14 de agosto — Santo Eusébio, Confessor

14 de agosto — Santo Eusébio, Confessor
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Santo Eusébio era um sacerdote, que possuía o espírito de oração e todas as virtudes apostólicas, em grau bem elevado. Morreu mártir pela fé, quando Diocleciano e Maximiano eram Imperadores e antes da publicação do célebre édito imperial, que decretou a perseguição da Igreja. Não se sabe se o lugar de seu martírio foi Roma ou Palestina. Certo é que esteve presente o Imperador Maximiano, no lugar onde Maxêncio exercia as funções de governador, o mesmo Maxêncio que citou Eusébio perante o tribunal.

A franqueza com que Eusébio pregou o nome de Jesus Cristo, irritou o espírito dos sacerdotes pagãos, que o denunciaram. O inquérito começou com a intimação de Maxêncio, de sacrificar aos deuses: “Sacrifica aos deuses, senão a isto te forçarei!” Eusébio respondeu-lhe: “Escrito está na lei santa: Só ao Senhor teu Deus adorarás e só a Ele servirás”. Maxêncio: “Está em tuas mãos; escolhe: ou prestas homenagem aos deuses ou contarás com dolorosa tortura”. Eusébio: “É um absurdo adorar pedras”. Maxêncio: “Que gente esquisita são esses cristãos! Preferem a morte à vida”. Eusébio: “Ninguém é tolo, preferindo as trevas à luz”. Maxêncio: “Bondade e condescendência nada conseguem; pelo contrário, tornas-te mais teimoso ainda. Sabe, pois: se não dobrares os joelhos ante as divindades, serás queimado vivo”. Eusébio: “Tuas ameaças não me amedrontam; quanto mais cruéis os tormentos, mais gloriosa será minha coroa”.

Maxêncio deu ordem a que Eusébio fosse apertado no torniquete e as carnes lhe fossem dilaceradas com torqueses. No meio dessa tortura, Eusébio exclamou: “Ó meu Jesus, vivo ou morto, vosso quero ser!” Ouvindo estas palavras, Maxêncio mandou os algozes pararem e disse ao mártir: "Não sabes que é uma ordem do Senado, segundo a qual todos os súditos são obrigados a prestar homenagens aos deuses?" Eusébio respondeu: "As ordens de Deus precedem às ordens dos homens".

Maxêncio encheu-se de cólera e condenou o sacerdote à fogueira. Eusébio, como se fora a uma festa, alegre se dirigiu ao lugar determinado para o suplício. Todos se admiraram, sem poder explicar essa alegria de morrer.

Maxêncio, pela última vez, se dirigiu ao mártir e disse-lhe: “Porque é que com tanto afã procuras a morte? Não compreendo a tua pertinácia. Trata de mudar tuas ideias!” Eusébio retorquiu: “Se é a vontade do Imperador que se adore metal, desprezando o único Deus verdadeiro, a ele me conduzam”. Eusébio fez essa exigência, porque não tinha aparecido ainda ordem imperial para maltratar os cristãos. Maxêncio ordenou então que o sacerdote fosse levado ao cárcere e ele mesmo se dirigiu ao Imperador, para relatar o ocorrido e dizer ao tirano que se tratava de um homem rebelde, que pertinazmente se recusava a adorar aos deuses.

“Trazei-o para cá” — ordenou Maximiano, ao que um dos assistentes observou "Senhor, seus discursos vos comoverão". — "Que julgas? — respondeu Maximiano — pensas que alguém possa influir no meu espírito?" — "Não há dúvida, não só o vosso, mas o espírito do povo inteiro, ele é capaz de mudar; ninguém vê aquele homem, sem ficar comovido". — "Que venha", ordenou o Imperador.

Eusébio veio, e no rosto lhe resplandecia algo de celeste e o Imperador vendo-o, sentiu forte comoção.

