10 de maio — Santo Antonino, Arcebispo e Confessor

10 de maio — Santo Antonino, Arcebispo e Confessor
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Santo Antonino, célebre Arcebispo de Florença, nasceu em 1389. De seus pais piedosos recebeu ele uma educação primorosa. No Santo Batismo deram-lhe o nome de Antônio, que mais tarde foi mudado em Antonino, devido à sua estatura pequena. Antonino era um menino muito piedoso, tanto que seus companheiros o apelidaram de "Santo". Seu lugar predileto era na igreja, diante da imagem do Crucificado, onde passava horas em fervorosa oração. Sentindo-se com vocação sacerdotal, pediu ao Provincial dos Dominicanos que o aceitasse em sua Ordem. Este, porém, achou que não o devia aceitar por causa da pequenez anormal e da fraca constituição do suplicante. Contudo, para não o entristecer com uma resposta negativa, fez depender a admissão de uma condição aparentemente impossível a ser cumprida. Disse a Antonino, que era estudante de direito, que podia renovar seu pedido, depois de ter decorado todas as constituições do código. Passado era um ano, quando Antonino de novo se apresentou; e qual não foi a admiração e o espanto do Superior, devendo verificar que o candidato era senhor da matéria. Vendo nisto uma prova patente não só da vocação do jovem, mas também de sua inteligência extraordinária, não mais lhe negou a admissão e disto não precisou de se arrepender.

Antonino tornou-se o modelo de religioso. De uma pontualidade matemática no cumprimento dos seus deveres dentro da comunidade, dava a todos o exemplo de uma mortificação não comum. O uso da carne só se permitia quando se achava doente. O assoalho era seu leito e só pelo fim da vida consentiu que lhe dessem um colchão. O cilício era seu inseparável companheiro. Este rigor contra o corpo não foi em nada modificado depois de Antonino ter recebido a dignidade de Arcebispo.

Vários cargos da Ordem foram-lhe confiados. Assim foi sucessivamente Prior ou Provincial, cargos estes de que se desempenhou com muita competência, caridade e humildade.

Só a obediência à Santa Sé pôde determiná-lo a aceitar a dignidade de Arcebispo de Florença. Para esquivar-se deste encargo, tinha resolvido a fugir, e foi necessário a ameaça com a excomunhão para fazê-lo aceitar. No dia da sua sagração dirigiu a Deus esta súplica: "Senhor, Vós sabeis com que pesar aceito esta cruz; devendo, porém, obedecer ao vosso representante, peço-Vos não me abandoneis de tal maneira que a minha vida seja sempre de acordo com a vossa vontade, cumprindo em tudo que vós de mim exigirdes".

O palácio arquiepiscopal parecia-se mais com um convento do que com a habitação de um príncipe da Igreja. Remunerando bem seus empregados, vivia ele na pobreza de filho de São Domingos. Um cuidado especial dispensava aos pobres e necessitados, aos quais dava grandes esmolas.

Como Arcebispo, era cumpridor exatíssimo dos seus deveres. Era trabalhador como bem poucos e de uma resistência e atividade admiráveis. Nas visitas pastorais usava de franqueza evangélica, verberando abusos onde os encontrava. Assim aboliu o jogo na sua diocese. Não tolerava o desrespeito na casa de Deus e com máxima energia condenava os abusos e escândalos das modas femininas. Para todos estava aberto seu palácio e a todos que o procuravam em suas necessidades materiais e espirituais, era seu pai e amigo consolador.

Às pessoas que lhe aconselhavam descanso, dizia ele: "O Bispo não deve tratar do seu conforto, mas do bem-estar das suas ovelhas".

Antonino teve 70 anos, quando sua natureza sucumbiu ao excesso do trabalho. Sentindo a morte se aproximar, deu tudo que ainda possuía aos pobres. Depois de ter recebido os Santos Sacramentos, exclamou em alta voz: "Servir a Deus é reinar". Enquanto os cônegos rezavam o santo ofício, o Arcebispo, depois de ter beijado ternamente o crucifixo, morreu na noite da festa da Ascensão de Nosso Senhor, em 1459.

O Papa Pio II, que naquela ocasião se achava em Florença, assistiu às exéquias. Adriano IV o canonizou em 1523.

Reflexões

Santo Antonino não tolerava falta de respeito na igreja e indecência nos trajes femininos. Tanto uma como a outra coisa ofendem a Deus e são provas de falta de temor, que é devido à santa Majestade. À igreja se vai para rezar, sempre nas condições em que um pobre mendigo põe os pés no palácio do rico. À igreja vai-se para pedir graça e misericórdia. Trajes desonestos na igreja são um insulto, uma provocação, um escândalo. A uma mulher provocadoramente vestida, disse uma vez São João Crisóstomo: “Para que vais à igreja? Talvez para dançar, te exibir aos olhares dos homens, ou vais para pedir perdão a Deus e aplacar as iras do justo juiz?” Respeitemos sempre a santidade da casa de Deus, se não quisermos que a vingança divina pese sobre nós.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312
10 de maio — Santo Antonino, Arcebispo e Confessor — Padre João Batista Lehmann