11 de junho — São Barnabé, Apóstolo

11 de junho — São Barnabé, Apóstolo
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Embora não eleito por Nosso Senhor, Barnabé faz parte do Colégio apostólico e, como São Paulo, é enumerado entre os primeiros propagandistas da religião de Jesus Cristo. Descendente da tribo de Levi, Barnabé era natural da ilha de Chipre, onde sua família possuía uma vivenda. Seu nome primitivo era José. Discípulo de Gamaliel em Jerusalém, fez belos progressos no estudo das ciências, e sendo ele homem de caráter puro e espírito generoso, associou-se aos discípulos de Nosso Senhor. Depois da Ascensão de Jesus Cristo, foi Barnabé um dos primeiros, que venderam seus bens e entregaram aos Apóstolos o troco da venda. Ao que parece, gozava José de grande estima entre os Apóstolos, que mudaram seu nome para Barnabé, isto é, filha da consolação. Se podemos dar crédito a São Crisóstomo, o nome Barnabé foi-lhe dado por causa da sua grande habilidade de consolar os aflitos. O novo Apóstolo tomou logo parte ativa na administração da Igreja, e foi ele que apresentou São Paulo aos fiéis de Jerusalém, a São Pedro e São Tiago. A presença de Paulo em Jerusalém causou temor entre os cristãos; por isso foi necessária uma recomendação especial; e tão bem ela foi feita, que São Pedro não pôs dúvida em hospedar o antigo perseguidor em sua própria casa, pelo espaço de quinze dias.

Quatro ou cinco anos depois é que o vemos em Antioquia, para onde os Apóstolos o tinham mandado; pois a igreja de Antioquia tinha feito grandes progressos.

As conversões tornaram-se tão numerosas, que Barnabé pediu o auxílio de São Paulo. Ambos trabalharam com resultados esplêndidos na nova comunidade, e foram os fiéis de Antioquia os primeiros que receberam o nome de cristãos. Barnabé apresenta-se como Apóstolo zelosíssimo, cheio de fé e do Espírito Santo, sempre disposto para a luta contra as dificuldades que se lhe opunham. Sua vida tem sido um continuado martírio, razão por que os Apóstolos, reunidos em Jerusalém, afirmaram em referência a ele e São Paulo, que estes dois Apóstolos sacrificaram sua vida por amor do nome de Jesus Cristo. Foram eles os portadores das esmolas arrecadadas em Antioquia para os cristãos famintos em Jerusalém.

Aos Apóstolos, reunidos em oração, veio do Espírito Santo a inspiração de separar Paulo e Barnabé, para a pregação do Evangelho entre os pagãos. Para este fim, lhes impuseram as mãos, invocando sobre eles o Espírito Santo.

Sendo assim formalmente recebidos no Colégio dos Apóstolos, iniciaram seus trabalhos apostólicos em Selêucia, na Síria. Associou-se-lhes João Marcos, e os Apóstolos estenderam sua missão à Salamina e Pafos no Chipre, e a Perge na Panfília. Foi lá que João Marcos se separou dos seus companheiros, bem ao pesar de Barnabé, de quem era primo.

Paulo e Barnabé continuaram suas viagens apostólicas e pregaram o Evangelho em Pisídia, Icônio, Licaônia e Listra. Os pagãos, estupefatos pelos grandes milagres de que foram testemunhas oculares, julgaram ver em Paulo o Mercúrio; na figura imponente de Barnabé, porém, quiseram reconhecer o deus Júpiter. Tão grande foi seu entusiasmo pelos Apóstolos de Cristo, que quiseram construir um altar em sua honra e oferecer-lhes oblações, como a divindades, intento a que Barnabé e Paulo energicamente se opuseram.

Após longas viagens, voltaram a Antioquia, onde então se pronunciou o desacordo entre os cristãos por causa da observação da lei Mosaica. Barnabé e Paulo discordaram da opinião dos cristãos de origem judaica, que julgavam obrigatória a observação daquelas leis para todos os cristãos, também daqueles que tinham vindo ou viessem do paganismo.

Um Concílio Apostólico, celebrado no ano de 51, em Jerusalém, decidiu esta questão no sentido favorável a Barnabé e Paulo.

Barnabé aliou-se outra vez a João Marcos e com ele trabalhou ainda muitos anos na vinha do Senhor. É opinião de muitos que tenha chegado até Milão. São Carlos Borromeu, fazendo referência a São Barnabé, chama-o Apóstolo de Milão. Barnabé morreu na ilha de Chipre, vítima do fanatismo religioso dos judeus, que o lapidaram. Seu corpo foi descoberto em 485. Sobre seu peito achou-se depositado uma cópia do Evangelho de São Mateus, feita por ele mesmo.
 
Reflexões

Jesus Cristo predisse aos seus Apóstolos, grandes dificuldades, perseguições e uma morte tão ignominiosa, quão dolorosa. Sua predição cumpriu-se literalmente, como mostra a vida de São Barnabé, que, em companhia de São Paulo e de outros Apóstolos, sofreu muito por amor ao Evangelho. Segundo a vontade de Jesus Cristo, do fundador da Igreja, deviam os Apóstolos não fazer excepção da lei, a que todos os cristãos haviam de ser e são sujeitos: à lei do sofrimento. O sofrimento é o apanágio de todos os que vão nas pegadas de Jesus Cristo. É fácil compreender disso a razão.

Tribulações, perseguições sofridas por causa da justiça, dão ao cristão ensejo de elevar sua perfeição ao mais alto grau. Sofrer pacientemente, para dar satisfação à divina justiça, não é e não deve ser para o cristão coisa extraordinária. Sofrer, porém, injustiça, inocentemente, só porque trabalhamos na propagação do reino de Deus sobre a terra; só porque praticamos a virtude e a outros a ensinamos, para que também a pratiquem; se apesar de tudo sofremos, não só com paciência, sem formularmos uma queixa, mas com alegria e íntimo contentamento: então o nosso sofrimento é a glorificação do poder do cristianismo.

Poder sofrer pela justiça de Deus é uma graça especial, como tal reconhecida pelos cristãos. “Ninguém de vós sofra como ladrão, ou assassino, ou malfeitor; mas sofrer por ser cristão não é nenhuma vergonha” (I Pedro 4, 15-16).

O sofrimento nesta vida constitui para o cristão perfeito um purgatório. Puro deve ser o que quer entrar no Céu. Sofrer, portanto, nesta vida é grande e extraordinária graça de Deus, porque o sofrimento purifica e prepara a alma para o Céu.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312