13 de janeiro — São Godofredo

13 de janeiro — São Godofredo
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Da família dos condes de Cappenberg, era Godofredo natural da Westfália, na Alemanha. Os frutos de uma boa educação manifestaram-se no jovem conde, quando comandante de muitos soldados, não tolerava que eles se entregassem a uma vida licenciosa ou praticassem injustiça contra os indefesos camponeses.

Contemporâneo de Godofredo era São Norberto, fundador da Ordem  Premonstratense. Muitos fidalgos, movidos pela pregação deste Santo, tinham abandonado as vaidades do século e começado uma vida mais agradável a Deus. Godofredo, por cuja terra Norberto passou, sentiu em si o desejo de despedir-se do século e tornar-se religioso. Para este fim, estava no ponto de entregar o Castelo de Cappenberg e, todos os seus bens; projeto que se apresentou como impraticável. Seu irmão Otho não consentiu que, os bens da família fossem empregados para o fim indicado, e os parentes da esposa de Godofredo tão pouco se contentaram com esta resolução. Não obstante, Godofredo pediu a Norberto admissão na sua Ordem.

Este consentiu, com a condição, porém, que antes fossem removidos todos os obstáculos e que Godofredo usasse traje secular. Tão feliz foi Godofredo na sua causa, que conseguiu de seu irmão Otho pleno consentimento, no sentido de poder dispor da casa e da sua fortuna e a promessa de entrar também na mesma Ordem. A esposa, sabendo do propósito do marido, mostrou-se inteiramente de acordo e resolveu dedicar o resto de sua vida ao serviço de Deus, entrando também num convento. Godofredo, tão bem sucedido, entregou a Norberto o castelo, que foi transformado em mosteiro.

Forte resistência achou Godofredo da parte de seu sogro. Este protestou contra a doação feita à Ordem e a entrada de sua filha na Ordem, e jurou desforrar-se. A morte que lhe sobreveio, arrebatou-o dos seus planos.

Godofredo tomou o hábito da Ordem de São Norberto e trabalhou com todo afinco na sua santificação. Tanto ele como o seu irmão Otho, que o seguiu, tornaram-se modelos perfeitos de religiosos. São Norberto achou nos dois irmãos bons auxiliares e esteios fortes para a sua nova fundação. Godofredo, depois de poucos anos, adoeceu gravemente e Deus o chamou para uma vida melhor em 1127, quando o Santo contava com apenas 30 anos. Logo depois da sua morte, seu túmulo foi glorificado por muitos milagres.

Reflexões

1. São Godofredo demitiu-se do cargo de general, para não se fazer culpado de pecados de outrem. Da doutrina cristã sabes o que são pecados de outrem. São aqueles que se cometem por intermédio de outrem, mas nos quais tomamos parte, de algum dos seguintes modos: aconselhando essas pessoas, protegendo-as ou ajudando-as na comissão do pecado, mandando-as cometê-lo, aprovando-as ou louvando-as, tomando parte no pecado materialmente, tendo prazer da comissão desse pecado e consentindo nesse prazer, calando-nos quando seríamos obrigados a falar para impedir que se cometesse, não punindo e não descobrindo a quem deve impedi-lo. A cooperação nestes pecados implica nossa culpabilidade perante Deus, como se os tivéssemos cometido pessoalmente. Numerosíssimos são este gênero de pecados, causando a perdição de muitas almas imortais. Muitos como Caim se escondem atrás das palavras: “Sou eu o guarda de meu irmão?” Muitos que prezam sua honra, não querem ser ladrões e, não são de fato. Mas escrúpulo nenhum eles tem, em vender objetos de que sabem ser roubados. Os pais se escandalizam com uma falta que um filho, uma filha ou um empregado cometeu e, se esquecem de uma coisa importante: que aquela falta não teria acontecido, se tivessem cumprido o seu dever, que lhes impõe vigiar, avisar, aconselhar ou mesmo castigar. Examina tua consciência, se além dos teus pecados pessoais, tens parte em pecados de outrem e, procura sempre, pela posição que ocupas na família ou na sociedade, evitar que se pratique o mal, e pelo contrário, se faça o bem. O rei Davi tinha muito medo desses pecados de outrem e pedia a Deus constantemente: “Dos crimes ocultos purificai-me, Senhor, e dos pecados de outrem preservai a vosso servo!” (Salmos 18, 13). Aceita o conselho do Apóstolo São Paulo: “Não te faças participante dos pecados de outrem” (I Timóteo 5, 22).

2. São Godofredo deveu sua conversão à audição da palavra de Deus. A audição da palavra de Deus, é indispensável também a ti. Não te julgues bastante instruído na religião, para poderes dizer que não precisas ouvir a explicação da doutrina. As impressões da infância se apagam quando não se tem o cuidado de fazê-las reviver. Sendo a religião de Jesus Cristo a única base do nosso conforto nas vicissitudes da vida, e o penhor seguríssimo da imortalidade, é digna, pois, que seja o objeto das nossas considerações durante a vida toda. É fútil a objeção, que na doutrina ou na prática não se ouve coisa nova. Quem procura estar com Deus, e quem quer levar uma vida verdadeiramente cristã, tira proveito também da instrução mais simples. A palavra de Deus tem uma força misteriosa sobre os corações. Há uma grande diferença entre a palavra de Deus lida e ouvida. “A fé vem da audição”, diz o Apóstolo. “Quem é de Deus ouve a palavra de Deus; vós não a ouvis, porque não sois de Deus” (João 8, 47). Esta palavra de Nosso Senhor desarma todas as objeções levantadas contra a audição da palavra de Deus.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312