11 de setembro — Santa Pulquéria, Imperatriz

11 de setembro — Santa Pulquéria, Imperatriz
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Esta ínclita Princesa, filha do Imperador Arcádio, nasceu em 399, vindo a ser mais tarde luminar esplendoroso de virtude. Sucessor de Arcádio era Teodósio. Tendo apenas oito anos quando subiu ao trono, teve uma auxiliar e conselheira competente na pessoa de Pulquéria, sua irmã mais velha. Preenchendo o lugar de mãe, procurou com todo o escrúpulo formar o coração do jovem irmão nos moldes da religião de Jesus Cristo. Para este fim teve grande cuidado na escolha dos mestres. Influência igualmente benéfica exerceu sobre as irmãs menores Arcádia e Marina. Estas, à imitação da irmã mais velha, fizeram o voto perpétuo de castidade e com ela viviam em santa harmonia, formando, por assim dizer, uma pequena comunidade no palácio imperial. A vida das Princesas obedecia a um regulamento, que especializava o trabalho e as práticas de piedade. Estavam em uso obras de penitência e mortificação, que não é comum existir em palácios de ricos. A administração dos negócios públicos estava entregue aos cuidados de homens competentes; reinava paz e ordem em toda a parte, e os povos sentiam-se felizes sob o governo de tão santa e sábia monarca. Tendo Teodósio alcançado a idade de vinte anos, a conselho da santa irmã, contraiu núpcias com Althenais, filha de um filósofo de Atenas, mui nomeada pelas raras virtudes que a ilustravam; recebeu no santo batismo o nome de Eudóxia. Dois anos depois lhe foi conferido o título de Imperatriz; não obstante, Pulquéria tomava ainda parte ativa no governo. Envidou todos os esforços para que fosse realizado o Concílio Ecumênico de Éfeso (431), celebrado pela condenação da heresia de Nestório, que se atrevera a negar à Santíssima Virgem Maria a prerrogativa de Mãe de Deus.

Passado algum tempo, surgiram desavenças. Eudóxia e Crisáfio, favorito do Imperador, trataram de afastar Pulquéria da corte. Após longa resistência, Teodósio, afinal, consentiu na realização do plano e pediu ao Patriarca de Constantinopla, Flávio, que aceitasse a irmã como diaconisa. Flávio ponderou a inconveniência dessa medida e pôs de aviso a Pulquéria sobre o que se estava tratando. Pulquéria tomou logo providências e retirou-se para uma vivenda no campo. A ausência da santa Princesa trouxe para o Império uma série interminável de tristes ocorrências.

Eudóxia e Crisáfio abriram hostilidades contra Flaviano; arvoraram-se em fautores de Êutiques e Dióscoro, célebres heresiarcas, e extorquiram de Teodósio o consentimento para as medidas coercivas em favor da heresia. Pulquéria, livre de maiores responsabilidades, mais à vontade pôde viver, satisfazendo os anelos do coração, mas dos lábios nunca se lhes escapou um monossílabo sequer de queixa contra a ingratidão daqueles que tanto lhe deviam.

Só lastimava o estado triste a que as maquinações dos hereges tinham reduzido sua Mãe, a Igreja Católica. Tantos foram os estragos causados por esses emissários do inimigo de Cristo que o Papa Leão, alarmado pelo desenvolvimento assustador da heresia, impôs a Santa Pulquéria o sacro dever de fazer valer a sua influência, para pôr um dique ao movimento, que ameaçava arruinar a fé católica no Oriente.

Pulquéria, munindo-se de coragem, dirigiu-se ao Imperador e, com franqueza de princesa católica, pôs-lhe diante dos olhos o grande perigo que o Império corria.

Crisáfio seguiu para o desterro, onde morreu. Teodósio não teve longa vida e morreu em 29 de julho de 450. Eudóxia retirou-se para a Palestina.

Achava-se o destino do Império novamente nas mãos de Pulquéria. Para o bom desempenho dessa alta função, resolveu Pulquéria contrair matrimônio com um oficial do exército de nome Marciano, bom católico e homem de grande circunspecção. Celebrou-se o consórcio, com a condição de poder respeitar o voto de perfeita castidade.

Sob o sábio regime de Marciano e Pulquéria, a prosperidade voltou ao Império. Os embaixadores do Papa foram recebidos com as honras devidas à alta dignidade. Em 451 se realizou o Concílio de Calcedônia, que anatematizou a heresia de Nestório.

Restabelecida a paz e a ordem, Pulquéria dirigiu a atenção para o desenvolvimento do espírito religioso entre o povo. Por toda a parte se ergueram Igrejas e hospitais. Parte considerável do tempo a imperatriz dedicava como antes, à oração, à leitura espiritual e ao serviço dos pobres e doentes. Modelo de virtude, mãe dos pobres e protetora da Igreja que era, bem merecidos foram os elogios que lhe teceram São Proclo, Leão e os demais Padres do Concílio de Calcedônia.

Pulquéria morreu em odor de santidade, em 10 de setembro de 454. As Igrejas Romana e Grega dão-lhe a veneração de Santa Virgem, e o Concílio de Calcedônia a saúda como uma segunda Santa Helena.

Reflexões

Santa Pulquéria traduziu bem na prática a palavra de São Tiago, que afirma ser necessária a fé viva, para que se possa agradar a Deus. Assim, de nada nos aproveitará sermos católicos, se a nossa fé não for acompanhada e demonstrada pelas boas obras. Ninguém se salva por ser cristão, mas pelas boas obras que praticou e pela fiel observação dos mandamentos da lei de Deus. Ninguém diga que as preocupações, os cuidados da vida, impedem a santificação como Deus a quer. O exemplo de Santa Pulquéria o desmentirá. Rodeada de tentações, que a vida da corte lhe preparava, foi firme na prática das virtudes. Humilde no esplendor, prudente no meio da riqueza, paciente e mansa nas horas da perseguição, confiante em Deus na adversidade — eis a imagem, o exemplo de Santa Pulquéria. Miremo-nos neste espelho de perfeição. Se viermos a nos deixar levar pelo egoísmo, pela avareza e pela sensualidade, é certo que estamos longe de ser bons cristãos, cristãos de verdade.

Santos cuja memória é celebrada hoje:

Em Roma, o martírio dos Irmãos Proto e Jacinto, camareiros de Santa Eugênia. 263.

Em Laodicéa o martírio dos santos Diodoro, Diomedes e Dídimo.

Em León, na Espanha, a morte do abade São Vicente, mártir.

Na China, o martírio do bem-aventurado Pe. João Gabriel Perboyre, Lazarista.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii