicos na Alemanha, para lá enviando seus heroicos filhos. Foram estes os grandes Apóstolos da Germânia que, guiados pelo admirável Bonifácio, desbravaram as matas teutônicas, lançaram a semente da palavra divina nos corações dos povos do Reno e do Elba e erigiram templos a Deus onde até então só se ouviam preces e hinos dirigidos a Wotan e às divindades germânicas. Burcardo soube do apelo de São Bonifácio, dirigido ao clero inglês, para que lhe mandasse companheiros hábeis e santos, pois a vinha do Senhor ia crescendo e as conversões iam se multiplicando. Apresentou-se então ao grande bispo-missionário e pediu que o aceitasse entre os clérigos.

Bonifácio, descobrindo no jovem candidato qualidades superiores, que o habilitavam para os árduos labores da Missão, recebeu-o de braços abertos e levou-o consigo na viagem a Roma, onde o apresentou ao Papa Zacarias, o qual lhe conferiu a sagração episcopal, nomeando-o bispo de Würzburg. A chegada de Burcardo à nova diocese foi um verdadeiro triunfo. Cristãos e pagãos receberam-no com as mais francas manifestações de regozijo e confiança.

Posto que criado o bispado, era um oásis no meio do deserto. Poucos eram os cristãos. O número destes, quase desaparecia no meio da grande população que ainda votava culto a Odin e Freia. Era preciso muita coragem, muita confiança em Deus, grande virtude e uma saúde de ferro para continuar e levar a bom efeito a obra da evangelização. Burcardo era homem para arrostar as maiores dificuldades. Era bispo, com todos os requisitos que São Paulo quer reconhecer num bispo de Cristo: santo, impoluto, perfeito, prudente, apostólico, caridoso, trabalhador. Pregador da doutrina de Cristo, Burcardo era o primeiro em observar a lei do divino Mestre, servindo, portanto, de modelo a todos que, deixando as trevas do paganismo, entravam na luz do cristianismo. Austero para si, era caridoso para com os outros. Cultivador das virtudes, verberava os vícios e o pecado sempre e em toda a parte, onde estas hidras infernais tentavam levantar a cabeça. Como todo o servidor de Cristo, teve também de passar pelo crisol da provação e da contrariedade. Não faltou quem o perseguisse com a arma diabólica, que é a calúnia. Burcardo pôde desprezá-la, pois em seu favor estava o testemunho tranquilizador da consciência. Quanto mais se humilhava, tanto mais crescia no conceito dos homens, o que muito concorreu para incrementar a obra de que era representante: a missão apostólica, a evangelização, o crescimento da religião cristã.

Durante doze anos, dirigiu Burcardo os destinos da diocese. Teve a felicidade de encontrar os ossos de São Quiliano e companheiros, preciosas relíquias, às quais deu um sepultamento mais digno.

Sentindo que as forças não mais resistiam aos labores do ministério, Burcardo despediu-se dos diocesanos, exortando-os a perseverar na fé e na prática do bem. A morte abriu-lhe as portas da feliz eternidade, em 2 de fevereiro de 754. O corpo foi trasladado para Würzburg e Deus glorificou-lhe o túmulo com muitos milagres. Em 14 de outubro de 983, por ordem do Papa Bento VII, as relíquias de São Burcardo foram exumadas e novamente depositadas em lugar mais acessível à devoção dos fiéis.

REFLEXÕES

São Burcardo não se contentava com a pregação da santa doutrina e a conversão dos pecadores. Tinha a constante preocupação de educar os cristãos para uma vida santa. Ser católico é uma grande graça, mas não é tudo. À graça de Deus deve corresponder a santidade da vida. A fé sem as boas obras é uma fé morta. Ter fé não é ainda garantia da salvação. É preciso que a nossa vida seja regida pelos princípios da fé; devemos observar os mandamentos da lei de Deus e fugir do pecado. Homens há que se abstêm de alguns pecados e observam um ou outro mandamento, e assim procedendo, julgam segura a salvação, quando é muito duvidosa, por causa de um ou outro vício que os escraviza e alguns mandamentos que não observam. Como se enganam! Cristo mandou aos Apóstolos que ensinassem aos homens a observar tudo que lhes ordenara (Mateus 28). Do rei Herodes diz São Marcos, que observava muita coisa daquilo que São João Batista pregara (Marcos 6). “Muita coisa”, mas não tudo. São Gregório escreve: “O demônio não se incomoda, ao ver que cerras as portas de tua alma a todos os pecados, deixando apenas entrar um só”. Pondera bem isto. Guarda a fé e observa “tudo” que Deus ordenou.

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

A Igreja comemora hoje a festa do Papa São Calisto I. Romano e sucessor de São Zeferino; governou a Igreja desde 221 até 227. Ordenou que as quatro têmporas, sendo de instituição apostólica, fossem observadas por todos os católicos. Uma parte das catacumbas de Roma trazem-lhe o nome. Depois de cruéis tormentos, morreu mártir, sendo pelos perseguidores atirado num poço.

Em Cesareia, na Palestina, São Carpónio, Santo Evaristo e Prisciano, irmãos de Santa Fortunata. Foram decapitados no mesmo dia. 303.

Em Rimini, o bispo-mártir Gaudêncio.     

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii