12 de novembro — Santo Homobono († 1197)
12 de novembro — Santo Homobono († 1197)Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
É um exemplo de virtude raríssima que a Igreja nos apresenta na pessoa de Santo Homobono, que alcançou a perfeição no estado laical, tendo a profissão de negociante. Homobono nasceu em Cremona, na Itália. Se bem que não muito favorecidos pela fortuna, os pais eram piedosos e tementes a Deus. Ao filhinho deram no santo Batismo o nome de Homobono, o que significa homem bom. Homobono recebeu uma educação correspondente aos bons princípios dos pais.
Quando teve a idade de poder trabalhar de um modo aproveitável, ajudou o pai nos afazeres do negócio. Iluminado pela graça divina, conheceu logo os grandes perigos desta profissão e andou bem cauteloso, para não cair nos laços que o demônio tece aos negociantes.
Antes de começar o serviço na loja, fazia as orações da manhã e assistia à santa Missa. "Procurai primeiro o reino de Deus e sua justiça e tudo o mais vos será dado de acréscimo." Esta máxima de Jesus Cristo, como o dito cristão: "sem a bênção de Deus nada se faz", eram para Homobono expressões de verdade, pela qual orientou toda a vida. Com o maior escrúpulo evitava a fraude e nas transações comerciais não procurava lucro ilícito. Não queria possuir nenhum real que não fosse o prêmio do seu suor e, portanto, honestamente ganho. No seu balcão não havia peso falso. A consciência não lhe permitia aplicar medidas adulteradas ou elevar arbitrariamente o preço das mercadorias.
O demônio da mentira, da fraude, do juramento falso, que tão de preferência se aloja nas casas comerciais, na loja de Homobono não achava agasalho. Corretíssimo no cumprimento das obrigações, era pontualíssimo também na solução dos compromissos, não admitindo que, por um atraso de sua parte nos pagamentos, alguém pudesse ser prejudicado.
A amabilidade, presteza e modéstia granjearam-lhe muitas amizades. Os domingos e dias santos eram por ele empregados só para a glória de Deus e o bem da alma. Não só assistia à santa Missa, ouvia a palavra de Deus e recebia a santa Comunhão, mas fazia ainda uma visita ao Santíssimo Sacramento e em casa se entretinha com a leitura de bons livros. Para os pais era sempre bom filho e, mesmo sendo maior, tributava-lhes respeito, amor e obediência. Tratando-se de procurar uma esposa para si, deixou-se guiar pelo conselho dos pais e casou-se com a pessoa que lhe tinham indicado.
Morto o pai, continuou a ser negociante, não, porém, com o único fim de enriquecer-se e passar uma boa vida, mas de fazer bem ao próximo e, distribuindo as riquezas entre os pobres, merecer os bens eternos. Os pobres eram seus amigos e deles recebeu o belo título: "pai dos pobres". A nenhum era negada a esmola. Aos pobres envergonhados levava o socorro em casa, consolava e animava-os à paciência. A mulher não se mostrava muito de acordo com este modo de praticar a caridade e chamava-o muitas vezes de exagerado. Receava que por causa daquela liberalidade um dia lhe pudesse faltar o necessário. Vendo, porém, que os conselhos, avisos e protestos de nada valiam, perdeu de todo a paciência e cobriu o marido de maldições e injúrias. Homobono suportou tudo com paciência e respondeu à mulher com toda mansidão: "Minha querida mulher, pensas então seriamente que por causa da caridade que faço, socorrendo os necessitados, nos possa faltar o necessário? Bem o contrário a palavra de Deus nos ensina: "Dai e dar-se-vos-á." A mulher mostrou-se inacessível a estes argumentos e continuou em desacordo com o marido, até que um fato extraordinário lhe abriu os olhos. Durante uma carestia, veio grande multidão de pobres à sua casa, pedir e receber pão. Homobono deu tudo que tinha, sem reservar pedaço algum para si, o que talvez não aconteceria, se a mulher tivesse estado presente. Voltando esta, ao preparar a mesa, encontrou tanto pão como havia antes.
Desde aquele dia, ficou mais conformada com a liberalidade de Homobono. Também o santo homem, pelo exemplo, a levou a praticar mais caridade.
Diversos fatos extraordinários, como aquele que se deu no tempo da carestia, foram observados na vida de Homobono, tanto que o povo o venerava como santo.
Homobono morreu em 13 de novembro de 1197, quando estava assistindo à santa Missa. Grandes e numerosos são os milagres que lhe glorificaram o túmulo, tanto que Inocêncio III não hesitou em dar-lhe a honra dos altares. As relíquias de Santo Homobono acham-se na catedral de Cremona.
REFLEXÕES
Negociantes, operários, aprendam de Santo Homobono como devem proceder para salvar a alma. Que principiem o dia pela elevação do espírito a Deus, pela oração da manhã; que assistam à Missa, quando lhes for possível; que fujam das indignas manobras da ganância, no emprego de medidas e pesos falsos, na venda de mercadorias deterioradas e falsificadas, na exigência de preços exorbitantes, no mau emprego do tempo, no mau desempenho das obrigações; que se abstenham da fraude e do furto, a que se prestam mil ocasiões; que santifiquem o domingo e não o profanem com divertimentos impróprios; que recebam de vez em quando os santos Sacramentos; que não neguem a esmola ao necessitado, na convicção de que a esmola dada ao pobre não consome a fortuna. "Quem dá aos pobres não sofrerá necessidade. Quem pratica misericórdia, será abençoado" (Provérbios 28, 27).
Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:
Na Polônia, os santos eremitas Benedito, João, Mateus, Isaac e Cristino. Homens malvados os mataram, na esperança de encontrar tesouros escondidos. 1005.
Em Constantinopla, São Teodoro Estudita, enérgico defensor da doutrina católica sobre o culto das imagens.
Na Ásia, o martírio dos Santos Aurélio e Públio, Bispos.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii ↩