10 de fevereiro — Santa Escolástica, Virgem e Irmã gêmea de São Bento

10 de fevereiro — Santa Escolástica, Virgem e Irmã gêmea de São Bento
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Escolástica, irmã de São Bento, grande fundador das Ordens monásticas no Ocidente, nasceu em Espoleto, na Itália e teve, como seu irmão, uma educação primorosa, herança preciosíssima de seus pais piedosos e tementes a Deus. Modelo de donzela cristã, Escolástica era piedosa, virtuosa, cultivadora da oração, temente a Deus e inimiga do espírito do mundo e de suas vaidades.

Igual ao irmão, nutria o desejo de dedicar sua vida exclusivamente ao serviço de Deus. São Bento tinha fundado o mosteiro no Monte Cassino e em sua companhia viviam já muitos religiosos, que observavam a regra que Bento lhes dera. A ele se dirigiu Escolástica, com o pedido de lhe indicar o caminho a tomar para realizar seu plano. São Bento mandou construir uma pequena cela perto do mosteiro e, deu-lhe uma norma de vida, nos traços principais, igual à dos monges. À eremita associaram-se, pouco a pouco, muitas pessoas do seu sexo, e a construção de um grande convento impôs-se como necessária. É esta a história da fundação da Ordem das Beneditinas, que teve uma aceitação tão simpática em todo o mundo, chegando a contar 14.000 mosteiros. Escolástica foi a primeira Superiora geral. Nesta qualidade não só trabalhou para a sua santificação, mas zelou também pela fiel observação da regra em todos os mosteiros.

Os conventos da sua Ordem observavam rigorosamente a clausura, sendo proibida a entrada a homens. Escolástica só uma vez por ano visitava seu irmão. O lugar onde realizavam o encontro, era em uma casa, nas proximidades do Monte Cassino.

Em uma destas visitas, quando tinham já tomado a refeição da tarde, e São Bento se aprontava para voltar a seu mosteiro, Escolástica disse-lhe: “Peço-te, meu irmão, que te detenhas esta noite aqui, para que possamos conversar sobre as coisas celestes”. São Bento, não querendo passar a noite fora do mosteiro, não a quis atender. Escolástica pôs as mãos sobre a mesa, inclinou a cabeça sobre elas e nesta posição pediu a Deus que lhe proporcionasse o consolo de conversar sobre coisas religiosas com seu irmão até o dia seguinte.

Eis que inesperadamente anuviou-se o céu, desabou forte tempestade, e a chuva caiu em tanta quantidade, que São Bento e seus companheiros se viram obrigados a ficar. Embora o Santo reconhecesse a intervenção de Deus no efeito da oração de sua Irmã, em tom de repreensão, disse-lhe: “Deus te perdoe, minha irmã, o que fizeste”. Escolástica, porém, respondeu: “Eu te pedi, e não quiseste atender-me; dirigi-me a Deus e fui ouvida”. Tendo ambos, passado a noite toda, em piedosos colóquios, no dia seguinte se separaram e — para sempre. Três dias depois, Escolástica trocou esta pátria provisória com a eterna, entregando sua alma a Deus. São Bento viu a alma de sua irmã, qual uma pomba, subir ao céu. O corpo de Escolástica foi transportado para o mosteiro de São Bento e sepultado no túmulo que o santo abade tinha mandado preparar para si. Escolástica morreu em 543, tendo a idade de 60 anos. No século sétimo suas relíquias, com as de seu santo irmão, foram levadas para Mans, na França. Uma donzela que tinha morrido naquela ocasião, voltou à vida quando se lhe impuseram as relíquias da Santa.

Terminemos os traços biográficos de Santa Escolástica com a referência de uma prática por ela usada, quando se achava em grandes tribulações: era fixar seu olhar no Crucifixo. Este olhar trazia-lhe consolo e coragem para vencer todas as dificuldades. “Um único olhar sobre a imagem do Crucificado — confessou ela mesma — tira de mim toda a aflição e suaviza o meu sofrimento”.
  
Reflexões
 
1. Um olhar para Jesus crucificado dava a Escolástica coragem e ânimo nas adversidades. Recorre também a Nosso Senhor e verás, como a lembrança da sua Sagrada Paixão e Morte te confortará nos teus sofrimentos e te dará força para levar a cruz com resignação e conformidade com a vontade de Deus.

2. Santa Escolástica amava a solidão e fugia da companhia de pessoas seculares. Causava-lhe prazer entreter conversas de fundo religioso. Se amasses também a solidão; se tivesses mais amor ao silêncio, não perderias tanto tempo com visitas inúteis, que, além de serem inúteis, muitas vezes são causa de muitos pecados contra a caridade. “Muita conversa raras vezes é feita sem que se peque” (Provérbios 10, 19). Procura mais a Deus no silêncio e na oração, e mais paz terás em tua alma.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312