13 de fevereiro — Santa Catarina de Ricci, Virgem

13 de fevereiro — Santa Catarina de Ricci, Virgem
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Santa Catarina, uma das maiores Santas da Idade Média, nasceu em Florença, de uma família ilustríssima. Deus infundiu no coração da criança um grande amor à oração e a outras práticas de piedade, amor este que a levou ao desprezo de tudo que é do mundo. Com sete anos de idade foi confiada às religiosas do convento de Montecelli. Uma vez em contato íntimo com a vida religiosa, se afeiçoou tanto a ela que, mais tarde, quando teve de voltar ao lar paterno, no meio dos trabalhos domésticos conservou seus costumes do convento.

Bem a seu contragosto, seu pai tratou de ligá-la pelos laços matrimoniais a um moço distinto de suas relações. Tantas foram as insistências de Catarina que, afinal, o pai desistiu do seu plano, consentindo que tomasse o hábito da Ordem Dominicana, no convento de Prato, na Toscana. Catarina tinha apenas quatorze anos.

Tendo operado a separação definitiva do mundo, Catarina não só sentiu a sua alma invadida da mais pura alegria, como tratou, desde o primeiro instante, de adquirir as virtudes de religiosa perfeita. A bula de sua canonização confirma que sua vida no noviciado foi de uma santidade angélica. Admirável era sua humildade, que a fazia não recuar diante dos trabalhos mais humildes de casa, ficando seu espírito sempre unido a Deus. Tendo apenas 25 anos de idade, foi eleita superiora, cargo que ocupou até a morte, contribuindo assim para maior alegria de suas Irmãs, para as quais era uma verdadeira mãe. Governava pelo bom exemplo, na prática de todas as virtudes, conseguindo assim, que na comunidade reinasse sempre ótimo espírito e as religiosas se esforçassem a seguir o exemplo de sua superiora.

Seu exemplo e modelo era Jesus Crucificado, a quem dedicava o mais terno amor. A Sagrada Paixão e Morte de Jesus estava sempre diante dos seus olhos, e seus lábios pronunciavam constantemente jaculatórias e saudações ao seu bem-amado na Cruz, cuja meditação era, por assim dizer, o pão de cada dia da Santa. Seu maior desejo consistia em poder participar dos sofrimentos de Jesus Cristo e sentir em seu corpo o que Ele sentiu nas três horas da agonia.

Deus atendeu seu pedido de um modo extraordinariamente belo. Sempre que nas quintas-feiras de tarde começava a sua meditação da Sagrada Paixão e Morte de Jesus, entrava em êxtase, permanecendo neste estado até à tarde do dia seguinte. Era nestas ocasiões que sua alma via a Sagrada Paixão e Morte de Jesus em todos os seus pormenores, tomando parte mais ou menos ativa no grande sofrimento de seu divino Mestre. Além destes sofrimentos místicos, Deus mandou-lhe outros em forma de doenças graves e dolorosas. Em vez delas diminuírem sua fé, aumentaram-na e na Santa Comunhão encontrava a graça e forças divinas para levar sua cruz com merecimento.

Suas Irmãs observaram muitas vezes, que Catarina, tendo recebido a Santa Comunhão, parecia rodeada de luz celestial, e seu corpo se elevava acima do leito. Inimiga do seu próprio corpo, castigava-o com duras mortificações, enquanto às suas Irmãs dedicava as maiores atenções, vendo-as sofrer qualquer coisa. Durante 48 anos não se alimentava senão de pão e água, concedendo ao seu corpo um repouso noturno de três horas apenas. Tanto mais é para admirar este espírito de penitência, sabendo-se que a Santa nunca cometera um pecado mortal.

Grandes e extraordinárias foram também as graças, de que Deus cumulou sua serva. Catarina possuía o dom da profecia, do conhecimento de coisas ocultas, da cura de doenças e da multiplicação de mantimentos em favor dos pobres.

Maria Santíssima dignou-se de aparecer à serva de Deus e reclinou em seus braços o Menino Jesus. Muitas vezes teve a aparição de Jesus Cristo, que a consolava com seus dulcíssimos colóquios, e lhe imprimiu os sinais das suas chagas nas mãos, nos pés e no lado. Célebre é a visão de Jesus Cristo Crucificado, o qual desprendeu suas mãos da Cruz e a abraçou ternamente.

