09 de agosto — Santos Romão e Numídico, Mártires
09 de agosto — Santos Romão e Numídico, MártiresExtraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
São Romão era militar e como tal, esteve presente ao martírio de São Lourenço. A constância, a paciência desse santo mártir o fez pensar na religião de Jesus Cristo. Como o glorioso diácono e mártir, depois da cruel sentença, fosse confiado à sua guarda, Romão aproveitou-se dessa ocasião, para pedir ao Santo alguns esclarecimentos sobre a fé cristã. Melhor catequista não podia encontrar, e para Lourenço foi um grande prazer instruir essa nobre alma nos mistérios da grande religião cristã. A graça divina preparou-lhe o coração de tal modo que, tendo apenas recebido algumas instruções do santo diácono, trouxe ele mesmo a água para ser batizado. Tendo recebido o sacramento da regeneração, não fez segredo da conversão e declarou-se publicamente cristão. O resultado foi que, ainda antes do seu mestre, teve a felicidade de entrar na glória celeste. Diz a tradição que no mesmo dia da declaração foi conduzido à presença do juiz e condenado à morte pela espada. O corpo foi sepultado na Via Tiburtina. Mais tarde as relíquias foram trasladadas para Lucca, na Toscana, onde repousam no altar-mor da Igreja que lhe traz o nome.
Numídico é um grande lume da Igreja africana no século III. Como a perseguição de Décio obrigasse Cipriano, Bispo de Cartago, a procurar um seguro asilo, Numídico fez tudo para substituir o pastor, acudindo às ovelhas com conselhos e confortando-as nas lutas. Alguns que, apavorados pelos horrores do martírio, tinham dado sinais de fraqueza, foram reanimados por Numídico, que teve a satisfação de preparar muitos cristãos para o supremo sacrifício. A própria esposa deste Santo sofreu a morte da fogueira e ele também, horrivelmente queimado, sobreviveu, porém, quase agonizante; foi encontrado pela filha, que o retirou das brasas e o tratou com todo o carinho. Restabelecido das graves queimaduras, pôs-se outra vez à disposição dos ministros da Igreja. São Cipriano conferiu-lhe as ordens sacerdotais e naquela ocasião o apresentou aos fiéis, como um herói pela causa da fé, apontando para o sacerdócio como para uma graça extraordinária. São Cipriano, quis elevá-lo à dignidade episcopal. Não se sabe, porém, se tal plano se executou. Nem tampouco sabemos quando e de que modo morreu Numídico. O martirológio romano menciona-o no dia de hoje, com muito louvor.
Reflexões
Os mártires vencem as paixões, como também humilham os tiranos. Os tiranos desaparecem; as paixões, porém, ainda existem e, como os tiranos, maltratam e procuram subjugar a pobre humanidade.
Teu combate é incomparavelmente mais leve. Não contra tiranos, mas somente contra as paixões deve dirigir-se tua luta. Embora incruenta, esta luta é pesada. O que os tiranos procuravam conseguir por meio de ameaças, as paixões esperam da blandícia. As paixões são inimigos de telhas abaixo; são inimigos implacáveis, que não dão trégua. São de uma persistência que exige do coração uma recusa enérgica, decisiva e constante. A luta, pois, é inevitável. É necessário, porém, que chegues a conhecer tua paixão dominante. É a paixão que te tenta com mais insistência e que te faz cair sempre nos mesmos pecados. A pendência do teu coração para determinados pecados, indica-te infalivelmente a paixão, contra a qual te deves precaver. Uma vez conhecido o inimigo, declara-lhe guerra sem perdão. Todo o tempo que deixas passar, dá força e incremento ao inimigo, o qual, contando com tua incúria, se torna cada vez mais atrevido, cada vez mais forte, cada vez mais senhor de teu coração. Basta uma única paixão, para fazer uma alma perder-se. Meios para combater as paixões há os de ordem natural e de ordem sobrenatural. Como a ociosidade é mãe dos vícios, o trabalho destrói-os. O primeiro remédio contra a paixão é, pois, a atividade. A este se deve associar o cuidado de fugir das ocasiões próximas de pecar. Quem procura o perigo, nele cai. Quem pega em piche, mancha-se. Meios de ordem sobrenatural para combater os vícios, os temos na oração, na meditação, no exame cotidiano da consciência e na recepção digna dos santos Sacramentos.
Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:
Em Vienne, na França, o sacerdote São Severo, que, vindo da Índia, pregou o Evangelho naquela cidade e conduziu muitos pagãos ao batismo.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii ↩