13 de maio — São João, o Taciturno
13 de maio — São João, o TaciturnoExtraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
Nicópolis, na Armênia, é o berço deste santo, que lá nasceu em 454, e ao qual a história deu o apelido de Taciturno ou silencioso por causa do grande amor que tinha ao silêncio e ao recolhimento de espírito.
João era filho de família ilustre e contava entre seus antepassados célebres militares e políticos. Ele, como seus irmãos, receberam dos pais uma educação muito distinta. João era, de todos, o mais inclinado às coisas santas e ao serviço de Deus. Pela morte dos pais, coube-lhe rica herança. Na idade de 18 anos, construiu em Nicópolis uma igreja de Nossa Senhora e um convento para si e mais dez companheiros que, como ele, estavam resolvidos a servir a Deus na solidão.
Assim, separado da família e do mundo, entregou-se aos trabalhos da santificação de sua alma, procurando conhecer suas paixões e praticando as virtudes a elas opostas. Foram principalmente a humildade, a modéstia, a pureza, a mortificação e a oração que mereceram sua principal atenção.
Tendo vinte e oito anos, e sendo já sacerdote, o bispo de Sebaste convidou-o para administrar a diocese de Colônia na Armênia. Esta nova dignidade não trouxe nenhuma mudança no seu modo de viver. Sua vida piedosa foi imitada por seus irmãos, quando um deles, fazendo exceção e sendo governador da Armênia, o atacou veementemente, chegando a cometer graves injustiças contra sua venerável pessoa.
João apresentou suas queixas ao imperador, e depois de uma administração de dez anos, abandonou seu bispado e entrou no hospital de Jerusalém, pedindo ardentemente a Deus que lhe indicasse um lugar onde pudesse exclusivamente viver à santificação de sua alma. Foi-lhe comunicado que tal lugar seria o convento de São Sabas, onde cento e cinquenta eremitas viviam em extrema pobreza. João pediu e obteve admissão naquela comunidade, ocultando, porém, seu estado e sua dignidade. A obediência lhe impôs diversos serviços, como de servente de pedreiro e outros semelhantes. Passados três anos, São Sabas confiou-lhe a administração dos bens do convento, cargo que desempenhou com a máxima fidelidade durante quatro anos, quando Sabas o apresentou a Elias, Patriarca de Jerusalém, pedindo que o ordenasse sacerdote. João revelou então ao Patriarca, sob a maior reserva, que era Bispo. São Sabas teve o mesmo conhecimento numa revelação que Deus lhe fez e prometeu ao Santo, observar o maior silêncio sobre este fato. João voltou ao convento, onde viveu quatro anos sem sair de sua cela, observando sempre o maior silêncio. Aconteceu que alguns monges revolucionários expulsassem a São Sabas. Nesta ocasião, João procurou uma ermida onde passou seis anos na maior reclusão. Chamado por São Sabas para retomar seu lugar no convento, voltou para algum tempo, mas seu amor à solidão o fez procurar outra residência, mais retirada ainda, onde viveu no maior esquecimento do mundo, durante quarenta anos.
João morreu na idade de 105 anos. Seu biógrafo e discípulo, Cirilo, conta, entre outros milagres de seu mestre, a cura de um menino possesso do demônio.
Reflexões
São João passou longos anos fora do convívio com os homens pelo receio que teve de cometer pecados pela língua. Tanto ninguém exige de nós, mas o interesse pela nossa santificação quer que nos abstenhamos de conversas inúteis e prolongadas, como de ocasiões próximas para pecar. "Muito falar traz pecado" (Provérbios 10, 19), diz o Espírito Santo. Não é pequena a responsabilidade que temos perante Deus do uso que fazemos da língua. Grandes são os pecados em que facilmente caem aqueles que não refreiam sua língua e muitos são aqueles que se perderam pela liberdade que lhe concederam. "Funde o teu ouro e tua prata, e faze uma balança para pesares as tuas palavras e um justo freio para reprimires tua boca, e olha não escorregues acaso com tua língua, e caias diante dos teus inimigos, que te armam ciladas, e venha a tua queda a ser incurável e mortal." (Eclesiástico 28, 29). É este o aviso que nos dá o Espírito Santo, prevenindo-nos contra os males que podem provir de uma linguagem incontida e imprudente.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312 ↩