13 de agosto — São João Berchmans

13 de agosto — São João Berchmans
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Para o bem da mocidade estudiosa, em nossos dias tão assediada pelas forças estratégicas do Príncipe das trevas, queremos inserir também aqui a vida edificante do santo jovem João Berchmans, padroeiro dos estudantes.

Foi em 1599 que João Berchmans nasceu, em Diest, pequena cidade de Brabante Flamengo, na Bélgica. Os pais, João Berchmans e Elisabeth Hove, gente pobre, mas muito virtuosa, esmeravam-se extraordinariamente na educação dos filhos, quatro rapazes e uma filha. A mãe deu-lhes o exemplo de uma paciência heroica, durante os sete anos de uma doença, que a prendeu ao leito e a levou às portas da eternidade.

O pai, após a morte da esposa, abraçou a carreira eclesiástica, ordenou-se e morreu Cônego da Colegiada de Diest.

João era menino dócil e manso. Não chorava e nunca deu aos pais motivos de tristeza. A avó observara que o netinho, que ainda não contava sete anos, se levantava muito cedo e saía de casa. Era para ir à igreja, onde ajudava três ou quatro Missas, antes de ir à escola. A igreja era o seu lugar predileto, para onde muitas vezes se retirava, com o fim de rezar o terço.

Grande amor tinha à virtude da pureza, a qual guardava com o máximo cuidado. Dotado de admirável memória, o estudo oferecia-lhe pouca dificuldade.

A seu reiterado pedido, o pai internou-o no colégio, cujo diretor era o Padre premonstratense Pedro Emmerick.

João distinguiu-se entre os condiscípulos, não só pela dedicação extraordinária ao estudo, como também pelo respeito que votava aos mestres. Muito discreto nas conversações, era caridoso para com os colegas, que o estimavam sinceramente. O maior prazer para João era ajudar na Missa e ouvir sermões. O grande amor que tinha à solidão, fazia-o retirar-se muitas vezes do recreio comum, para ir à sala de estudo ou à igreja, obrigando assim os mestres a chamá-lo, para que desse o necessário descanso ao espírito.

Grande e particular devoção à Santíssima Virgem, era apanágio especial do jovem Berchmans.

Onze anos contava quando se lhe despertou na alma o vivo interesse de receber a Santa Comunhão. Com muito zelo se preparou para a grande graça eucarística. Embora comungasse só de quinze em quinze dias, semanalmente ia confessar-se.

O reitor do instituto afirmou, sob juramento, que João era para todos um modelo de obediência e submissão. Não podia haver aluno mais pontual que ele, e com o maior escrúpulo empregava as horas destinadas ao estudo.

Durante quatro anos tinha João frequentado o colégio, quando uma circunstância inesperada parecia prejudicar-lhe seriamente a carreira. Como o pai não estava mais em condições de pagar a pensão, resolveu tirar o menino do estabelecimento e fazê-lo aprender um ofício. João, sabendo disso, pediu-lhe insistentemente que lhe proporcionasse os meios para ordenar-se sacerdote. O pai mudou de resolução e João achou um amigo e benfeitor na pessoa de João Freimont, Cônego de Malines.

Tinha quatorze anos, quando foi para Malines. Coincidiu essa mudança com a chegada dos Jesuítas, que pretendiam fundar um colégio na mesma cidade. Logo que o novo ginásio se abriu, João nele se matriculou.

Três anos frequentou aquele instituto e sempre se distinguiu pela aplicação e vida exemplar. Passado esse tempo, devendo seriamente pensar no futuro, resolveu afiliar-se à Companhia de Jesus, cuja atividade apostólica na Bélgica de perto pôde observar.

Da Inglaterra vinham constantemente notícias de cruéis perseguições, de que os Jesuítas eram as primeiras vítimas. Esta circunstância contribuiu ainda para acender em João o entusiasmo pela causa de Deus e o desejo do martírio.

No dia 24 de outubro de 1616 foi recebido no noviciado, em Malines. Com a maior pontualidade se entregou às práticas de piedade e penitência, que são exigidas dos noviços, tendo grande empenho em mortificar a própria vontade, trazendo-a sempre em sujeição às determinações superiores. Sete vezes por dia visitava o Santíssimo Sacramento e, terminando as visitas, pedia a São Luís e a Santo Estanislau que o substituíssem até à volta. Os pedidos constantes que fazia nessas visitas, eram para si e para os companheiros, pedidos esses que se referiam à pureza angélica e perseverança na vocação e na graça, para se tornarem úteis membros da Congregação.

Em 25 de setembro de 1618 fez a profissão religiosa e seguiu para Roma, onde, por ordem do Provincial, se dedicou ao estudo da filosofia e teologia.

