11 de agosto — Santo Alexandre, Bispo e Mártir

11 de agosto — Santo Alexandre, Bispo e Mártir
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Foi no tempo de São Gregório, o Taumaturgo, Bispo de Neocesareia, que muitos pagãos, maravilhados pelos feitos extraordinários desse Santo, se converteram ao cristianismo. São Gregório era o oráculo de toda a Ásia Menor. Certa vez uma comissão da cidade de Comana o procurou, para obter a indicação de um Bispo para aquela cidade. Gregório foi a Comana, onde lhe foram apresentados diversos candidatos, homens dignos de ocupar a cadeira episcopal. Os Comanenses desejavam ter um Bispo nobre, eloquente e popular. Gregório, sem desprezar essas qualidades, ligava mais importância a uma virtude sólida e esperou que Deus lhe mostrasse uma pessoa idônea, na altura do cargo. Entre os apresentados, não havia nenhum que lhe agradasse. A decepção dos nobres de Comana não era pequena. Ele, entretanto, insistiu para que lhe apresentassem pessoas de posição social humilde, o que fez um dos magistrados, com ar de mofa, lhe dizer: “Quer o Senhor que lhe chamemos o carvoeiro Alexandre? Deveras, um bom candidato esse para o Bispado. Não há dúvida, devemos apoiar-lhe a candidatura!” São Gregório, que não conhecia Alexandre, ouvindo o homem assim falar, interessou-se pelo indicado, que imediatamente foi chamado à sua presença. Alexandre compareceu em trajes de carvoeiro. A farsa não parecia má e sua chegada provocou uma gargalhada geral. Gregório chamou Alexandre à parte e indagou-lhe a procedência, o modo de vida, a religião, etc. Soube então que o pobre carvoeiro era de descendência nobre, filho de pais ricos; soube ainda que, por amor a Jesus Cristo e para não cair nos laços do demônio e em defesa da castidade tinha abandonado o lar paterno, em busca de uma vida pobre, escondida e trabalhosa. “O pó de carvão é a máscara de que me sirvo, para me tornar desconhecido. Sou moço e representaria alguma coisa, se quisesse vestir-me como os outros. São momentos de tentação para quem fez o voto; por aí também conheceis que devia fazer tudo, para evitar os perigos, a que minha mocidade e minhas atrações físicas me expunham. Ganho honestamente meu pão e tenho de sobra para contribuir para obras pias”. Tal falar agraciou muito a São Gregório, que deu graças a Deus por ter achado um homem tão virtuoso. Fez Alexandre trocar os andrajos por roupas melhores e instruiu o povo sobre os deveres dum Bispo. Em seguida lhe apresentou Alexandre. Grande foi a surpresa dos assistentes. Aproveitando-se dessa surpresa, Gregório disse: “Não vos admireis de que vosso juízo apressado vos enganasse. Estava no interesse de Satanás esconder este vaso de eleição, para que de nada servisse”. Explicou-lhes então quem era Alexandre e por quais motivos tinha escolhido um meio de vida tão humilde. Uma virtude tão sólida merecia ser reconhecida e elevada. As palavras de São Gregório acham o aplauso do povo.

Alexandre foi sagrado Bispo. Na primeira alocução que fez aos diocesanos, justificou plenamente o conceito de São Gregório e os habitantes de Comana julgaram-se felizes de ter achado um Prelado tão digno.

A administração do novo Bispo provou sobejamente que estava à altura do cargo. Verdadeiro pai do povo, conduzia-o pelo caminho da salvação; exemplo para todos, a todos recomendava as virtudes da justiça, da misericórdia, da perseverança e o desejo do céu, nos tempos perigosíssimos, em que o demônio andava a mover novas perseguições. Exortava-os a que ficassem firmes também na presença do tirano. O que aconselhava, ele próprio punha em execução.

Numa perseguição, foi condenado à morte pelo fogo. Dizem alguns que este martírio coincide com a perseguição de Décio.

Reflexões

Admirável como poucas, é a vida de Santo Alexandre. Ele, que no mundo podia ter tido uma vida confortável, abandona tudo para, na solidão, desconhecido de todos, servir a Deus.

Esse sacrifício é realmente mais admirável que o próprio martírio. Ensina-nos que o mundo e o contato com este, não pode dar-nos a felicidade, que anelamos. Ensina-nos também que uma vida humilde, pobre e desconhecida pode ser uma vida santa e preciosa aos olhos de Deus. Quem cumpre o dever, quem pratica o bem, onde se lhe apresenta ocasião, quem leva a cruz com resignação e penitência, quem foge do pecado e se afasta da ira, da calúnia, do ódio, quem zela na família pela conservação das tradições de piedade, quem, afinal, para nos servir da expressão de São Paulo, “vive sóbrio, piedoso e justo neste mundo, na expectativa da bem-aventurança e da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo”, este tem as melhores garantias e os títulos mais seguros do céu. Não tenhas inveja dos ricos. A pobreza é que goza da estima de Deus. Conheces a parábola do rico e do pobre Lázaro? O Evangelho não denuncia vício nenhum do mau rico; diz apenas que se vestia de púrpura, se banqueteava suntuosamente e não tinha coração para o pobre Lázaro. Não obstante, termina: o rico morreu e lá se foi para o inferno. Morreu também o mendigo e os Anjos levaram-no para o seio de Abraão. A riqueza traz muitos perigos e é o maior incitamento para os pecados condenados pela moral cristã, e que fazem perder o céu. A pobreza não só é mais agradável a Deus, como também é um forte baluarte contra os males do mundo. Feliz daquele que também numa posição humilde conserva a alegria do coração, a paz da alma, que vale mais do que todas as fortunas do mundo.

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

Em Roma, por entre dois loureiros, o aniversário do martírio de São Tibúrcio. O juiz mandou-o andar descalço sobre brasa e depois deu a ordem para que fosse decapitado.

Em Todi, na Itália, a santa virgem Digna, que, conseguindo fugir da perseguição de Diocleciano, morreu na solidão.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii
11 de agosto — Santo Alexandre, Bispo e Mártir — Padre João Batista Lehmann