13 de setembro — Santa Notburga de Rattenberg, Empregada

13 de setembro — Santa Notburga de Rattenberg, Empregada
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Rattenberg, pequena aldeia do Tirol, é a terra natal de Notburga. Os pais eram camponeses e educaram a filha no santo temor de Deus e na prática das virtudes cristãs. Notburga era um modelo de virtudes, que devem ser o adorno da donzela cristã. Era principalmente a caridade e a bondade de coração que todos admiravam nela e que tanto a fazia adiantar-se na santidade.

Tendo dezoito anos, empregou-se a serviço dos senhores de Rattenberg e nessa colocação pôde satisfazer, como satisfez, os desejos ardentes de socorrer os doentes pobres e necessitados. Os amos, o conde Henrique e sua mulher Jutta, ambos muito piedosos, davam-lhe ampla liberdade para exercer a nobre missão de esmoler. As esmolas que a fiel empregada distribuía quotidianamente, atraíam as bênçãos do céu sobre a família. À esmola material Notburga unia sempre a espiritual: a palavra consoladora, o conselho prático, a exortação que fazia aos pobres de andarem sempre na conformidade com a santa lei de Deus.

Seis anos ficou Notburga no castelo de Rattenberg, quando morreram os amos. Estimada por todos, quiseram o jovem conde e sua mulher, a nova condessa Otília, que permanecesse no seu emprego. Otília, porém, não era caridosa e, vendo Notburga distribuir tanta esmola, aborreceu-se e determinou que os restos da comida, em vez de serem dados aos pobres, como acontecia até então, fossem aproveitados para os porcos. Para que nada faltasse aos pobres, Notburga tirava então do que era seu, continuando assim a praticar a caridade à própria custa. Tanto mais se indignava a fidalga, que na beneficência da empregada via uma humilhação para a patroa. Não mais se contendo, relatou tudo ao marido, acusando Notburga de deslealdade e queixando-se do ajuntamento de pobres e necessitados em sua casa, o que ao seu ver era um abuso, chegando até a chamar de ladra a quem tanta caridade fazia. O conde quis pessoalmente verificar o que havia e não havia, e supreendeu Notburga quando ia visitar os pobres, levando, como de costume, alguma provisão no avental. “Que é que levas em teu avental, Notburga? Deixa-me ver” — disse-lhe o conde. Notburga, com muita naturalidade, abriu o avental e mostrou-lhe pão e carne, restos da refeição, que guardara para os pobres. O conde, assim conta a lenda, viu apenas uns gravetos, do que muito se admirou. Dessa maneira ficou rebatida a acusação da condessa, a qual, em vez de dar a coisa por acabada, à maneira de pessoas rancorosas, maliciou o procedimento de Notburga, como se esta quisesse metê-la a ridículo. Quando Notburga voltou à casa, foi recebida grosseiramente pela condessa, a qual, não satisfeita de cobrir de baldões a empregada, demitiu-a do serviço.

Notburga sofreu tudo calada, saiu do castelo e empregou-se numa fazenda. A vida solitária da roça, os trabalhos em casa e no campo, muito lhe agradaram. Algum tempo depois, soube que a condessa tinha adoecido gravemente. Notburga, que por completo desconhecia o que era rancor, foi ao castelo para fazer uma visita à senhora, de quem tantas injustiças sofrera. A condessa mandou-a entrar, recebeu-a muito bem e pediu-lhe perdão de tê-la tratado tão asperamente. Notburga comoveu-se com a triste condição em que achara a antiga patroa e tornou-se-lhe fiel enfermeira, até que a morte a livrou dos padecimentos.

Morta a condessa, Notburga voltou ao serviço do campo. Aconteceu que na tarde de um dia — que era um sábado — Notburga, ao toque do "Angelus", como era de costume, quisesse dar por terminado o trabalho. Fora essa a condição sob a qual se empregara, de poder dispor do tempo depois do "Angelus" e nas vésperas de dias santos. O feitor insistiu para que naquele dia fosse cortado todo o cereal que estava no campo. Vendo a insistência resoluta e enérgica do feitor, Notburga levantou ao céu a gadanha e disse: "Esta gadanha há de decidir a questão". Retirando a mão, a foice conservou-se suspensa no ar. Ao ver tal maravilha, o feitor pediu perdão à donzela e prometeu doravante respeitar o contrato e não mais exigir trabalho depois do "Angelus".

O conde Henrique sofreu ainda muitas outras contrariedades e os infortúnios vieram-lhe uns sobre os outros. O maior foi a inimizade do irmão, Sigefredo, que lhe invadiu o território, devastando-o. O conde lembrou-se então de Notburga e das injustiças que lhe foram feitas, dos maus tratos de que tinha sido objeto, atribuindo a má sorte a essa circunstância. Pessoalmente foi ter com a donzela, convidando-a e pedindo-lhe que voltasse ao castelo, sob garantia de lhe ser dada a liberdade no exercício das obras caritativas. Notburga atendeu ao pedido do conde e sua volta a Rattenberg deu aos habitantes muita alegria.

A segunda esposa do conde era, como Notburga, uma verdadeira mãe para os pobres. Era visível como pela volta de Notburga ao castelo, para lá voltaram a paz e a concórdia. Sigefredo, a insistência dela, reconciliou-se com o irmão e chegou a gozar de grande prestígio.

A Santa ficou a serviço do castelo do conde até o fim dos seus dias, isto é, dezoito anos e morreu em 14 de setembro de 1313.

O quarto ocupado por Notburga foi transformado em capela e sobre o túmulo da Santa na capela de São Roberto, em Eben, foi construída uma bela Igreja. A festa de Santa Notburga é comemorada no dia 14 de setembro.

Reflexões

Como é comovedora a caridade de Santa Notburga e seu cuidado pelos pobres e necessitados! Fazem muito mal os empregados que, dispondo dos bens dos amos, sem consentimento e contra a vontade dos mesmos, dão grandes esmolas. Santa Notburga assim não procedia, mas para socorrer os pobres, tirava do que era seu. Caridade que ofende aos princípios da justiça, não agrada a Deus. O exemplo da vida de Santa Notburga prova que empregados virtuosos são uma bênção para a família, sobre a qual atraem a proteção divina.

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

Em Alexandria a morte de São Filipe, pai de Santa Eugênia, virgem. Para poder seguir sua convicção religiosa teve de abdicar seu cargo de governador do Egito. Seu sucessor Terêncio condenou-o à morte e mandou executar a sentença. Sec. 3.

Em Angers, na França, o bispo São Maurílio.

Os santos mártires Macróbio e Juliano, mortos na perseguição de Licínio. Sec. 4.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii