08 de outubro — Santa Brígida († 1373)

08 de outubro — Santa Brígida († 1373)
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1     

Santa Brígida, descendente de nobre estirpe da Suécia, figura entre os Santos mais privilegiados da Igreja Católica. O ano de seu nascimento foi provavelmente o de 1302. Órfã de mãe desde a mais tenra idade, foi educada por uma parenta próxima.

Brígida tinha 10 anos, quando ouviu um sermão sobre a Paixão de Nosso Senhor, que muito a impressionou. Na noite seguinte, Cristo lhe apareceu em sonhos, crucificado, todo ensanguentado e chagado. A menina, tomada de profunda compaixão, perguntou:

— “Senhor, quem vos maltratou desta maneira?”

Cristo respondeu-lhe:

— “Foram aqueles que desprezaram meu amor, isto é, aqueles que transgridem os meus mandamentos e se mostram ingratos ao amor infinito que lhes dedico”.

Esta visão e as palavras de Nosso Senhor ficaram gravadas na memória da menina, que desde aquela hora manteve uma devoção terníssima à Sagrada Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

À primeira visão seguiram-se outras mais, principalmente na hora da oração. Rara era a noite que Brígida não se levantasse, para passar umas horas em meditação.

Muitas maneiras inventava seu amor para castigar o corpo e deste modo no sofrimento se unir àquele que tanto sofreu por nossa causa.

Obedecendo a uma ordem do pai, teve de contrair matrimônio com Ulf Gudmarsson, príncipe de Nerícia. Brígida contava apenas 13 anos. Tanta força moral tinha sobre o marido, que este em pouco tempo se tornou piedoso católico praticante, quando antes era amigo do jogo, do luxo e pouco afeito às práticas religiosas.

Ambos entraram na Ordem Terceira de São Francisco. A casa transformou-se-lhes então em uma espécie de convento, em que eram praticadas as mais duras mortificações. Este espírito de piedade e de temor de Deus soube o piedoso casal comunicar aos empregados e subalternos.

Tiveram oito filhos, sendo quatro homens e quatro mulheres. Dois filhos homens morreram na meninice, e outros dois faleceram numa viagem à Terra Santa. Duas filhas, que ficaram em companhia da mãe, eram modelos de virtude e edificavam a todos com seu exemplo. Uma outra fez-se religiosa e santificou-se no convento. A mais nova, Catarina, teve as honras dos altares da Igreja. De tudo isto se conclui que Brígida soube dar aos filhos uma educação primorosa. Ela mesma os instruiu na santa doutrina e na arte de viver santamente. Pela palavra e pelo exemplo, ensinou-lhes a praticarem as obras de misericórdia, penitência, mortificação e piedade.

Com licença do esposo, fundou um hospital, figurando ela mesma entre as enfermeiras, servindo os mais pobres e abandonados. Os serviços mais humildes reservava para si, chegando a lavar e beijar os pés dos pobres enfermos. Em certa ocasião, em companhia do marido, fez uma viagem ao túmulo de São Tiago, em Compostela. Na volta, o companheiro adoeceu gravemente. Numa visão, São Dionísio lhe revelou, entre outras coisas, o restabelecimento do doente. Ulf convalesceu, e Brígida pôde observar uma grande mudança na alma do marido, o qual, farto das coisas do mundo, tomou a resolução de agregar-se a uma Ordem, o que fez com consentimento da esposa. Ulf entrou para a Ordem dos Cistercienses, na qual viveu e morreu santamente.

Brígida viveu ainda trinta anos, entregue inteiramente a obras de caridade, de penitência e de piedade. Em quatro dias da semana, praticava o jejum, sendo o da sexta-feira a pão e água. A maior parte da noite passava-a em oração. Longas horas permanecia diante da imagem do Crucificado ou nos degraus do altar do Santíssimo Sacramento. Diariamente dava alimento a doze pobres, servindo-os à mesa.

Fundou um convento para sessenta religiosas, dando-lhes a Regra de Santo Agostinho, à qual acrescentou algumas constituições. Mais tarde se organizou uma Ordem masculina, sob a observância desta mesma regra. Dessa maneira teve início a célebre Ordem de Santa Brígida. Ela mesma se fez religiosa no convento que fundara e deu às companheiras o exemplo mais perfeito de virtude. Dois anos depois de ter tomado o hábito, foi com a filha Catarina a Roma e à Terra Santa. Acometida de uma febre violenta, voltou doente para sua terra e não mais teve saúde. As grandes dores que sofria, suportava-as com a maior paciência, evocando em espírito a lembrança da Sagrada Paixão de Nosso Senhor. Por amor ao divino esposo desejava poder sofrer mais ainda. Grande consolo trouxe-lhe uma visão de Cristo, que lhe assegurava a salvação. Foi-lhe revelada também a hora da morte. Muito bem preparada e inteiramente conformada com a vontade de Deus, morreu nos braços da filha Catarina, tendo alcançado a idade de setenta e um anos. Antes e depois da morte, Deus glorificou sua serva com numerosos milagres.

O corpo de Santa Brígida foi depositado em Roma, na igreja de São Lourenço, em Panisperna, que pertencia às pobres Clarissas. No ano seguinte (1374), porém, os filhos lhe fizeram a transferência para o convento de Wastein, na Suécia. O Papa Bonifácio IX canonizou-a e fixou-lhe o dia da festa.

Santa Brígida escreveu diversos livros de edificação espiritual. O mais célebre é o livro de suas revelações, composto pelos confessores da Santa e aprovado pelo Concílio de Constança.

REFLEXÕES

Santa Brígida conseguiu do esposo a conversão, transformando-o de grande amigo do mundo em servo de Deus. Aos filhos deu uma educação verdadeiramente cristã. Se as mães de família quisessem praticar as virtudes que Santa Brígida exercitou, bem diferente seria o estado das coisas em muitas famílias. Grandes, muito grandes são os merecimentos que uma mãe de família pode colher para si, mas grande também lhe é a responsabilidade. Quantos e quantos pecados poderiam ser evitados nas famílias, se as mães soubessem levar a cruz com paciência cristã e educar os filhos no espírito de Nosso Senhor! Se Cristo não consegue reinar em muitos lares católicos, a culpa cabe quase sempre aos pais, que, longe de darem bom exemplo aos filhos, os escandalizam pela falta das virtudes mais necessárias e pelas concessões que fazem, a princípios contrários à lei de Deus. Pais cristãos não se devem esquecer nunca do salmista: “Que ponham toda a confiança em Deus, não se esqueçam das obras d'Ele e observem seus mandamentos” (Salmos 77, 7).

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

Em Jerusalém, a morte do ancião Simeão, que tomou o Menino Jesus nos braços e nessa ocasião entoou o célebre cântico “Nunc dimittis”, expressão de sua alegria e gratidão sobre a vinda do Messias.

Em Tessalônica, São Demétrio, governador. O martírio foi a recompensa da frutífera propaganda que fazia da religião cristã. 303. São Nestor, mártir, no mesmo lugar.

No Egito, Santa Thais, penitente, sec. 4.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii
08 de outubro — Santa Brígida († 1373) — Padre João Batista Lehmann