14 de fevereiro — São Valentim de Roma, Sacerdote e Mártir
14 de fevereiro — São Valentim de Roma, Sacerdote e MártirExtraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
Valentim era sacerdote romano, no tempo do imperador Cláudio II. Embora este monarca não perseguisse abertamente a religião cristã, muitos cristãos sofreram o martírio pelas exigências de certos governadores, a quem Cláudio deixava toda a liberdade de agir. Assim aconteceu com Valentim. Acusado do crime de ser cristão e sacerdote, Valentim foi levado à presença do imperador. A franqueza com que o servo de Cristo se defendeu, agradou a Cláudio que, com muito interesse, seguiu as suas exposições da doutrina cristã. Entretanto, Valentim permaneceu sob as ordens do governador Calpúrnio, o qual o entregou ao juiz Astério. Astério, propondo-se convencer a Valentim da futilidade da religião de Cristo, levou-o para sua casa. Logo ao entrar na residência do magistrado, Valentim pôs-se de joelhos e pediu a Deus que desse aos habitantes daquela casa o conhecimento da luz verdadeira. Astério, ouvindo o Santo falar em luz, não entendeu o sentido em que empregava este termo e disse a Valentim: “Tenho aqui em casa uma menina, filha adotiva minha, que há dois anos está privada da vista. Se, como dizes, teu Deus é um Deus da luz, invoca-o para que ela veja. Se isto acontecer, eu me curvarei diante de teu Deus”. Valentim impôs as mãos à menina e pronunciou as seguintes palavras: “Senhor Jesus Cristo, Deus verdadeiro e verdadeira luz, dai à vossa serva a luz dos olhos!” A oração do Santo foi ouvida. A menina recuperou imediatamente a vista. Abriram-se também os olhos de Astério. Este se converteu e com ele quarenta pessoas receberam o Batismo das mãos de Valentim. Poucos dias depois o Papa Calixto deu-lhes o Sacramento da Confirmação. Astério, que tinha sob sua guarda ainda outros cristãos, deu-lhes a todos a liberdade.
O imperador Cláudio, tendo conhecimento da conversão de Astério para o cristianismo, citou-o perante seu tribunal, como a Valentim e todos os outros que tinham sido batizados naquela ocasião. As suas iras convergiram em Valentim e descarregaram sobre o sacerdote de Cristo, numa flagelação desumana. Não conseguindo sua apostasia, Cláudio sentenciou-o à morte pela espada. Valentim sofreu o martírio em 14 de fevereiro de 270. Seu corpo foi sepultado na Via Flaminia e Deus se dignou de obrar muitos milagres por intercessão do Mártir. O Papa Júlio I mandou construir em Ponte Mole uma Igreja dedicada a São Valentim, que não existe mais. A porta del Popolo tinha antigamente o nome de São Valentim. Em tempos idos faziam-se solenes procissões em honra deste Santo. Suas relíquias acham-se nas Igrejas de Santa Praxedes e de São Sebastião. Diversas cidades da Itália e França (Melun) possuem relíquias deste glorioso mártir.
Reflexões
São Valentim confessou perante o júri o nome de Jesus e preferiu morrer a negar sua fé. Sua convicção era de que sem Jesus não há salvação. Nós vivemos num tempo, em que se verifica a palavra de São Paulo, que diz: “Tempos virão, em que os homens não mais suportarão a sã doutrina; conforme seus caprichos procurarão outros mestres, que agradem aos seus ouvidos” (II Timóteo 4, 3). Legião é o número desses mestres, e infelizmente, são recebidos de braços abertos. Sonhadores são chamados aqueles, que fazem depender a eterna bem-aventurança da imitação de Jesus Cristo. Deus, dizem esses falsos mestres, é muito bom, é a caridade. Indiferente lhe é em que religião e de que modo o homem o adora. Todos, sem exceção alguma, têm o direito à eterna glória. — A palavra de Cristo, a doutrina dos Apóstolos, a história do gênero humano contestam categoricamente tais ideias errôneas e perniciosas. Se o homem fosse santo, não precisava de um Salvador. Se o pecado não tivesse entrado no mundo, o homem era o legítimo herdeiro do céu. Mas não é mais. Decaído, degradado que é, sua salvação já não está em suas mãos. Possibilidade nenhuma existe, dele se reabilitar na graça, na filiação de Deus. A intervenção de Cristo foi absolutamente necessária para restabelecer a paz entre Deus e o homem. A vinda de Cristo, sua vida e morte são as provas mais patentes da necessidade da obra da Redenção. Só nEle há salvação, e todos que querem aspirar ao céu, a Ele devem adorar, a Ele se dirigir, nEle crer e o seguir. “Quem não crê — diz Cristo — já está condenado, porque não crê no Filho de Deus” (João 3, 18). “A vida eterna é esta, que vos reconheçam como Deus único e àquele que enviaste, Jesus Cristo” (João 17, 3). “Se eu não tivesse vindo, e não lhes tivesse falado; se não tivesse feito milagres que ninguém antes de mim fez, não teriam nenhum pecado; mas agora, como me rejeitaram, não há desculpa para o seu pecado” (João 15, 22). “Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Se estes milagres tivessem sido feitos em Tiro e Sidônia, todos teriam feito penitência em cilício e cinza” (Lucas 10, 13). Todas estas são palavras de Jesus Cristo, que condena os judeus e os pagãos, que não quiseram crer nEle — e para nós seria coisa de pouca ou nenhuma importância, crermos ou não em Cristo Nosso Senhor? Se a fé em Cristo é coisa de tão pouco valor, por que então foi dado aos Apóstolos ordem para pregar o Evangelho a toda a criatura? Por que os Apóstolos excluem positivamente da Salvação todos que não querem crer em Jesus? Por que milhares de Mártires não hesitaram em dar o sangue, a vida por amor de Jesus Cristo? Ou Jesus Cristo e seus Apóstolos foram impostores, ou sua doutrina é a verdadeira.
Se é verdadeira, e disto não resta dúvida, não há outra salvação a não ser no Santíssimo Nome de Jesus Cristo.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312 ↩