11 de maio — Santo Isidoro, o Lavrador, Confessor

11 de maio — Santo Isidoro, o Lavrador, Confessor
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

De todas as ocupações, a mais necessária e mais útil é a do lavrador. Santificada já pelo exemplo dos patriarcas, ela oferece mil ocasiões de praticar as virtudes. O lavrador possui, como os eremitas, todos os meios da salvação, sem, como eles, se retirar ao interior dos desertos. A vida de Santo Isidoro é disto prova eloquente.

Santo Isidoro nasceu em Madrid. Seus pais, pobres de fortuna, mas tanto mais ricos em virtude, comunicaram a seu filho o espírito do temor de Deus e educaram-no bem cristãmente. Sua pobreza não permitiu que Isidoro frequentasse a escola. A assistência, porém, do Espírito Santo, merecida pela sua extraordinária humildade, substituiu perfeitamente a falta de livros e da ciência, os quais nem sempre adiantam o homem na santidade. Isidoro, ávido de conhecer as verdades reveladas da santa religião, não perdia ocasião de ouvir a palavra de Deus, que tão profundamente calava em sua alma.

Sua paciência nas contrariedades, seu modo afável de tratar o próximo, a prontidão em perdoar as ofensas, a fidelidade a seus patrões, a pontualidade no cumprimento dos seus deveres, o respeito e a modéstia e antes de tudo sua grande caridade para com todos, fizeram com que conseguisse uma completa vitória sobre todas as suas paixões.

Seu modo de vida confundia aqueles que, para desculparem sua falta de piedade, alegam a estreiteza de tempo. Isidoro transformava em oração seus trabalhos e fadigas, sujeitando-se a elas no espírito de penitência e na intenção de cumprir a vontade de Deus.

O trabalho no campo era que mais ocasião lhe oferecia, de elevar seu espírito a Deus. Enquanto sua mão dirigia o arado, sua alma se achava em colóquios com Deus e os Santos do céu. Quanto mais chorava as misérias humanas, tanto mais desejava as alegrias e consolações da celestial Jerusalém. Isidoro era tão senhor de sua língua, que nunca dos seus lábios se ouviu uma palavra sequer de impaciência ou de queixa. Sua boca transbordava de louvores a Deus e agradecimentos à divina graça. Não mudou de patrão. Com o patriarca Jacó, podia ele lhe dizer: "Passei as noites vigiando, passei frio e calor para aumentar os teus bens. Pouco possuías, quando entrei em teus serviços, e veja agora que estás rico." (Gênesis 30, 30). João de Vagas, assim se chamava o patrão, soube bem avaliar o tesouro que possuía em Isidoro, a quem dedicava uma amizade de irmão, seguindo assim o conselho do Eclesiastes: "Como a tua alma ama e estima um empregado prudente". Conhecendo bem o espírito de Isidoro, dava-lhe toda a liberdade, de ouvir Missa todos os dias. Isidoro levantava cedo, para poder conciliar as normas da sua vida religiosa com as obrigações de seu estado.

Isidoro, embora pobre, dava aos pobres sua esmola, repartindo com eles seu ordenado.

Contraíra matrimônio com Maria Turíbia, tanto quanto ele, piedosa e santa. O único filho desta união morreu e o casal resolveu viver em perfeita abstenção e castidade. Maria Turíbia morreu em 1175 e goza na Espanha de veneração de Santa. Esta devoção foi reconhecida e aprovada pelo Papa Inocêncio XII.

Caindo gravemente doente, Isidoro predisse a sua morte, para a qual se preparou com todo o zelo.

Deus o chamou para si em 1170, tendo Isidoro 60 anos.

Muitos milagres confirmaram sua grande santidade. Quarenta anos depois da sua morte, o corpo foi do cemitério transportado para a Igreja de Santo André. Mais tarde foi depositado na Capela do Bispo.

Isidoro foi canonizado em 1622, pelo Papa Paulo V. Seu corpo repousa num caixão preciosíssimo e não apresenta até hoje o menor sinal de decomposição cadavérica.

Reflexões

Lavrador e pobre, Isidoro se santificou, fugindo do pecado, praticando boas obras, sofrendo e trabalhando com paciência, observando os mandamentos da lei de Deus e da Igreja. Outra coisa não precisamos nós fazermos, para chegarmos à santidade. Ser-nos-á impossível fazer o que fez Santo Isidoro? É difícil fazer com pontualidade as orações prescritas? Receber os Santos Sacramentos, ouvir com atenção a Santa Missa, sofrer com paciência, ser assíduo no trabalho, fazer caridade, evitar más companhias, observar os mandamentos da lei de Deus? Tudo isto Santo Isidoro fazia e nada mais, e ainda assim tornou-se grande na santidade. Examinemos, ponto por ponto, as nossas obrigações e digamos com sinceridade se podemos ou não fazer a mesma coisa. Deus não nega sua graça a ninguém e não existe um estado em que a santificação seja coisa impossível.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312