12 de junho — São João de São Facundo, Confessor
12 de junho — São João de São Facundo, ConfessorExtraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
O martirológio romano afirma de São João de São Facundo o seguinte: Nascido no ano de 1419 em San Fangon ou Facundo, cidade do reino de Leão na Espanha, distinguiu-se por uma fé ardente, santidade de vida e foi glorificado por muitos milagres.
Os pais de João eram fidalgos e bons cristãos. João foi o fruto de muitas orações, pois longos anos estavam seus pais sem esperança de ter filhos. Sua educação foi a melhor possível e, tendo ele chegado ao uso da razão, foi entregue aos religiosos Beneditinos, sob cuja direção e vigilância fez os estudos das belas ciências. Mais tarde, chegou à corte do bispo de Burgos, que lhe conferiu o sacramento da Ordem e o recebeu entre o seu cabido.
Com consentimento do seu bispo, fez um curso suplementar de teologia na universidade de Salamanca. Durante os quatro anos que lá passou, amadureceu no seu espírito a resolução de se dedicar à oratória sacra. Iniciou uma série de pregações em Salamanca e com resultado bem lisonjeiro. Dois jovens fidalgos tinham matado dois companheiros, fato que provocou uma luta formidável entre as famílias interessadas, de que em consequência resultou a formação de dois partidos que se guerreavam sem tréguas. A própria mãe dos assassinos tomou em suas mãos a obra da vingança de seus filhos; vestiu-se à maneira de soldado e, acompanhada de alguns sicários, perseguiu os criminosos, que se tinham refugiado em Portugal, onde os encontrou e barbaramente os assassinou.
João de São Facundo pôs-se entre os dois partidos e, com orações e penitências, conseguiu harmonizá-los.
Acometido de grave doença, fez voto de entrar numa ordem religiosa, caso recuperasse a saúde.
Restabelecido, pediu admissão na Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho. Admiráveis foram os progressos que fez na santidade, tanto que pouco depois foi nomeado mestre dos noviços e prior do convento. Sob sua competente direção, o convento chegou a um florescimento extraordinário. Não obstante, continuou com a pregação, que trouxe a muitas almas conversão e paz. A franqueza apostólica de que usava nos sermões importou-lhe muita perseguição. A um duque que o repreendeu áspera e ameaçadoramente, disse: "Senhor, deveis saber que o pregador não se deve acanhar em dizer a verdade, ainda que seja com perigo de vida". Mais de uma vez, os seus inimigos planejaram a morte do santo servo de Deus, mas era tão patente a proteção divina que velava sobre a inocente vítima, que nenhum mal lhe puderam causar.
João de São Facundo era homem de oração. Extraordinário era seu zelo conservar a graça santificante e evitar a menor mácula do pecado.
A Confissão figurava entre as práticas quotidianas, e se seus confrades o repreendiam, achando-o exagerado neste ponto, lhes respondia: "Não tenho garantia de minha vida e não conheço o momento em que Deus me chama para poder dar conta da minha administração. Vejo homens morrer repentinamente; vejo outros perder o juízo nos dias de enfermidade; que mal faço eu, se me preparo, com antecedência? Eu me confesso porque tenho pecados." Assim falava um Santo, que nunca tinha cometido uma falta grave.
Muito tempo dedicava à preparação para a Santa Missa, a qual celebrava com a maior atenção e no mais profundo recolhimento. Era durante a Santa Missa que Nosso Senhor, Maria Santíssima e outros Santos o dignaram de sua comunicação, dando-lhe santas inspirações.
Sempre pronto para ouvir as confissões dos que o procuravam, fez um grande bem às almas penitentes. Aos impenitentes, negava a absolvição enquanto não tivessem dado sinais evidentes de contrição e penitência.
Uma vez, uma mulher quis beijar-lhe a mão. O Santo retirou a mão e disse: "Não dou a mão a quem tem o demônio no coração". A pessoa, assim apostrofada, quis saber a razão destas palavras. São João de São Facundo respondeu-lhe: "Sei perfeitamente do teu plano de matar tua filha, a qual, sendo solteira, deu à luz". Com estas palavras, provou que Deus lhe tinha descoberto os segredos dos corações.
Movido pelas práticas do Santo, um jovem, que até então levava vida desregrada, se converteu. A mulher, com quem o moço vivera, não se conformou com esta mudança das coisas e jurou ao Santo, que dentro de um ano havia de pagar caro pela conversão do seu cúmplice. Deus permitiu que a pecadora lhe pudesse propinar um veneno, que o levou à beira do túmulo. São João de São Facundo mais se entristeceu por causa do crime do que se tivesse incomodado com seu estado. Com todo o cuidado, se preparou para a morte, cujo dia e hora predisse. São João de São Facundo morreu em 1479 e foi canonizado em 1690. Inúmeros são os milagres com que Deus glorificou o túmulo do seu servo.
Reflexões
1. É grande caridade conciliar inimigos, porque assim serão evitados muitos pecados, e talvez a perdição eterna dos litigantes. Quem provoca litígios e inimizades, responderá a Deus por todos os pecados provenientes da discórdia causada. Do homem que procura brigas e contendas, diz o Espírito Santo: "Contra ele será mandado o anjo cruel" (Provérbios 17, 11). Quer isto dizer que o demônio alcançará poder sobre ele.
2. Para não ser surpreendido pela morte, São João de São Facundo confessava-se diariamente. Cuidado extraordinário pela sua salvação, dizemos nós. Realmente, a garantia mais segura de uma boa morte não pode existir, senão a confissão frequente. A confissão feita a miúdo conserva a alma em toda sua pureza e não admite que nela se amontoem pecados. Diz Santo Agostinho, "Quem não quer morrer em pecado, não deve viver pecando", isto é, não procrastine a Confissão. "Bem-aventurados os servos, que forem encontrados vigilantes, quando vier o Senhor" (Lucas 12, 37).
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312 ↩