14 de novembro — Santa Gertrudes († 1302)

14 de novembro — Santa Gertrudes († 1302)
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Natural de Eisleben, na Saxônia, nasceu Gertrudes em 1256, sendo irmã de Santa Matilde. Tendo apenas cinco anos de idade, confiaram-na os pais às religiosas beneditinas do convento de Rodelsdorf. Foi naquele convento, que mais tarde fez os santos votos e exerceu as funções de abadessa, desde o ano de 1294. Mais tarde passou para o convento de Helfta, onde igualmente funcionou como superiora.

Na infância tinha aprendido a língua latina e nela se aprofundado, como o exigia o bom tom naquele tempo. Manejando com facilidade o idioma de Cícero, possuía Gertrudes profundo conhecimento da Bíblia. Sempre unida a Deus na oração, era seu prazer estar na presença do Santíssimo Sacramento. Alma profundamente contemplativa, a ocupação predileta de Gertrudes era meditar a sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo e o Sacramento do amor. Falando às religiosas nestes dois grandes mistérios da religião, fazia-o com tanto ardor e eloquência, que as comovia até as lágrimas. A uma vida tão íntima com Deus não podiam faltar os dons extraordinários, que geralmente acompanham as almas eleitas. Frequentes vezes se achava Gertrudes, arrebatada em êxtase, e o amor divino penetrava-lhe todo o ser de maneira tal que parecia ser-lhe o substratum de todas as ações e aspirações. É para admirar que, absorta nas profundezas da mística, não vivesse mais para este mundo e suas vaidades? Quotidianamente castigava o corpo e destruía em si tudo que lhe parecesse obstáculo à união com Cristo, seu Senhor. Infatigável era, portanto, em praticar a obediência, a abnegação, a vigilância, o jejum e outras obras de penitência. Entregue constantemente a estes exercícios, era um portento de humildade e mansidão imperturbável.

Se bem que a alma, constantemente experimentada e por Deus extraordinariamente privilegiada, lhe tivesse adquirido um alto grau de santidade, Gertrudes enxergava em si só imperfeição. Uma expressão desta humildade tem-se nas palavras da mesma Santa: “Um dos maiores milagres da bondade divina é, tolerar-me ainda neste mundo.” Longe de se ensoberbecer no cargo de Superiora, fez-se serva de todas as religiosas, julgando-se indigna de viver na companhia delas.

Engana-se quem pensa que Gertrudes, parecendo não fazer outra coisa senão práticas de piedade, tivesse descurado as obrigações de religiosa e Superiora. Os serviços mais humildes e abjetos da casa fazia-os com a maior pontualidade e satisfação.

Intimamente ligado ao amor a Jesus Cristo era-lhe a devoção a Maria Santíssima. Dia não passava que não se dirigisse em orações, cheias de confiança, à Mãe de Jesus Cristo. Nas preces e devoções não lhe ficavam esquecidas as almas do Purgatório, para com as quais Gertrudes revelava uma terna compaixão.

O voto de castidade observava-o com a mais perfeita fidelidade. Todo o cuidado se lhe dirigia no sentido de conservar sem sombra de mancha a inocência batismal.

Firme e inabalável era a confiança que depositava em Deus. Em toda e qualquer necessidade era Deus seu refúgio. Dispensando consolo humano, esperava o auxílio divino, que nunca falta aos que temem e amam a Deus. Consolações dulcíssimas do Espírito Santo, libações do cálice da Paixão de Jesus, arrebatamentos sublimes ao alto do Tabor, tristezas profundas de Getsêmani – tudo aceitava da mão de Deus, com igual conformidade, bendizendo-lhe o Santíssimo Nome com alegria e beijando-lhe a mão, quando lhe mandava tribulações e dores. Em tudo e por tudo procurava só a realização do “seja feita a Vossa vontade”.

As revelações com que Deus a distinguiu, Gertrudes escreveu-as. Este livro permite-nos observar de perto a vida íntima da Santa, os transportes de amor com que a alma se lhe elevava a Deus, os doces colóquios que entretinha com o celestial Esposo. Ao lado dos livros de Santa Teresa, talvez seja o “Mensageiro do divino amor” de Gertrudes a obra mais importante da teologia mística, mais apropriada para acender o fogo do santo amor, nas almas que se dedicam à vida contemplativa.

O ano de 1334 trouxe-lhe a união tão desejada com o divino Esposo. A morte não foi senão a realização do desejo de sua alma, como Gertrudes mesma o exprimiu: “Dizei-me então, com a vossa melodiosa voz, estas palavras, que me soarão qual doce harmonia: “Vê, o Esposo já vem; levanta-te e enlaça-te com ele estreitamente. Goza as delícias nectáreas, que manam da contemplação de seu semblante, radiante de esplendores eternos”.

REFLEXÕES

Santa Gertrudes era mestra da oração e da meditação. A oração é a prática de piedade por excelência. O homem, rodeado de perigos, de tribulações e angústias, só em Deus acha consolo, conforto, proteção. É a vontade de Deus, porém, que este socorro seja o fruto da oração insistente e humilde. A palavra, a promessa de Jesus não deixa nenhuma dúvida sobre o valor e a eficácia da nossa oração. Se às vezes não alcançamos o que pedimos, não é porque Deus não tenha mantido a palavra. O motivo devemos procurá-lo na má condição da nossa oração. A oração deve ser feita em nome de Jesus, com confiança, humildade e perseverança. A oração do justo, feita nestas condições, penetra as nuvens e não descansa, enquanto não chega até ao trono do Altíssimo.

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

Na Rússia, São Josafá, monge basiliano e arcebispo de Polatsk. Foi morto pelos cismáticos e canonizado por Pio IX. 1623.

Em Cochinchina, no ano de 1861, Estêvão Teodoro Cuénot, vigário apostólico. Morreu no cárcere.

Em Emesa, na Síria, a morte de muitas mulheres cristãs, mortas pelo chefe árabe Mahdi.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii
14 de novembro — Santa Gertrudes († 1302) — Padre João Batista Lehmann