12 de maio — São Germano, Patriarca de Constantinopla

12 de maio — São Germano, Patriarca de Constantinopla
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Filho do patrício Justiniano, Germano nasceu no sexto século. Seu pai morreu vítima da crueldade do imperador Constantino Progonato, que maltratou também a Germano. Vendo, porém, os merecimentos deste, compadeceu-se dele e deu-lhe uma colocação entre os clérigos da Catedral. Exemplar em seu proceder, era Germano um modelo de virtude para todos que o conheciam. Pelo fim do sétimo século, foi elevado à Sé Episcopal de Cízico, no Helesponto, onde se distinguiu pela excelente defesa que fez da fé, contra a seita dos Monotelitas, os quais o obrigaram a comer o pão do exílio, durante alguns anos. Em 715 foi pelo imperador Anastácio chamado à Constantinopla, para substituir o falso patriarca João. Grande foi o júbilo da população inteira e do clero, quando Germano fez sua entrada solene na metrópole do Oriente.

Quando as paixões políticas derrubaram o trono de Anastácio, também Germano foi exilado, se bem que por pouco tempo. O sucessor de Anastácio, Teodósio, sentindo-se sem força para tomar as rédeas do governo, renunciou a favor de Leão, o Isauro. Este foi coroado imperador, depois de feita a declaração de proteger a fé católica, promessa que, aliás, não cumpriu; pois já no ano de 725 ele iniciou a campanha contra o culto das imagens.

Germano se opôs com toda a energia à esta perseguição sacrílega. A luta tomou feições muito sérias. O Patriarca defendeu, no púlpito e em escritos, a doutrina da Igreja Católica sobre o culto das imagens. Em conferências particulares que teve com o imperador, mostrou a este a inconveniência e a criminosidade do seu proceder. Não conseguiu, porém, mudar as ideias do iconoclasta. Quando, em 730, Leão exigiu do Patriarca a assinatura de um decreto que determinava a destruição das imagens sacras, Germano declarou: "Senhor, tomar uma medida contra a fé, me é impossível". Esta profissão de fé importou ao octogenário não só o ódio do imperador, mas a expulsão de Constantinopla, em condições mui humilhantes. Germano retirou-se para Platanion, onde possuía uma herança paterna, e chorou a infelicidade de sua Igreja. Morreu aos 12 de maio de 733.

A Igreja também celebra hoje a festa de São Pancrácio, que na idade de 14 anos confessou sua fé católica perante o juiz pagão e por ele foi condenado à morte. Pancrácio era natural da Frígia. Seu tio Dionísio trouxe-o à Roma, onde recebeu o Batismo das mãos do Papa Marcelino. Foi decapitado em Roma, por ocasião da perseguição de Diocleciano. É muito venerado na Igreja por causa da sua constância e do seu heroísmo. Muitas igrejas são dedicadas à sua memória.

Reflexões

São Germano, em defesa das imagens santas, opôs resistência tenacíssima aos iconoclastas, negando-se peremptoriamente a assinar uma proibição imperial, que tinha por objeto o culto das imagens. A Igreja Católica, nos concílios de Niceia e Trento, aprovou e recomendou o culto das imagens. A doutrina da Igreja Católica sobre as imagens e seu culto, está resumida nos seguintes pontos: 1 — As imagens não são ídolos, a que os fiéis devam render homenagem. Imagem nenhuma possui um poder oculto ou latente, em virtude do qual se lhe deva prestar culto e veneração. 2 — É proibido fazer petições às imagens e nelas depositar uma confiança, como se elas fossem doadores de graças e benefícios. A imagem deve ser para o católico um meio, um instrumento que lhe facilite elevar seus pensamentos acima desta terra, às coisas sobrenaturais e divinas. 3 — A veneração, o respeito que se tem às imagens, tem por objeto, não a imagem como tal, mas a pessoa por ela representada, isto é, Nosso Senhor Jesus Cristo, sua santa Mãe e os Santos. A imagem não é nada mais que imagem, que nos lembra dos benefícios que Deus dá à criatura humana; lembra-nos o poder dos Santos, como amigos de Deus e das suas virtudes, que devemos imitar. Nada, pois, tem o culto das imagens com a idolatria ou superstição.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312
12 de maio — São Germano, Patriarca de Constantinopla — Padre João Batista Lehmann