09 de junho — Santos Primo e Feliciano, Mártires

09 de junho — Santos Primo e Feliciano, Mártires
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Estes dois santos e irmãos viviam em Roma, onde edificavam a Igreja pelo exemplo das suas virtudes. Fiéis à tradição cristã, distribuíam seus bens entre os pobres. Dia e noite visitavam os cárceres e prisões públicas para consolar e animar os pobres cristãos, vítimas do fanatismo dos idólatras. Sua coragem e intrepidez levou-os até ao ponto de acompanhar a seus irmãos em Cristo aos tribunais e aos lugares do suplício. Embora se mostrassem muito dedicados aos cristãos perseguidos, eles mesmos por muito tempo puderam escapar das mãos dos inimigos da religião cristã. Quando Deus os chamou ao martírio, eram ambos já bem idosos.

Acusados do crime de pertencer à seita nazarena, foram presos por ordem imperial de Diocleciano. Em 286, sofreram em Roma cruel flagelação. De Roma, foram escoltados para Nomento e entregues ao prefeito Promoto, a fim de receberem castigos ainda mais rigorosos.

Promoto deu ordem para que fossem neles aplicados tratamentos os mais dolorosos, para assim deles conseguir a apostasia da religião odiada. A graça de Jesus Cristo, porém, foi mais forte que o furor do magistrado, e logo devia se convencer da inutilidade dos seus esforços.

Em dia marcado, foram os dois irmãos levados ao anfiteatro para, na presença de todo o povo, servir de pasto a dois grandes e feros leões. Qual não foi o espírito do prefeito e a admiração do povo, quando viram as feras, em vez de se precipitar sobre as indefesas vítimas, se arrojaram aos seus pés e lhe lamberam as mãos. O mesmo espetáculo repetiu-se depois, quando os leões foram substituídos por ursos. Muita gente, vendo este prodígio, se converteu; o prefeito, porém, ficou inalterável e condenou os dois heróis à morte pela espada, sentença que teve seu cumprimento aos 9 de junho de 286. Os cristãos deram aos mártires um piedoso enterro. Em 645, as relíquias de São Primo e São Feliciano foram transportadas para Roma e depositadas na igreja de Santo Estêvão no monte Célio.

Reflexões

Embora fossem crudelíssimas as perseguições dos primeiros séculos, não há como negar, que tiveram também seu lado bom e útil. Os cristãos, tendo constantemente a morte diante de seus olhos, eram forçados a viverem cautelosamente e estarem sempre preparados para a morte. O fato de se verem perseguidos, estreitou entre eles os laços da caridade. O martírio de uns, sua paciência, sua fé, sua resignação animavam os outros à perseverança. Tudo isto está na intenção de Deus, quando nos manda sofrimentos. O sofrimento educa o coração para a clemência. Quem nunca sofreu, dificilmente compreenderá a dor do seu próximo. Quem não se viu na triste contingência de recorrer à caridade dos outros, não avalia o que se passa no coração de quem sofre. Feliz do homem que sob a pressão do sofrimento aprendeu misericórdia e compaixão.

O sofrimento lembra-nos da morte, do juízo, da eternidade: tem, portanto, uma influência salutar sobre a nossa alma. Nos dias da tribulação costuma ser mais viva em nosso espírito a ideia da morte, que nos transporta perante o tribunal do Altíssimo. Sofrimentos, pois, são mensageiros de Deus, a cuja voz não devemos fechar o ouvido.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312