12 de dezembro — Santo Epimáquio e companheiros, Mártires

12 de dezembro — Santo Epimáquio e companheiros, Mártires
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

A Igreja festeja hoje a memória de diversos mártires da perseguição promovida pelo Imperador Décio. O historiador Eusébio conta minuciosamente os fatos desta perseguição em Antioquia, tirando as informações de um relatório de São Dionísio, Bispo de Antioquia. Diz Dionísio que, logo que se tornaram conhecidos os decretos sanguinários de Décio, a cidade de Antioquia foi teatro de cenas as mais revoltantes, e o sangue dos cristãos, homens e mulheres, jorrou em abundância; os pagãos deliciaram-se com a matança das pobres vítimas, invadiram as casas dos cristãos e trucidaram a bel-prazer. Eram cenas como mais horrendas não se podiam desenrolar, nos dias de mais rubro bolchevismo. Vendo-se acossados como animais de caça, os cristãos procuraram abrigo nos desertos. Seguiu-se um tempo de calma. Uma guerra civil desviou por alguns meses a atenção pública; mas, terminadas estas lutas intestinas, começou para os cristãos uma nova perseguição, tão atroz e cruel, que punha em perigo a fé dos mais dedicados. A provação fora excepcionalmente dura para os ricos e as pessoas de alta colocação. Muitos, para se verem livres dos tormentos, outros, cedendo a instâncias de falsos amigos, queimaram incenso aos ídolos. No meio de tanta apostasia, havia algumas almas fortes, inabaláveis, como rochedos no mar, que, apesar das ameaças e tormentos, ficaram fiéis a Cristo e à sua Igreja. Entre estes se achava Juliano, homem doente, torturado pelas tenazes de reumatismo atroz; citado perante o juiz, compareceu, conduzido por dois cristãos, dos quais um apostatou. O outro, Chronion, era juntamente com Juliano, assentado num camelo, levado pelas ruas da cidade, sofrendo as mais horrendas injúrias e maus tratos do povo, para depois ambos serem atirados à fogueira já em brasa. Isto foi em 27 de fevereiro. O dia 12 de dezembro foi a data da morte heroica e gloriosa de Epimáquio, Alexandre e outros que selaram com o sangue a fé em Jesus Cristo. Sujeitos à fome, durante longos dias de prisão, foram depois martirizados por uma longa série de crueldades, cada qual mais horrorosa, as quais podiam ser excogitadas só por cérebros inteiramente satanizados. Sorte igual tiveram as donzelas Amonária, primeira e segunda, e Mercúria. Com Dionísia, mãe de numerosa família, todas foram decapitadas. Morte crudelíssima e tanto mais gloriosa sofreu Macário, que após longos sofrimentos cruciantes, foi queimado vivo.

REFLEXÕES

A Igreja apresenta-nos o grandioso exemplo de constância na fé, que nos deram Santo Epimáquio e seus companheiros de martírio. Vemos também o mau exemplo de outros que, depois de terem servido a Deus durante muito tempo, o abandonaram, desprezaram a santa lei divina e deram aos irmãos o escândalo da apostasia. A apostasia é o pecado gravíssimo, que se opõe diretamente aos primeiros mandamentos, que exige da criatura o amor de Deus sobre todas as coisas. Amar a Deus sobre todas as coisas quer dizer amá-lo mais que os bens da terra, amá-lo mais que os nossos parentes e amigos, amá-lo mais que a nós próprios. O apóstata dá preferência às coisas terrenas e, para possuí-las, nega a fé, despreza a lei de Deus e abandona a religião. Não raras vezes acontece que o apóstata, que antes de sucumbir à tentação, era fervoroso e amigo de Deus; muda de ideias e sentimentos, e de amigo que foi, transforma-se em inimigo da religião, das instituições e dos ministros de Deus. Quem chegou a perder a fé, não pode saber onde irá parar. Pede a Deus todos os dias a graça da perseverança até ao fim. Começar bem é alguma coisa. Começar bem e acabar bem é o triunfo, é a glória.

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

Em Roma, São Sinésio, morto na perseguição de Aureliano. 270.

Em Tréveris, os santos mártires Maxêncio, Constâncio, Crescêncio, Justino e seus companheiros. 303.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii