13 de novembro — Santo Estanislau Kostka († 1568)
13 de novembro — Santo Estanislau Kostka († 1568)Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
SANTO Estanislau Kostka, descendente de uma família nobilíssima da Polônia, nasceu em 1550. Treze anos viveu na casa paterna, onde tanto se distinguiu pela piedade e santidade de vida, que por todos era chamado o anjo. A repugnância que manifestava, por tudo que contrariava a virtude angélica era tanta, que uma palavra obscena o fazia desmaiar. Contrário a meninos da mesma idade, que geralmente têm prazer em brinquedos, divertimentos, etc. Estanislau se aborrecia com estas coisas. O recreio e único prazer do menino era estudar e rezar. Na idade de quatorze anos passou com o irmão mais velho, Paulo, para Viena, onde se matriculou no seminário, dirigido pelos Padres Jesuítas. Perturbações, porém, de ordem social fizeram com que este se fechasse e Estanislau domiciliou-se com o irmão na casa de um luterano. O modo de vida do jovem naquela casa era o mesmo do seminário. Inimigo de tudo que é do mundo, reconcentrou-se no estudo e nas obras de piedade. Entre os exercícios religiosos tomavam o primeiro lugar a assistência quotidiana á santa Missa e a sagrada Comunhão. Em tudo diferente era o irmão Paulo. Não concordando com o gênio e modo de pensar de Estanislau, abusou da sua superioridade, durante três anos, maltratando o irmão mais novo. Este suportou com paciência os maus-tratos que lhe vinham do irmão. “Hei de viver como sei que Deus o quer, seja ou não do agrado de meu irmão,” dizia Estanislau e continuou nas práticas piedosas. Aos frequentes convites para participar dos divertimentos do mundo, respondia: “Nasci para coisa mais alta.” Terníssima era a devoção que tinha a Maria Santíssima e o Rosário era a sua oração quotidiana. Durante a noite se levantava da cama, ficando em oração longas horas.
Grande desejo tinha de ser aceito entre os aspirantes da Companhia de Jesus. O pedido de admissão, porém, foi-lhe indeferido, não querendo os Superiores favorecer este passo, sem que os pais de Estanislau soubessem da ideia e a aprovassem. Estes se opuseram francamente à vontade do filho. Após longa oração e tendo ouvido o conselho do confessor, resolveu realizar o plano: Sem fazer comunicação à família, dirigiu-se a Dillingen, onde se achava o Provincial da Companhia, Pedro Canísio. Este teve dúvidas sobre a admissão do jovem; animou-o, porém, a ir até Roma. Estanislau obedeceu e fez a longa viagem de Viena a Roma, a pé. “Eu teria ido até a Índia, se isto preciso fosse para alcançar minha vocação.” – disse uma vez Estanislau aos companheiros. Chegado a Roma, lançou-se aos pés do Superior Geral da Companhia de Jesus, Francisco Bórgia, pedindo-lhe com todo o fervor que o aceitasse. Francisco Bórgia fez levantar o jovem, estreitou-o nos braços e recebeu-o com amor paternal entre os noviços. O zelo, a dedicação do jovem religioso foram tão admiráveis, que já nas primeiras semanas Estanislau foi apresentado aos companheiros como modelo perfeito de virtude.
Uma carta do pai, cheia de ameaças e repreensões, trouxe-lhe muita tristeza, mas não conseguiu demovê-lo do caminho, uma vez enveredado.
Edificantíssimo era-lhe o recolhimento, perfeita a obediência, grande o amor à mortificação. Tratando os superiores com todo o respeito, para os companheiros era a caridade em pessoa. De todas as virtudes era a do amor de Deus a que mais lhe merecia a atenção, e lágrimas enchiam-lhe os olhos, quando se falava de Deus. Frequentes eram as manifestações extraordinárias da sua união nupcial com Deus na oração. O semblante tão humilde e meigo parecia-lhe então banhado em luz e ao corpo comunicava-se-lhe um calor tal, que apesar do frio intenso de inverno, precisava recorrer à abluções com água fria. Ao ouvir o nome de Deus e de Maria Santíssima, o rosto tornava-se-lhe radiante. Perguntando-lhe uma vez um sacerdote se amava a Maria, Kostka respondeu: “Que dúvida, se ela é minha mãe!” Não se levantava de manhã, nem de noite se deitava, sem que, pondo-se de joelhos, tivesse pedido a bênção à divina Mãe.
Existia no noviciado o costume de sortear o padroeiro mensal. Uma vez, quando se estava em agosto, Kostka recebeu São Lourenço por padroeiro. Com uma devoção especial o jovem celebrou o dia do Santo. No mesmo dia se sentiu acometido de febre e, apesar da moléstia não apresentar nenhum sintoma alarmante, Estanislau de um modo muito positivo predisse a morte próxima. Com muita devoção recebeu os santos Sacramentos e não mais largava das mãos o crucifixo e uma imagem de Nossa Senhora. Maria Santíssima dignou-se de aparecer ao seu servo, com um cortejo grande de virgens glorificadas e Anjos, convidando-o para com elas entrar no reino celestial. No mesmo dia, isto é, em 15 de agosto de 1568, o jovem noviço entregou a alma ao Criador. As últimas palavras de Estanislau foram invocações devotíssimas dos santos nomes de Jesus e Maria. Nas mãos segurava o crucifixo e o terço.
Estanislau não tinha ainda completado 18 anos, quando Deus o chamou à eterna glória. Numerosos foram os milagres que se observaram no túmulo do santo noviço.
Canonizado por Bento XIII, Estanislau Kostka é na Polônia venerado como padroeiro da nação e, ao lado de São João Berchmans e São Luís de Gonzaga, apresentado à mocidade como modelo perfeito de virtude e santidade.
REFLEXÕES
São Estanislau Kostka dá aos jovens belíssimos exemplos, dignos de imitação. Entre muitos ensinamentos que da vida deste admirável Santo podem colher, destacamos as seguintes: 1º- São Estanislau manifestava pavor de conversas livres e impuras. Não é, entretanto, a impureza o vício que campeia entre a mocidade? 2º- Santo Estanislau não se deixava levar pelo respeito humano e pouco se lhe dava o escárnio de companheiros frívolos e o mau trato que experimentava do próprio irmão. “Eu quero viver – dizia, – como é agradável a Deus, tenha isto ou não o agrado de meu irmão.” O respeito humano, o receio de desagradar, o medo de cair no ridículo dos tolos, é que a muitos jovens afasta da prática do bem e da religião. 3º- Logo no começo da doença, Santo Estanislau se dizia pronto a aceitar a morte, se fosse vontade de Deus chamá-lo. O puro, o virtuoso, o amigo de Deus em verdade não receia a morte e está sempre preparado para comparecer diante do eterno e supremo Juiz. “Quem quer ter uma morte tranquila, faça penitência, enquanto tiver saúde”, aconselha São Bernardo.
Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:
Em Aix, na França, o martírio de Mítrio, escravo. Foi vítima do ódio do seu patrão e dos escravos pagãos. É padroeiro dos viticultores. 304.
Em Cesareia, na Palestina, a morte dos Santos Antonino, Zebina, Nicéforo, Germano e de Santa Mánata, virgem. Esta morreu queimada. Os outros foram decapitados na perseguição de Galério.
Em Roma, a memória do Papa São Nicolau. 867.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii ↩