12 de fevereiro — Santa Eulália de Mérida, Virgem e Mártir
12 de fevereiro — Santa Eulália de Mérida, Virgem e MártirExtraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
Santa Eulália, filha de pais ilustres da Espanha, nasceu pelos fins do século dois. Já em sua meninice deu sinais inequívocos de uma alma privilegiada. Inimiga da vaidade e dos divertimentos geralmente procurados e queridos pela mocidade feminina, Eulália procurou unicamente agradar a seu Esposo Jesus e adornar sua alma de virtudes imarcescíveis.
Tendo apenas doze anos de idade deu provas de coragem admirável na defesa da honra de seu divino Esposo. Quando, em 304, o imperador Maximiano encetou perseguição crudelíssima contra os cristãos, o coração de Eulália foi tomado de ardente desejo de oferecer a Jesus o sacrifício de sua vida. Para não expor sua filha ao perigo que a ameaçava, os pais procuraram moderar o entusiasmo da mesma e esconderam-na numa casa longe da cidade. Inútil foi sua precaução. O amor de Deus e o desejo do martírio eram tão fortes na alma da donzela, que esta, iludindo a vigilância dos seus parentes, e aproveitando-se do silêncio e das trevas da noite, fez longa viagem de algumas horas para chegar à cidade. Sem demora dirigiu-se ao palácio do juiz e, estando na presença do executor das ordens imperiais, invectivou-o energicamente por causa da sua idolatria. O Pretor, pasmo de ver tamanha coragem em uma jovem de tão pouca idade, entregou-a aos seus soldados para o martírio. Prevalecendo, porém, por um momento os sentimentos humanos em sua alma, já acostumada às crueldades da carnificina, procurou acalmar o ânimo de Eulália e ganhá-la para a religião oficial. Eulália, porém, em vez de responder à voz blandiciosa do sedutor, atirou para longe o turíbulo, com que devia incensar as imagens das divindades.
Foi isto o bastante para ser entregue à tortura. Com ferros em brasa, os algozes queimaram o corpo da donzela. Esta, cheia de alegria e gratidão para com Deus, exclamou em alta voz: “Agora, meu Jesus, vejo em meu corpo os traços da vossa Sagrada Paixão”. Tendo aplicado ainda outros tormentos, os algozes recorreram finalmente ao fogo e no meio das chamas Eulália entregou seu espírito a Deus. O historiador Prudêncio, a quem devemos a narração do martírio de Santa Eulália, diz que o próprio algoz viu a alma da mártir, em forma de pomba, subir ao céu.
Eulália morreu em 304 e seu corpo achou repouso na Igreja de Mérida, onde sofreu o martírio.
São Gregório de Tours conta que no adro daquela Igreja existiam três árvores, que no dia da festa de Santa Eulália se cobriam de flores aromáticas, as quais, curavam muitos doentes.
Reflexões
1. Sumamente admirável é o heroísmo desta santa jovem Mártir. Seu único desejo era morrer por seu divino Esposo. Ninguém exige de ti o sacrifício que Santa Eulália procurou e teve a felicidade de oferecer a Deus. Mas a vontade de Deus é que aceites de boa vontade os sofrimentos e contrariedades que Ele te mandar. Ofendem a Deus aqueles que em dias de tribulação procuram alívio e consolo em práticas supersticiosas. Quem faz isto, mostra que tem mais amor ao seu bem-estar do que a Deus. Preferem a saúde ao cumprimento da santa vontade de Deus. Recorrer a práticas supersticiosas é pedir remédio a Satanás contra as determinações divinas. Se em dias de doença abandonares a Deus, invocando a intervenção diabólica, que esperança podes ainda ter de alcançar o perdão de teus pecados? (São João Crisóstomo). Aceita resignada e humildemente a cruz que Deus te impuser. Pode ser glorificado com Cristo quem não o quiser acompanhar no caminho da dor?
2. Santa Eulália declarou publicamente que era cristã, e julgou-se feliz, vendo-se tratada como Cristo, seu Senhor. Quem é cristão, deve trazer em sua alma a imagem de Cristo. Ser cristão é ser discípulo de Cristo, imitador das suas virtudes, particularmente da sua obediência, humildade, paciência e mansidão. Estás lembrado deste teu dever? A imitação de Cristo é a imitação das suas virtudes, da sua santidade. “Impropriamente seremos chamados de cristãos, se não formos imitadores de Cristo” (São Leão).
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312 ↩