08 de abril — Santo Alberto, Bispo e Patriarca de Jerusalém

08 de abril — Santo Alberto, Bispo e Patriarca de Jerusalém
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Santo Alberto, dos patriarcas de Jerusalém um dos mais eminentes, era natural da Itália, descendente de nobre família do ducado de Parma. Jovem ainda, e com a preocupação de salvar a sua inocência, fez-se religioso e entrou no convento dos cônegos de Santo Agostinho em Mortara, os quais, depois de alguns anos, o elegeram prior da comunidade religiosa. Passados três anos, foi indicado para bispo de Bobbio. Sua modéstia e humildade, porém, não lhe permitiram aceitar esta dignidade. Poucos anos passaram e a vontade do Papa Lúcio III prevaleceu, na sua nomeação de Bispo de Vercelli, e durante o espaço de vinte anos Alberto administrou aquela diocese. Rigoroso contra sua própria pessoa, era condescendente para com os seus súditos; incansável no cumprimento dos seus deveres, era dedicado às obras de penitência, oração e caridade. Espírito muito conciliador, era Alberto o indicado para servir de árbitro em questões de litígio. Assim, o imperador Frederico Barbaroxa valeu-se dos seus bons serviços junto à Sé Apostólica em Roma. Devido à sua intervenção, cessou uma antiga inimizade entre as cidades de Parma e Piacenza.

A fama de sua santidade tinha chegado até a Síria. Quando vagou a Sé Patriarcal de Jerusalém, o clero daquela cidade uniu seus votos em Alberto, para sucessor do Patriarca falecido. O Papa Inocêncio III, não só permitiu esta eleição, mas ainda insistiu com o eleito para que a aceitasse, fazendo-o ver que as condições em que se achava a Terra Santa requeriam um braço forte, se não se preferisse o desaparecimento do cristianismo, diante da pressão fortíssima do maometanismo. Alberto, obediente à voz do Sumo Pontífice, entregou a administração de sua Diocese a um sucessor, apresentou-se ao Papa e de Roma foi para a Palestina. Estando Jerusalém sob o domínio dos Sarracenos, o bispo da metrópole fixou sua residência em Acre. Antes de mais nada, procurou conhecer bem a situação da Igreja naquele país. Com orações e jejum, pediu à luz de cima para acertar com os meios de socorrer a cristandade nas suas necessidades. Deus o iluminou e abençoou seus trabalhos, de um modo palpável. — Grande número daqueles, que tinham abandonado a fé, voltaram ao seio da Igreja, e outros, transviados no caminho do pecado e do vício, converteram-se contritos. Sua palavra, mas antes de tudo sua santidade, fizeram com que gozasse do maior prestígio não só entre os cristãos, mas ainda entre os inimigos da cruz, os sarracenos, o que muito concorreu para a situação da Igreja tornar-se bem mais tolerável.

Além dos seus trabalhos pastorais, incumbiu-se Alberto da redação de uma regra da Ordem do Carmo. Os Carmelitas eram eremitas, que moravam no monte Carmelo. Padroeiro deles era o profeta Elias, que com os seus discípulos habitara no mesmo lugar. A regra que Alberto lhes deu é um documento de sua sabedoria e prudência. Desde aquele tempo, começou a Ordem a tomar grande incremento.

Oito anos durou o patriarcado de Alberto na Palestina. Estimado por todos, surgiu-lhe um inimigo, na pessoa de um malfeitor, natural de Caluso, em Piemonte. Alberto, vendo o mau procedimento daquele homem, tinha por diversas vezes, por meios persuasivos, procurado afastá-lo da senda do crime. Porém, em vez, de se emendar, sua vida tornou-se cada vez mais escandalosa, chegando afinal ao ponto de merecer a pena de excomunhão, com que o patriarca o ameaçou. Exasperado com a justa energia do Prelado, jurou tirar desforra. Na festa da Exaltação da Santa Cruz, quando o Patriarca, rodeado de muitos representantes do clero, exercia as altas funções de oficiante do culto religioso, o criminoso penetrou no recinto sagrado e apunhalou-o. Alberto morreu quase instantaneamente, pranteado pelos fiéis, que o veneravam como Santo.

Reflexões

O exemplo de Santo Alberto ensina-nos como devemos santificar os primeiros momentos do dia. Com a oração nos lábios, saudava a luz do novo dia, convencido de que nada de bom este podia trazer-lhe, sem que Deus o houvesse abençoado. "Ao acordares, aconselha São Boaventura, — oferece ao Senhor as primícias dos teus pensamentos e afetos". Muita coisa depende desta oferta matutina. O demônio disputa para si estes momentos preciosos, sabendo ele muito bem, que deles e do modo de os passar depende o dia todo. A oração da manhã é coisa que ninguém deve dispensar. Ninguém venha a dizer que lhe falta o tempo para rezar. Tendo tempo para as refeições, para as conversações e para os divertimentos, não se deve dizer que, para rezar, tempo nenhum sobra. Quanto maior for o trabalho, quanto mais pesada a responsabilidade, tanto mais precisamos da graça divina. Fiquemos certos de uma coisa: sem a graça de Deus, nada faremos; sem sua bênção, o nosso trabalho nada vale. Em tudo e para tudo, precisamos da sua assistência divina. "Antes do sol nascer, vos agradecerei, Senhor; ao amanhecer, dou-vos louvor" (Sabedoria 16, 28).

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312