Dirigindo-se a Eusébio, disse-lhe o Imperador: “Bom velho, fala e nada receais, pois aqui está quem quer salvar-te a vida”. Eusébio respondeu: “Se eu esperasse a salvação desse homem, nada mais poderia esperar de Deus. Embora estejas, em autoridade e poder, acima dos demais homens, como eles, és um ser mortal. Não receio repetir em tua presença o que já disse aos outros: Sou cristão e como tal não posso adorar pau ou pedra. Resolvi-me a obedecer a Deus verdadeiro, cuja bondade tantas vezes experimentei”.

Maximiano, ao ouvir isso, dirigindo-se a Maxêncio, disse: "Não vejo o mal que este homem faz, em adorar um Deus supremo". — "Senhor" — respondeu Maxêncio — ele entende por Deus um tal Jesus, que não conheço". — "Pois bem, — disse Maximiano — julga-o conforme a lei; não quero servir de juiz nesta questão".

Embora estivesse convencido da virtude de Eusébio, não se atreveu a dar-lhe liberdade. Seguiu-se novo inquérito, com novas intimações e ameaças. Como Eusébio ficasse firme e disse ao juiz: "Não me aparto da lei em que fui criado", este o condenou à morte pela espada.

Certo da sentença, Eusébio exclamou: "Graças vos dou, Senhor meu Jesus Cristo, por terdes experimentado a minha fidelidade, tendo eu assim procedido como um dos vossos discípulos". Ao mesmo tempo, se ouviu uma voz do céu, dizendo: “Se não fosses achado digno do martírio, não poderias entrar no reino do rei eterno, nem ter lugar entre os eleitos do céu".

A sentença de Maxêncio foi executada, e a cabeça de Eusébio rolou aos pés de quem a mandou cortar.

Reflexões

“Tuas ameaças não me amedrontam; quanto maior o sofrimento, tanto mais belo será minha coroa”. Foi essa a resposta corajosa que Santo Eusébio deu ao tirano.

Se te lembrasses sempre da felicidade que espera os filhos de Deus no céu; se te quisesses convencer da certeza da glória que terão aqueles, que levaram sua cruz, em união com Nosso Senhor, quanto consolo não experimentarias nos sofrimentos! Na recitação do Credo, dizes: "creio na vida eterna". Sabes que querem dizer estas palavras? São João Evangelista, o discípulo predileto de Jesus Cristo, referindo-se à vida eterna, escreve: "Caríssimos, agora somos filhos de Deus; e não apareceu ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando ele aparecer, seremos semelhantes a ele; porquanto o veremos como ele é" (I João 3, 2). Duas perguntas sempre nos preocupam: 1) que somos? 2) que será de nós? As respostas são igualmente importantíssimas: 1) somos filhos de Deus; 2) seremos semelhantes a ele. "É essa a vida eterna, em conhecermos a Deus, nosso Pai e a Jesus Cristo, seu Filho" (João 17, 3). "Se somos filhos, seremos herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo” (Romanos 8, 17). Podemos fazer uma ideia dessa nossa glória? Que mais poderíamos desejar, que ser herdeiros de Deus, coerdeiros de Cristo, filhos de Deus e irmãos de Nosso Senhor? Para possuirmos esta felicidade, vale a pena sofrer alguma coisa e carregar a cruz, por mais pesada que seja, pois "Cremos na vida eterna".

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

No Hilírico, o santo mártir Ursicino, que, depois de ter sofrido muito por Nosso Senhor, foi morto pela espada, quando Maximiano era Imperador.

Na ilha Egina a santa viúva e religiosa Atanásia. Casada duas vezes, imitou o exemplo do segundo marido, que entrou numa Ordem. Atanásia fundou o convento da Timia. 860. É padroeira dos tecelões.

Na Síria, em Apameia, a memória de São Marcelo, bispo e mártir. 389.

Em Todi, São Calixto, bispo e mártir.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii
14 de agosto — Santo Eusébio, Confessor — Padre João Batista Lehmann