Cinco anos pertenceu João à Companhia de Jesus, dando sempre o exemplo mais perfeito de religioso, cumpridor do dever. Nunca ninguém lhe observou a menor falta ou incorreção. Não só conservou intacta a inocência batismal, como também cumpriu escrupulosamente o propósito de não cometer o menor pecado voluntário. Entre os apontamentos se lhe encontra este: “Antes mil vezes morrer, do que cometer o mais leve pecado; antes morrer do que transgredir a regra mais insignificante da Ordem”. Quando, após a solenidade litúrgica, celebrada na festa de Santo Inácio, um dos companheiros lhe perguntou que graça pedira a Deus, João respondeu-lhe: “A graça de morrer na Congregação, sem ter jamais transgredido uma regra”. O livrinho das constituições estava-lhe sempre aberto sobre a mesa e, ao deitar-se, o colocava à cabeceira da cama.

Ilimitada confiança depositava em Maria Santíssima. “Se amar a Maria — costumava dizer — estou certo de minha perseverança na Ordem e de minha salvação. Tudo poderei alcançar do Senhor”. Todas as vezes que, pela intercessão de Maria, desejava obter uma graça para si ou para outros, escrevia o desejo num papel, acrescentando sempre um bom propósito, por exemplo: “Se Nossa Senhora conseguir em meu favor o que peço, em sua honra recitarei três terços e farei esta ou aquela obra de penitência”.

Em 7 de agosto de 1621, foi acometido de uma febre, que não mais o largou. O estado do jovem inspirou logo grande cuidado aos superiores, que não o deixaram em dúvida sobre o perigo que havia, de morrer. João recebeu esta notícia com muita alegria, tanto que se abraçou com o irmão enfermeiro, que lhe falara no Santo Viático. Em 12 de agosto, recebeu os Sacramentos dos agonizantes. De acordo com seu desejo, recebeu-os deitado no chão. Tão grande lhe era o fervor, que comoveu a todos que assistiam às sagradas funções. Terminadas as cerimônias e perguntado pelo reitor se tinha mais algum desejo, o moribundo disse, com voz fraquíssima: “Se V. Revma., o achar conveniente, diga aos queridos Padres e Irmãos que o maior consolo que nesta hora experimento, é de minha consciência não me acusar de um pecado leve, que tenha cometido voluntariamente, no tempo em que estou nesta Congregação ou de ter transgredido uma regra, ou não haver cumprido uma ordem sequer dos meus superiores”. Dito isto, abraçou a todos, um por um e a todos agradeceu os benefícios que lhe haviam feito. Quando o enfermeiro lhe tomou o pulso e disse: “está no fim!” — João pediu que lhe dessem o crucifixo, o livro das regras e tirou do pescoço o terço e disse: “São estes os meus três tesouros, em cuja companhia quero morrer”. Beijou-os reverentemente e pô-los sobre o peito. Espaçadamente rezava: "Não me abandoneis, Maria; não confundais as minhas esperanças; sou vosso filho; sabeis que o jurei". As últimas palavras que disse, foram: "Jesus, Maria!"

No dia 13 de agosto de 1621 entregou a bela alma ao Criador. Pio IX beatificou-o em 1865 e Leão XIII inseriu-lhe o nome no catálogo dos Santos da Igreja.

Reflexões

Máximas de São João Berchmans:

1. Entregar-me-ei a Deus sem reserva e não me preocuparei com o futuro.

2. Tudo que traz a inquietação, vem do demônio.

3. Não deixarei para depois o que puder fazer agora.

4. Por pequenas faltas farei grandes penitências.

5. Quem trabalha demais, trabalha pouco.

6. Age e fala pouco.

7. Não és o que os homens dizem, mas o que Deus diz.

8. Para os outros sê como uma mãe; para ti próprio, juiz.

9. O sacrifício de levantar-me cedo o farei de boa vontade.

10. Não me levantarei das refeições, sem ter feito uma mortificação, por pequena que seja.

11. Não sejas fácil em dizer teu "sim" e "não”.

12. Para que querer ver o que não te é lícito possuir?

13. A vigilância dos olhos é a mãe da piedade e preserva-nos de muitas tentações.

14. A oração desagrada ao demônio, que tudo faz para impedi-la.

15. Não fales de ti nem bem, nem mal, a não ser por obediência.

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

Em Roma o martírio de Santo Hipólito. Amarrado de cabeça para baixo ao pescoço de cavalos bravos, estes o arrastaram por entre espinhos e sobre pedras. No mesmo dia morreu pela fé sua madrasta Concórdia. Mais dezoito pessoas de sua família foram decapitadas. Santo Hipólito tinha sido batizado por São Lourenço. É invocado contra doenças dos cavalos.

Em Ímola a morte de São Cassiano. Como se recusasse a adorar os ídolos, os perseguidores incitaram seus alunos que o matassem. Desta maneira seu martírio tornou-se mais doloroso.

Em Poitiers, na França, a morte de Santa Radegunda, rainha.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii