08 de fevereiro — São João de Matha, Confessor

08 de fevereiro — São João de Matha, Confessor
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

São João de Matha, o grande fundador da Ordem dos Trinitários, nasceu em 1160, em Faucon, cidade do sul da França. Seus pais, igualmente distintos pela virtude e descendência, consagraram o recém-nascido à Santíssima Virgem. Menino ainda, João mostrava grande amor à oração e aos pobres. O dinheiro que de seus pais recebia para seus modestos divertimentos, repartia-o entre os pobres. Nos dias santos seu passeio predileto era ao hospital, onde servia aos doentes, fazia curativos e prestava outros serviços de enfermeiro. Com distinção terminou seus estudos em Paris. À ciência ligava ele grande virtude e piedade, motivo  por que o arcebispo de Paris não pôs dúvida em ordená-lo sacerdote.

No dia da celebração de sua primeira Missa tomou a resolução de dedicar suas energias à obra da libertação dos cristãos, que gemiam sob o jugo da escravidão dos infiéis. Seu plano obedecia a um duplo fim: libertar os cristãos da escravidão e salvar as almas, que, no contato com povos infiéis, corriam risco de se perder. Antes de pôr em execução este plano, foi ter-se com São Félix de Valois, pobre eremita, que morava perto de Meaux e cuja santidade por todos era reconhecida. Félix acolheu-o com muita satisfação, mas logo percebeu que seu hóspede, longe de ser principiante na vida religiosa, era mestre abalizado, e nesta qualidade o aceitou, não como discípulo, mas como companheiro, que Deus lhe tinha mandado. Nos longos anos, que assim viveram na mais perfeita harmonia e práticas de virtudes heroicas, muitas vezes, se ocupavam do plano de João de Matha, de que Félix estava convencido ser fruto de inspiração divina. Em contínuas e ardentes orações pediram as luzes do Espírito Santo, para uma obra tão nobre e, ao mesmo tempo, dificílima para ser posta em prática. Em 1197 dirigiram-se a Roma para, em audiência particular, apresentar-se ao grande Papa Inocêncio III. Este recebeu-os com muitas honras e aprovou seu instituto. Deu-lhes como distintivo da nova Ordem um hábito branco com uma cruz azul-vermelha no peito. Aludindo a estas três cores, deu-se-lhes o nome de Trinitários ou Irmãos da Ordem da Santíssima Trindade. Aprovada sua obra, João foi nomeado primeiro General da Ordem. O bispo de Paris junto com o abade de São Vítor foram incumbidos da elaboração da regra, que teve a aprovação pontifícia em 1198.

João construiu o novo convento em Cerfroid. A afluência de jovens a esta nova instituição era considerável, e João deu-lhes um novo superior na pessoa de Félix de Valois. Não conseguindo ele mesmo o consentimento do Papa para trabalhar no meio dos infiéis, em breve mandou seus primeiros missionários. Dois dos mesmos libertaram cento e oitenta e seis cristãos, que foram em triunfo levados a Paris. Este brilhante resultado despertou de tal forma o entusiasmo de João de Matha, que renovou seu pedido perante o Papa de lhe ser permitida a viagem a África. Desta vez mais bem sucedido, partiu imediatamente para África, onde resgatou grande número de cristãos. Em 1210 fez sua segunda viagem a Túnis, e grandes foram os tormentos e provações, a que os maometanos o sujeitaram. Seu zelo lhe contraiu um ódio mortal dos infiéis, que de tal modo o maltrataram, que o deixaram meio morto, banhado em sangue nas ruas de Túnis. Neste seu martírio João julgava-se feliz de poder sofrer pela causa de Deus. Logo que recobrara as forças, reuniu todos os cristãos resgatados e embarcou-os num navio que os devia levar a Roma. Os bárbaros, porém, foram ao seu encalce, apoderaram-se do navio, quebraram-lhe o leme, retiraram o mastro, rasgaram as velas, tudo isto para impossibilitar o desembarque dos cristãos. João, porém, não se deixou intimidar. Cheio de confiança em Deus, substituiu as velas pelo seu manto, tomou do Crucifixo e pediu a Deus que dirigisse o navio. Maravilhoso efeito produziu este recurso inspirado pela fé.

Em poucos dias, o navio contra toda a expectativa chegou em Óstia.

Nos últimos anos de sua vida, João percorreu a ltália, França e a Espanha, despertando por toda a parte um vivo interesse pela triste sorte dos cristãos na África. Deus moveu os corações dos ricos, que concorreram com avultadas somas para a realização de uma obra tão generosa e cristã, como era a libertação dos cristãos das mãos dos maometanos. A Ordem desenvolveu-se rapidamente, e tornou-se necessária a construção de novos conventos.

João, outra vez chamado pelo Papa a Roma, lá fora incansável no serviço da caridade: Deus abençoou seu apostolado de tal modo, que milhares de pecadores, entre eles os mais contumazes se converteram a uma vida exemplar.

João de Matha morreu em 1213 na idade de 53 anos, tendo a consolação de ver sua Ordem espalhada e conhecida em todo o mundo. Seu corpo foi depositado na Igreja do seu convento em Roma, e mais tarde transladado para Espanha. Canonizado por Inocêncio XI sua festa foi marcada para o dia 8 de fevereiro.

Reflexões

1. O cuidado principal de São João de Matha era libertar os fiéis do poder dos pagãos, para assim salvar as almas de muita gente. — Tua preocupação constante deve ser preservar tua alma da escravidão do demônio. Pelo pecado é que o homem se torna escravo do inimigo. Para se desenvencilhar dos laços diabólicos, do pecado e do vício, há só um recurso: confessá-lo ao sacerdote e pedir perdão. Obtido este, com máximo cuidado deve-se evitar a recaída. Não disse Nosso Senhor ao paralítico, que obtivera a cura do seu mal: “Eis que ficaste bom; não torne a pecar, para que não te suceda coisa pior” (João 5, 14). “O homem que cair de novo no pecado, do qual alcançou perdão, provoca — diz Teodoreto — a ira de Deus e receberá maior castigo”.

2. São João de Matha, sendo estudante ainda, dava aos pobres o dinheiro que se lhe dava para suas despesas. Quem é mais pobre que os missionários que trabalham no campo das missões, passando por mil necessidades e misérias! A esmola dada aos missionários, por ser destinada à obra mais querida de Deus, que é a propaganda da fé, deve trazer e traz muita bênção já na vida e a garantia de uma boa morte. Se quiseres manifestar tua amizade a Deus e pôr a seguro tua salvação, dá esmola para as missões, auxiliando a grandiosa obra da propaganda da fé.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312