14 de dezembro — Santo Esperidião, Bispo e Confessor

14 de dezembro — Santo Esperidião, Bispo e Confessor
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Em meados do século terceiro nasceu na ilha de Chipre o grande Santo Esperidião, célebre pelas assombrosas profecias e estupendos milagres. Quando pequeno, pastoreava os rebanhos do pai, que era agricultor. Longe do mundo, das vaidades e da malícia mundana, Esperidião crescia em virtude e inocência. Grande parte do tempo passava em oração e meditação das coisas de Deus. Repugnava-lhe a companhia de meninos ímpios, mal-educados e perversos. Amigo da paz e da concórdia, da boca não deixava sair palavras injuriosas, ofensivas e nunca foi visto envolvido em discussões violentas. As armas de que se servia contra os adversários, eram a mansidão e o silêncio. Se sabia que alguém lhe guardava ressentimento, tudo fazia para o reconciliar consigo. Para ser agradável aos pais, casou-se com uma donzela muito virtuosa. Deus, que abençoou esta união, deu-lhes dois filhos. Em seguida, o piedoso casal, com mútuo consentimento, ofereceu a Deus o sacrifício da continência. Pouco tempo depois Esperidião enviuvou e não procedeu às segundas núpcias. Estava em pleno furor a perseguição de Galério Maximiano. Esperidião, que não quis satisfazer a exigência dos perseguidores, e adorar aos deuses, a torturas cruciantes, foi submetido. Os soldados arrancaram-lhe o olho esquerdo e cortaram-lhe a rótula direita, e assim mutilado teve que trabalhar nas minas.

Com o advento do governo de Constantino, recuperou a liberdade, e voltou para a primitiva ocupação de pastor. Uma vez vieram ladrões, que aproveitando-se da escuridão e do silêncio da noite, quiseram roubar ovelhas. Deus os castigou, fulminando-os com uma paralisia, que não lhes permitiu dar mais um passo adiante, até que o santo pastor os libertou da crítica situação. Despachando-os, deu-lhes um cordeirinho a título de recompensa, pelo bom serviço que lhe prestaram, em terem lhe guardado tão bem o rebanho.

Em casa de Esperidião era praticada a hospitalidade cristã. Embora pobre, não queria que algo faltassem aqueles que lhe dessem a honra de procurar-lhe a hospedagem. O jejum, em tempo marcado pela Igreja, era observado com todo o rigor, por ele e a família. Acontece que em dia de jejum tivesse um hóspede. Sendo a mesa mais magra que em outros tempos, ordenou que ao hóspede fosse preparada uma refeição mais regalada.

A vida santa de Esperidião e os santos exemplos que dava, atraíram a curiosidade e a admiração de muita gente. Seu nome era respeitado e venerado em toda a redondeza. Assim se explica o fato do clero da diocese de Tremithusa, reunido para proceder à eleição de um novo bispo, lembrar-se de Esperidião e elegê-lo. Não houve contestação nenhuma, a não ser do próprio eleito. Este só se conformou, quando conseguiram convencê-lo de que a eleição era a expressão da vontade de Deus.

Deus, que revela aos pequenos o que aos grandes e sábios esconde, encheu de grande sabedoria este pobre pastor, que nunca se ocupara com o estudo das ciências. Esperidião satisfez perfeitamente as esperanças nele depositadas e revelou-se aos diocesanos, clérigos e leigos, como um mestre abalizado da vida interior e da perfeição. Pela palavra e pelo exemplo, exortava a todos a fugirem do pecado e a fazerem penitência pelos males cometidos. Os emolumentos do múnus episcopal, distribuía na maior parte pelos pobres. De grande efeito foi a sua colaboração no Concílio de Niceia. Pela humildade e a palavra inspirada confundiu os oradores arrogantes da heresia. Esperidião morreu santamente em 347.

REFLEXÕES

Os contemporâneos de Santo Esperidião elogiavam-lhe a mansidão, o espírito conciliador, que detestava a rixa e contenda. — “A paz seja convosco” era a saudação que Cristo dirigia aos Apóstolos. A paz, a concórdia; em uma palavra, a caridade é o sinal pelo qual se distinguem os discípulos de Jesus Cristo. Se queres ser amigo de Nosso Senhor, evita a discórdia e a contenda. Quando se te oferecer ocasião de apaziguar os ânimos, aproveita-a prudentemente. “Bem-aventurados os pacíficos — diz Nosso Senhor, — porque serão chamados filhos de Deus.” — Se os pacíficos são chamados filhos de Deus, os violentos, os perturbadores da paz, os mexeriqueiros, os caluniadores e difamadores, de quem serão filhos? “Se são chamados filhos de Deus aqueles que amam a paz e a procuram, malditos e mal-aventurados serão chamados os semeadores da discórdia, os inimigos da paz” — (São Vicente Ferrer).

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

Em Reims, o martírio do bispo Nicásio e de sua irmã, Santa Eutrópia, virgem. São Nicásio é o construtor da basílica de Reims. Morreu na perseguição dos Vândalos. Sua oração preservou a cidade da peste, quando a França toda era avassalada por esta epidemia. É padroeiro contra a peste e a cólera.  Séc. 5.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii