08 de maio — Santa Valburga, Abadessa e Virgem

08 de maio — Santa Valburga, Abadessa e Virgem
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

A Santa abadessa Valburga, cuja memória goza de grande veneração na Alemanha, era de origem inglesa e de sangue real. Seus pais eram Ricardo e Wunna. E os seus irmãos eram São Vilibaldo, Bispo de Eichstätt, e São Vunibaldo, abade de Heidenheim. São Bonifácio, Bispo de Mogúncia, era seu tio materno. De seus pais recebeu uma educação aprimoradíssima. Embora vivesse em palácio real, Valburga levava uma vida retraída, ocupada exclusivamente em oração, leitura espiritual e trabalho manual.

Não querendo outro esposo senão Aquele que apascenta entre os lírios, Valburga fugia de todo contato com pessoas do outro sexo, para desta maneira com mais segurança guardar fielmente a flor da castidade. Para poder dedicar-se unicamente ao serviço do Senhor, entrou no mosteiro de Winburn.

Achando São Bonifácio indispensável o auxílio de religiosas na cristianização da Alemanha, pediu a abadessa Tetta, sua parenta, que lhe mandasse algumas freiras. Entre as primeiras que seguiram para a Alemanha, como missionárias, achava-se Valburga. Depois de viagem penosa e fatigante, chegaram as 30 monjas em Mogúncia no ano de 748. Valburga, tendo notícia que seu irmão Vunibaldo, missionava na Turíngia, não só entre os pagãos, mas também levava os cristãos a uma vida perfeita, para lá se dirigiu com algumas companheiras. Vunibaldo recebeu sua irmã com muita alegria e entregou a ela e às suas Religiosas um convento na Turíngia, onde pudessem fundar uma santa comunidade, vivendo segundo a regra de São Bento. Lá, separada do mundo, Valburga com suas companheiras levava uma vida mais angélica que humana.

Passados alguns anos, Vunibaldo com licença de São Bonifácio, saiu de Turíngia com o desejo de, na Francônia, onde ninguém o conhecia, poder viver na solidão, entregue unicamente à oração e contemplação. Comprou um terreno e fundou um pequeno convento num lugar por ele denominado Heidenheim; ao lado deste seu convento construiu ainda outro para sua irmã Valburga, e suas religiosas.

Estes dois conventos tiveram grande incremento e em poucos anos eram habitados por grandes comunidades, dirigidas uma por São Vunibaldo, a outra por Santa Valburga. Vunibaldo morreu em 761 e em obediência à ordem recebida de São Vilibaldo, Valburga aceitou a direção dos dois mosteiros.

Embora fosse dificílima a tarefa, Valburga dela se desempenhou a contento de todos. Nas práticas de piedade era ela a primeira, nos trabalhos os mais desprezíveis a mais humilde, na observância da regra a mais pontual e em todas as virtudes monásticas o modelo mais perfeito. Sua confiança em Deus era ilimitada, e em muitas ocasiões e situações críticas, esta sua confiança tem sido grandemente recompensada.

Valburga morreu em 779, tendo administrado os dois conventos durante 17 anos. Seu corpo foi pelo Bispo São Vilibaldo sepultado na igreja do convento.

Um século depois foi pelo Bispo Orkar transportado para Eichstätt, onde repousa na Igreja de Santa Cruz. Parte das relíquias de Santa Valburga estão na Igreja de Mannheim.

Os ossos de Santa Valburga segregam um líquido, chamado óleo de Santa Valburga, a que é atribuído um poder sobrenatural. O Jesuíta Gretsero enumeram nas suas memórias várias curas maravilhosas, que se deram com a aplicação do óleo de Santa Valburga.

Reflexões

Embora lhe faltassem às vezes os meios de subsistência, Santa Valburga não se entregava a pensamentos de desânimo.

Há pessoas que se esforçam na prática da vida religiosa. Se acontecer que lhes falte o necessário, se inquietam, se perturbam, e desanimam, não tendo a confiança que deviam ter na Divina Providência. É justo e necessário que o homem trabalhe para ganhar sua vida. Não deve, porém, perder de vista, que tudo vem de Deus, que nada deixará faltar do que é indispensável para a eterna salvação. "Quem te criou, terá cuidado de tua conservação, diz Santo Agostinho. Quem alimenta o assassino, negará o sustento ao piedoso e bom? Quem faz nascer o sol sobre bons e maus, também a ti alimentará. Seria que Ele alimentasse só os que um dia serão condenados e deixasse os bons, os eleitos, morrer de fome?" (Santo Agostinho). São Pedro exorta a todos dizendo: "Atirai todos os vossos cuidados a Ele, e nada vos deixará faltar." (I Pedro 5, 7).

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312
08 de maio — Santa Valburga, Abadessa e Virgem — Padre João Batista Lehmann