11 de fevereiro — São Guilherme de Malavalle, Eremita
11 de fevereiro — São Guilherme de Malavalle, EremitaExtraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
A França foi a terra natal deste Santo. Nenhum conhecimento se tem acerca de sua família e de sua infância. É opinião de muitos, que São Guilherme pertenceu à classe militar, e na sua mocidade não teve uma vida muito de acordo com as leis da moral cristã. A primeira notícia que de sua biografia temos é referente a uma peregrinação do Santo a Roma, com o intuito de fazer penitência. Prostrado aos pés de Sua Santidade, o Papa Eugênio III, pediu perdão dos seus pecados, e recebeu como penitência a obrigação de visitar a Terra Santa. Era comum, naquele tempo, que se impusessem penitências iguais a esta a grandes pecadores. Guilherme, cumprindo a ordem recebida, foi a Jerusalém, e lá ficou durante o espaço de oito anos, fazendo obras de penitência e de piedade. De volta para a Europa, viu-se obrigado a dirigir um convento em Pisa. Tão pouco, porém, lhe agradou à maneira como procediam os monges, que se exonerou do cargo de Superior e saiu daquele convento. Numa outra casa religiosa, no monte Pruno, para onde dirigiu seus passos, as coisas não eram de uma melhor cor, reinando grande relaxamento na disciplina monástica.
Assim, desiludido, tomou a resolução de viver sozinho, e para este fim procurou um lugar solitário, um vale perto de Siena, chamado Stabulum Rhodis, nome, que, em seguida, foi transformado para Malavalle ou Maleval.
O lugar era inóspito e medonho. Todos tinham horror ao Maleval. Guilherme, metendo-se naquele ermo horrível, vivia em companhia dos animais ferozes, alimentando-se de ervas e raízes. Um ano depois, no dia dos Reis, associou-se-lhe um jovem, de nome Alberto, que viveu depois em sua companhia durante treze meses, isto é, até a morte de Guilherme, e a quem devemos as particularidades da vida deste santo homem.
São Guilherme não falava nunca de si, a não ser como de um pecador desprezível, que merecia de Deus os maiores castigos. Da convicção de ser grande pecador vinha o afã de se entregar a práticas as mais duras de penitência. Seu leito era o chão e seu alimento o mais pobre possível.
De Deus recebeu o dom da profecia e o de fazer muitos milagres. Sentindo a morte se aproximar, pediu que lhe dessem os Santos Sacramentos, os quais recebeu das mãos de um sacerdote de Châtillon.
Alberto e mais outro companheiro, o médico Reinaldo, que pouco antes da morte do Santo se lhes tinha associado, enterraram o corpo de seu mestre num pequeno jardim e continuaram sua vida de eremitas, observando as regras que de Guilherme haviam recebido. Outras pessoas os procuraram, pedindo ser admitidos na sua pequena comunidade. Assim foi crescendo a nova Ordem que, sob o nome de Ordem dos Guilhermistas, se ramificou na França, na Itália, na Alemanha e na Holanda. A Ordem dos Guilhermistas teve a aprovação de Gregório IX, o qual lhe deu a regra de São Bento.
Reflexões
1. São Guilherme fez uma romaria à Terra Santa, não por vaidade ou curiosidade, ou por outros motivos menos elevados, mas unicamente com espírito de piedade e penitência, e para se estimular ainda mais no seu amor a Jesus Cristo e se aprofundar no grande mistério da Sagrada Paixão e Morte. Oito anos ele permaneceu na Palestina, levando uma vida da mais austera penitência. O exemplo de São Guilherme não é isolado na história. Muitos Santos, como ele, procuraram os Santos Lugares. A visita dos Lugares onde Nosso Senhor viveu, ensinou, sofreu e morreu, impressionou-os tão vivamente, que se resolveram a ficar na Palestina e lá, à imitação do Filho de Deus, levar uma vida de sacrifícios, de penitência e oração. — É injusto e tolo, próprio de espíritos acanhados, criticar e censurar pessoas que, impelidas pelo sentimento de piedade, ou por uma necessidade espiritual, empreendem longas e penosas viagens para visitarem um Santuário ou a própria Terra Santa. Qualificar de superstição e hipocrisia tais práticas de piedade e penitência pode ser ignorância, se não for maldade ou impiedade.
2. O homem em sua vida sensitiva muito depende das coisas que o rodeiam. Como o cristão prudente e sincero procura afastar de si todas as influências más e nocivas, com prazer se inclinará a tudo que em sua alma for capaz de produzir boas impressões e elevá-la a Deus e às coisas santas. É este o motivo por que a Igreja orna o interior dos templos com belos quadros e imagens dos Santos. O aspecto destas coisas desperta na alma pensamentos salutares, o desejo de imitar o exemplo das virtudes daqueles que se santificaram na lei de Deus.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312 ↩