10 de abril — São Macário de Antioquia, Bispo
10 de abril — São Macário de Antioquia, BispoExtraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
São Macário, cuja festa a Igreja hoje celebra, é natural da Armênia, e filhos de pais cristãos e distintíssimos.
O nome Macário veio-lhe do Bispo de Antioquia, seu padrinho de batismo. Já na sua infância deu indícios inequívocos de talento extraordinário para o estudo. Não sendo inferior sua aplicação ao talento, em poucos anos fez progressos admiráveis nas ciências. Não menos louvável foi seu adiantamento nas virtudes. Eram principalmente a modéstia e pureza que tornaram ameno e atraente seu trato. O Bispo, com grande satisfação, observou no menino o desenvolvimento científico e religioso. Quando este tinha chegado à idade canônica, conferiu-lhe o sacramento da Ordem. Como sacerdote, Macário achou ocasião de sobra para patentear seu zelo pela glória de Deus e a salvação das almas. Estimadíssimo pelos fiéis, foi ele eleito Bispo e sucessor do seu santo padrinho.
Dificilmente pôde resolver-se a aceitar tão alta dignidade. Uma vez Bispo, seu zelo apostólico e seu amor pastoral pelas almas brilharam no mais belo fulgor.
Seus pensamentos tinham um só fim: ganhar almas para Cristo, e levá-las à bem-aventurança eterna. Sua pregação era quotidiana. Visitava assiduamente os doentes, e grande parte dos seus bens distribuiu entre os pobres.
Grande era seu desgosto quando sabia que Deus era ofendido. Por isto envidou todos os esforços para evitar os pecados. Muitas vezes via-se o Bispo chorar. Eram lágrimas de contrição e de penitência que derramava. Raramente se punha em oração sem que dos seus olhos brotassem copiosas lágrimas. No seu genuflexório havia constantemente um paninho com que enxugava os olhos. Um leproso, que com confiança pôs este paninho sobre suas feridas, sarou instantaneamente. Este milagre causou grande sensação na cidade e em seguida eram centenas de doentes que procuravam alívio e saúde na casa do Bispo.
A veneração de todos de que era alvo, desagradou bastante a seu espírito humilde. Foi então que se familiarizou com a ideia de renunciar.
Com efeito, entregou a autoridade episcopal ao sacerdote Eleuterio e ele mesmo retirou-se da sociedade, para na solidão servir a Deus. Tudo que possuía, deu aos pobres. Acompanhado de quatro sacerdotes, abandonou a cidade e dirigiu-se à Terra Santa, onde, como penitente, visitou os Santos Lugares.
Durante o tempo, que esteve na Terra Santa, converteu numerosos Sarracenos ao cristianismo. Este fato provocou o ódio daquela nação inimiga, que cumulou de injúrias o santo Bispo e não se cansou enquanto o não tivesse em suas mãos para à vontade poder maltratá-lo. Torturas inauditas foram aplicadas a Macário, o qual as sofreu com a maior resignação. No seu ódio chegaram ao ponto de, com pregos compridos, prender ao chão as mãos e os pés de sua vítima.
Na noite seguinte encheu-se o cárcere de uma luz celestial. Veio um anjo, libertou o prisioneiro, diante do qual espontaneamente se abriram as portas do cárcere.
Livre da perseguição dos Sarracenos, Macário dirigiu seus passos ao Ocidente e chegou à Baviera. Em seguida visitou as cidades de Mogúncia e Colônia.
Nesta última cidade curou um doente da epilepsia. O dom de curar doentes acompanhou-o em toda parte.
Na Holanda seu nome é de grata memória. Em Malines extinguiu pelo Sinal da Cruz um grande incêndio. Em outras cidades bastou sua presença para que se terminassem graves litígios.
Grande era sua veneração às relíquias dos Santos, das quais levara sempre algumas consigo.
O resto da sua vida passou Macário com três companheiros num convento em Ghent, onde foi recebido com grande alegria pelo abade Erembold. Passado um ano, manifestou desejo de voltar para sua terra no Oriente. Uma doença grave deteve-o. Mas, restabelecido dum modo de todo maravilhoso, quis executar seu plano e pôs-se a caminho. Sobreveio-lhe a peste que causou numerosas vítimas e grande pânico entre a população.
Macário predisse sua morte com a afirmação de ser a última vítima da epidemia. Assim foi. Macário morreu, por assim dizer, vítima de sua dedicação. Mais ninguém morreu da peste. O ano da morte de Macário é de 1012.
Reflexões
São Macário era zeloso venerador dos Santos. A intercessão dos Santos valeu-lhe muito perante Deus. O culto dos Santos tem a aprovação e a recomendação da Igreja e não é nenhuma idolatria como os hereges em sua cegueira e ignorância pretendem. A homenagem que rendemos aos Santos não é feita a deuses, mas a amigos de Deus. A estes invocamos, não como a deuses, que por seu próprio poder venham em nosso auxílio, mas como a intercessores junto ao trono divino. Que mal pode haver nisto? A experiência ensina e prova que muitas vezes se alcança o que se pede por intermédio dos Santos. A invocação dos Santos, portanto, é agradável a Deus e útil a nós. Muitas invocações não são atendidas, porque os nossos pecados paralisam a intervenção dos Santos. “A intercessão dos Santos é poderosa, — diz Didaco Nysseno, — contanto que nos esforcemos em amar a Deus, que constitui o único desejo dos Santos.” “A oração dos Santos nos é útil só com a nossa cooperação” (São Crisóstomo). Se permanecermos no pecado, sem dele nos arrepender e emendar, de nada nos poderá valer a oração dos Santos.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312 ↩