08 de agosto — São Ciríaco e companheiros, Mártires
08 de agosto — São Ciríaco e companheiros, MártiresExtraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
Pelo imperador Diocleciano elevado à dignidade de administrador imperial, Maximiano Hercúlio, para mostrar-se grato a seu senhor, construiu em Roma um palácio de um luxo extraordinário, denominado termas de Diocleciano. Religiosamente era inimigo declarado do cristianismo. Como meio de exterminar a religião odiada dos cristãos, não recorreu à força brutal da perseguição, mas escolheu um outro, não menos bárbaro e eficaz: o mesmo que Faraó do Egito empregou contra os Israelitas. Deu ordem que todo e qualquer indivíduo identificado cristão, quer fosse homem ou mulher, moço ou velho, fosse obrigado a trabalhar nas obras das termas de Diocleciano. Os fiscais tinham ordem de não poupar os cristãos e sobrecarregá-los, de tal modo, que sucumbissem à fadiga. O palácio, edificado com o suor dos cristãos, mais tarde se viu transformado em magnífica Igreja, sob o título de Nossa Senhora dos Anjos.
Um nobre Romano, de nome Tarso, cristão, mas não conhecido como tal, penalizou-se da sorte dos irmãos na fé e resolveu despender grande parte da fortuna para alívio dos oprimidos. O diácono Ciríaco, com os companheiros Largo e Esmeraldo, pareciam-lhe ser ótimos instrumentos na realização daquele intento e não lhe foi difícil ganhá-los à sua obra. Embora procedessem com muita cautela, aos olhos vigilantes dos fiscais não podia escapar a missão, de que estes jovens se desempenhavam entre os cristãos. Foram condenados aos mesmos trabalhos, e era comovedor vê-los no meio dos Irmãos, confortando-os, consolando-os, quando eles mesmos quase desfaleciam sob o jugo pesado da tirania. Maximiano, tendo conhecimento do que se passava, ordenou sua prisão, impossibilitando desta maneira a comunicação entre eles e os cristãos. Deus não os abandonou. A prisão dos três heróis tornou-se célebre, pelos numerosos milagres, com que Deus glorificou seus fiéis servos. Todos os doentes que lhes foram apresentados, recuperaram a saúde. Realizaram-se importantes conversões, fato que lhes causou o martírio. Ciríaco, Largo e Esmeraldo, com mais vinte cristãos, entre estes Crescêncio, Sérgio, Segundo, Victoriano, Faustino, Félix, Silvanus, Mémia, Juliana, Ciriacides e Donata, foram sujeitos a um tratamento bárbaro e finalmente decapitados. Os corpos foram enterrados na Via Salária, perto do lugar da execução. Uma piedosa mulher cristã, de nome Lucina, mais tarde os transladou para um sítio de sua propriedade, na Via Ostiense. A data da trasladação é o dia 8 de agosto de 303.
Hormisdas, nobre Persa, foi vítima de uma perseguição atrocíssima, que os reis do país moveram contra a Igreja cristã. O Rei Varanes, filho de Isdegerdes, ordenou a Hormisdas — assim refere Teodoreto — que negasse a religião de Jesus Cristo. Hormisdas respondeu ao monarca: "Se esta infidelidade merece a pena de morte, qual será o castigo daquele que negar a Deus, Senhor do Universo?" Ao ouvir resposta tão sensata, Varanes se irou e ordenou que despojassem a Hormisdas dos bens, e condenou-o a prestar serviços na companhia dos cameleiros. Hormisdas sujeitou-se humildemente à sentença real e, quando mais tarde Varanes, obedecendo a um sentimento de compaixão, lhe ofereceu um manto precioso, o fiel discípulo de Jesus Cristo deu ainda outra prova de perseverança e constância admirável: "Larga de vez tua teimosia, disse-lhe o Rei — e abandona a religião do filho do carpinteiro!" Hormisdas, ouvindo essa insinuação sacrílega, tomado de grande indignação, fez em pedaços o manto e atirou-o aos pés do Rei, dizendo: "Fica com teu miserável presente, antes que me leves a negar minha fé". Varanes então ordenou a Hormisdas que se retirasse de sua presença, no que foi obedecido prontamente. Hormisdas ficou fiel à religião, até o fim da vida. O martirológio romano enumera-o entre os mártires da Igreja Católica.
Reflexões
À requintada crueldade dos tiranos os santos Mártires opuseram uma firmeza inabalável na fé. Deus provavelmente não exigirá de nós sacrifícios, como dos mártires exigiu. Tanto maior deve ser a nossa resignação, a nossa conformidade com a vontade de Deus, nos sofrimentos comuns, que acompanham a vida. Aconteça o que acontecer, Deus não nos abandonará, e aqueles que amam a Deus, tiram proveito de tudo. Riqueza ou pobreza, saúde ou enfermidade, honra ou desprezo, consolação ou aridez, vida ou morte: tudo redunda em paz e bem àqueles que têm amor de Deus. Esta verdade deve ser nosso guia, ao modo de estrela, cuja luz benéfica nos orienta em todas as vicissitudes da vida.
Santo cuja memória é celebrada hoje:
Em Anazarbo, na Cilícia, a memória de São Marino. Embora de idade avançada, foi cruelmente flagelado, suspenso num andaime e horrivelmente mutilado. Já sem vida, foi atirado às feras. Assim aconteceu quando Diocleciano era imperador.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii ↩