11 de março — Santo Eulógio, Mártir

11 de março — Santo Eulógio, Mártir
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

O martirológio romano faz menção de cinco Santos de nome Eulógio. Dois foram bispos e três gloriosos Mártires. Santo Eulógio, cuja memória a Igreja hoje festeja, foi sacerdote espanhol, natural de Córdova. Seus pais, de alta linhagem, ricos e muito virtuosos, souberam legar ao filho a herança mais preciosa, a de uma boa educação no amor e temor de Deus. Eulógio, ainda menino, achava seu prazer em ajudar a Santa Missa, rezar na Igreja de São Zoilo e ocupar-se com os estudos. Nas ciências tão belos progressos fez, que era havido pelo homem mais sábio de seu tempo. Tendo recebido as ordens do sacerdócio, deu tão bom exemplo a todos nas virtudes cristãs, que os próprios muçulmanos e sarracenos domiciliados em Córdova, o veneravam. Penitência, oração e caridade eram as virtudes que praticava com todo o empenho.

Permitiu Deus que rebentasse uma cruel perseguição religiosa em Córdova. Eulógio foi com muitos outros cristãos encarcerado. O tempo da sua prisão ele o aproveitou, escrevendo um livro intitulado: “Ensinamentos dos Mártires”, em que punha diante dos olhos do leitor o quanto os Mártires sofreram pela fé e a coragem com que se entregaram aos mais cruéis tormentos. Animava os cristãos a resistirem nas lutas e guardarem fielmente o tesouro inapreciável da fé, ainda que fosse com o sacrifício da vida. O livro foi de grande utilidade e causou um bem enorme aos cristãos, que de dia para dia se achavam na emergência de serem condenados à morte.

Infelizmente, os cristãos viram diante de si o péssimo exemplo do Bispo Recafredo, que tinha procedido com muita cobardia e dado diversos escândalos. Eulógio tanto se entristeceu com isto, que se absteve por algum tempo da celebração da Missa, para não ser obrigado a celebrar os Santos Mistérios na presença do prelado, e com este ato sancionar o procedimento indigno do mesmo. Recafredo se ofendeu com o retraimento de Eulógio e ordenou-lhe, sob pena de excomunhão, que o acompanhasse à Igreja e celebrasse na sua presença. Eulógio, achando improcedente tão severa ordem, retirou-se para a França.

Quando pouco depois Recafredo morreu, foi Eulógio eleito seu sucessor. A perseguição, porém, que ainda perdurava, não favoreceu sua sagração. Muitos cristãos tinham abandonado a cidade de Córdova; outros tinham renunciado a fé por medo dos maus tratos; ainda outros estavam em dúvida e muito poucos estavam resolvidos a antes morrer, do que negar a fé. Eulógio chegou ainda a tempo e, apesar das ameaças dos mouros, conseguiu a conversão de muitos apóstatas. Tão eficaz foi sua atividade entre os cristãos de Córdova, que nenhum deles vacilou na sua fé e todos ficaram fiéis ao voto, que deram a Jesus Cristo. Houve até infiéis que, vendo o exemplo heroico dos cristãos, pediram o Santo Batismo. Assim Leocrícia, jovem de alta nobreza, a qual, para poder praticar a nova religião, abandonou a casa paterna e procurou agasalho na comunidade dos cristãos. Quando os pais descobriram o paradeiro de sua filha, descarregaram seu ódio e sua vingança sobre Eulógio, o qual, citado perante o tribunal, foi obrigado a fazer declarações sobre o caso de Leocrícia. Com toda a franqueza disse ao juiz que tinha dado à moça o conselho de aceitar a religião cristã, ainda que fosse contra a vontade dos pais, aos quais neste ponto não devia obediência alguma. O juiz entregou o processo ao Conselho Superior da cidade. Um dos conselheiros disse a Eulógio: “Que a ignorância se precipite na morte, não admira. Mas tu, homem preparado e iluminado, não deves imitar os ignorantes. Faze o que a necessidade do momento exige. Depois poderás voltar à tua religião e ninguém mais te incomodará”. Eulógio, porém, respondeu: “Ah! Se tivesses uma ideia da recompensa, que é prometida aos cristãos que perseveram até o fim, de bom grado renunciarias a todas as vantagens terrenas, para obter aquela”. Em seguida procurou mostrar aos maometanos a verdade do cristianismo e o erro do islamismo. O Conselho, porém, não lhe deu ouvido e condenou-o à morte pela espada.

Chegado ao lugar da execução da sentença, Eulógio pela última vez fez a solene profissão de sua fé, para depois receber o golpe, que lhe abriu as portas do Céu. A data do seu martírio é 11 de março de 859. Poucos dias depois o seguiu Leocrícia, no caminho do martírio.

Reflexões

1. Encarcerado, Santo Eulógio fazia as suas orações de costume com toda a regularidade e constância. O mesmo nós devemos fazer, quando nos sobrevier o desânimo e o fastio. É justamente nos dias da aridez, da contrariedade, que mais precisamos da assistência divina. “Minha alma está triste até a morte”, disse Nosso Senhor e entrou no horto para rezar. E Deus não o abandonou, vendo sua aflição e agonia, enviou-lhe um Anjo para que o consolasse. Na tristeza, no desânimo, devemos insistir na oração até que Deus de nós se compadeça.

2. Santo Eulógio, a exemplo dos Santos, castigava seu corpo, e sujeitava-o a muitas mortificações. Os filhos do mundo fazem o contrário: O corpo é objeto constante de seus cuidados e procuram afastar dele tudo o que lhe possa causar incômodo e mal-estar. O resultado será: os corpos dos Santos viverão eternamente em brilho celestial, como o corpo de Cristo depois da sua Ressurreição; os corpos dos pecadores ressurgirão para padecer eternamente nas trevas exteriores. Uma hora no inferno é pior que cem anos aqui na terra, na mais áspera e dura penitência, “Castiga teu corpo pela penitência!” (Tomás de Kempis).

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312