Em outra outra visão lhe ofereceu um anel, em sinal de sua união mística. (O Papa Bento XIV menciona na bula de canonização todos estes fatos extraordinários. O sábio e esclarecido Papa não o teria feito, se, após sério estudo, não tivesse certeza da autenticidade dos mesmos). Catarina, porém, permaneceu humilde, procurando ocultar perante os homens todas as provas de predileção divina.

Tendo tido notícia de que uma das suas Irmãs havia tomado nota do que de extraordinário e louvável ocorria na sua vida, deu ordem para que tudo fosse entregue às chamas. Contudo, não lhe era possível impedir que a fama de sua santidade se divulgasse dia por dia. De toda parte vinham pessoas, entre estas algumas de alta colocação social e política, ouvir seus conselhos e pedir sua intercessão junto a Deus. Sendo-lhe insuportável isto, pediu a Deus que restringisse seus benefícios ou, ao menos, não os manifestasse aos homens. Seu pedido teve acolhimento. Deus permitiu que a fama se transformasse em desprezo, e que Catarina por muitos fosse tachada de impostora e hipócrita. Esta horrível provação encontrou em Catarina a maior indiferença e uma paciência admirável. Conhecedores da vida religiosa dizem que a santidade de Catarina mais se manifestou e brilhou nos dias tristíssimos da difamação e calúnia, do que na época das profecias e grandes milagres. São Filipe Néri, contemporâneo de Catarina, tinha em grande consideração a serva de Deus, com a qual mantinha viva correspondência. Ele mesmo diz que, por uma graça excepcional de Deus, teve a visão da Santa, com a qual se deteve demoradamente.

Pelo fim da vida, Catarina foi acometida de doenças gravíssimas e dolorosas. Se a Sagrada Paixão e Morte de Jesus era sempre sua meditação predileta, muito mais no momento em que sua alma se preparava para as núpcias eternas. Com muita devoção recebeu os últimos Sacramentos, segurando sempre em suas mãos a imagem do Crucifixo. Na hora da morte abriu os braços em cruz, e nesta posição entregou seu espírito a Deus. As Irmãs que se achavam presentes, ouviram distintamente uma música de harmonias celestiais, e Santa Maria Madalena de Pazzi, que se achava em Florença, viu em uma visão a alma de Catarina fazer sua entrada triunfal no céu, acompanhada de grande multidão de Anjos.

Catarina morreu em 11 de fevereiro de 1589. O Papa Bento XIV canonizou-a em 1746, dedicando o dia 13 de fevereiro à sua veneração.

Reflexões

1. Devoção terníssima a Jesus Crucificado caracterizava a vida de Santa Catarina. Por Seu amor ela desejava sofrer. Em suas dores era o olhar para o Crucifixo seu consolo e conforto. Não mereces o nome de cristão, se não tiveres muita devoção à Sagrada Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Se não sentes desejo nenhum de sofrer por Jesus, ao menos aceita com paciência a cruz que Deus te deu. Oxalá não pertenças ao número daqueles de que diz Didaco Stella: “Muitos há que da Sagrada Paixão e Morte de Cristo só se lembram quando veem diante de si a morte. Então é que se agarram à imagem do Crucificado, de quem durante a vida toda não tiveram lembrança”. Pegar maus livros para ler, passar noites inteiras na banca do jogo, levar ao colo um animal, a que dispensavam mil carinhos e atenções, tudo isto parecia-lhes muito mais conveniente do que tomar um Crucifixo e osculá-lo reverentemente. Para que não te aconteça que, na hora da morte, a imagem do Crucificado desperte em tua alma mais remorsos e temor, do que amor e confiança, acostuma-te desde já a te ocupar muitas vezes com o doce mistério do amor, que se revelou no monte Calvário.

2. Santa Catarina dava ao seu corpo um tratamento de inimigo. Obrigava-o a jejuar, a fazer penitência de toda a sorte, privava-o de divertimentos, tirava-lhe o repouso e expunha-o aos rigores do calor e do frio. Tu, pelo contrário, vês em teu corpo teu melhor amigo, a quem dispensas as maiores atenções, muitas vezes até à custa da tua alma. Não te vem, de vez em quando, a lembrança de proporcionar-lhe um salutar castigo? Parece que o bem-estar de teu corpo é o fim principal para que foste criado. Ainda assim achas ser coisa a mais natural receber um dia a glória no céu, quando Santa Catarina considerava a eterna bem-aventurança o prêmio de muitas penitências. Como Santa Catarina opinam os maiores Santos. Com os Santos no céu viverá quem, com eles na terra, levou uma vida de abnegação e penitência.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312