11 de janeiro — São Teodósio, Abade
11 de janeiro — São Teodósio, AbadeExtraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
Mogariasse, na Capadócia, é a terra onde, em 424, de pais piedosos, nasceu Teodósio, cuja vida foi escrita por Teodoro, seu discípulo. Os frutos da boa educação que de seus pais recebera, não tardaram a aparecer. Ainda muito jovem, foi escolhido para fazer a leitura pública, na ocasião da Santa Missa. Assim adquiriu um conhecimento mais profundo dos Livros Santos e, cada vez mais, acentuou-se em seu coração o desejo pela santidade e pelo desapego de tudo neste mundo.
Lendo frequentes vezes a história do patriarca Abraão, sempre o impressionava a ordem que este santo varão recebera de Deus, de abandonar a sua terra e família, e procurar outra localização. A mesma ordem parecia-lhe ser dada. Antes, porém, de tomar uma resolução definitiva a este respeito, fez uma viagem à Terra Santa, visitando os Santos Lugares. Por esta ocasião passou pelo lugar onde se achava São Simeão Estilita. O grande penitente, sem o ter visto antes, chamou-o pelo nome, e disse-lhe que Deus o tinha escolhido para ser o instrumento da santificação de muitas almas.
O resultado de sua visita aos Santos Lugares, em Jerusalém, foi a resolução de dedicar-se à vida religiosa no convento. Próximo da Torre de Davi morava um santo eremita, de nome Longinus, cuja santidade estava na boca de todos. À direção daquele homem Teodósio se confiou e, em pouco tempo, fez tanto progresso na santidade, que foi-lhe oferecido a provedoria de uma igreja de Nossa Senhora, que uma piedosa mulher tinha construído, no caminho que vai para Belém. Teodósio aceitou o cargo, em obediência a seu Superior.
Como as frequentes e numerosas visitas o aborrecessem, Teodósio se retirou para a solidão duma gruta, onde viveu trinta anos entregue às práticas da mais austera penitência. A fama da sua santidade atraiu tantos moços, que desejavam viver em sua companhia; Teodósio, sem que isto tivesse sido seu plano, organizou o regulamento da comunidade, cujo Superior era ele. Ao lado do convento, Teodósio fez um albergue para peregrinos e um hospital. Este último mereceu o seu especial cuidado, e foi o teatro de sua caridade. Podia faltar-lhe tudo, menos a confiança ilimitada na Divina Providência. De fato esta nunca o abandonou, como provam acontecimentos que evidentemente mostram a intervenção do auxílio de Deus, em ocasiões de grandes embaraços.
Como a caridade, era excepcional a sua humildade. Encontrando uma vez dois de seus discípulos em forte rixa, pôs-se de joelhos entre os dois, fazendo-os lembrar das leis da caridade, e não se levantou enquanto os dois contendores não tivessem feito as pazes.
Em certa ocasião viu-se obrigado a excluir um dos religiosos, por um grave delito que o mesmo cometera. Em vez dele sujeitar-se e aceitar o justo castigo, rebelou-se contra o seu Superior, cobrindo-o de injúrias, dizendo afinal, que ele era o culpado de tudo e, por isso, ele quem merecia ser expulso. Teodósio nenhuma resposta deu ao pobre transviado; pelo contrário, ouviu com toda a calma os impropérios de seu súdito, como se este tivesse toda a razão. Mais depressa que se esperava, o religioso se converteu e pediu perdão a seu Superior.
Pelo fim da vida, Teodósio sofreu as perseguições do imperador Anastácio, por não ter querido sujeitar-se às insinuações do mesmo, na questão de uma heresia que se tinha levantando, e de que o monarca era fautor. Teodósio se opôs energicamente a esta corrente perniciosa, o que lhe importou a expatriação. Seu exílio foi de pouca duração. Anastácio morreu e Teodósio pôde voltar, vivendo ainda onze anos.
Uma doença dolorosíssima foi a preparação para a sua morte. Teodósio morreu com 105 anos de idade.
Reflexões
1. São Teodósio era amigo dos pobres e enfermos, aos quais, dispensava seus benefícios e cuidados. Procedendo assim, lembrava-se da palavra de Cristo, que aceita as obras de caridade feitas ao próximo, como feitas à sua própria pessoa. No dia do Juízo Final, o mundo e cada um de nós, seremos julgados pela caridade que fizemos ou que deixamos de fazer. Aos justos o Senhor dirá: “Vinde, benditos de meu Pai, possuí o Reino que vos foi preparado desde o princípio do mundo; pois tive fome e vós me destes de comer; tive sede e vós me destes de beber; sendo peregrino, me destes hospitalidade; estive nu e me vestistes; estive doente e me visitastes; estive encarcerado e me socorrestes.” Os justos responderão: “Senhor, quando foi que tivestes fome e nós vos demos de comer? Sede, e demos de beber? Éreis estrangeiro, e vos recebemos? Estáveis nu, e vos vestimos? Doente ou na prisão, e vos socorremos?” E o Rei dir-lhes-á: “Em verdade vos digo: todas as vezes que fizestes isso ao menor dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes” (Mateus 25, 34-40). Pode haver incentivo mais forte para praticar a caridade por amor de Deus? Pode ser difícil fazer caridade, quando se sabe que os pobres, os enfermos, os necessitados são irmãos e representantes de Cristo? Lembra-te desta verdade quando fazes caridade, ou quando a prática desta virtude se te afigurar difícil ou impossível.
2. São Teodósio avisava aos seus discípulos para que fizessem caridade, lembrando-se da morte. A lembrança da morte é de fato um meio poderoso de abster-nos das práticas do mal e operar o bem. Se fores tentado para um pecado, o pensamento deve ser: “Se pecar, e morrer no pecado, estarei perdido para sempre”, assim fará com que oponhas maior resistência à tentação. Se chegaste a pecar, é outra vez a lembrança da morte, que te convida para fazer boas obras, obras de penitência, levar com paciência tua cruz. Lembra-te da morte e jamais pecarás.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312 ↩