07 de outubro — Santa Ositha, Virgem e Mártir
07 de outubro — Santa Ositha, Virgem e MártirExtraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
Santa Ositha, de alta linhagem, nasceu na Inglaterra, em princípios do século VII. Os pais, Friedebaldo e Wilteberga, ambos muito piedosos, educaram-na cristãmente, confiando-a mais tarde ao cuidado maternal das santas religiosas da Ordem Beneditina. Superiora do Convento era Santa Edith, irmã do Rei Alfredo. A instrução, o exemplo das Irmãs, a vida monástica com todos os seus encantos, fizeram com que na alma da menina tomasse forma cada vez mais acentuada o desejo de dedicar-se a Deus de um modo particular.
Passados alguns anos, quis o pai que voltasse para casa. Ositha reconheceu bem os perigos que sua alma correria em contato com o mundo e tomou as precauções indispensáveis para guardar intacta a inocência. Para este fim recorreu à penitência, à oração e principalmente ao uso do remédio mais eficaz, que é a recepção frequente da Santa Comunhão.
Naquele tempo, a Inglaterra, ou como a chamavam, — a Britânia, era o objeto cobiçado pela ambição dos Saxões. Sigero, chefe dos Saxões, pediu Ositha em casamento, a que prontamente anuíram os pais da donzela. Ositha, porém, negou-se a aceitar a proposta do Conquistador. Pouco lhe valeu a resistência, pois, pelos próprios pais, foi obrigada a tomar Sigero por marido.
O casamento foi celebrado com esplendor extraordinário. Para Ositha foi um dia de indizível tristeza. No íntimo do coração pedia a Deus que lhe desse uma proteção extraordinária, para que pudesse guardar intacta a pureza. Essa oração foi ouvida, pois, contra toda esperança, obteve do marido a declaração e garantia de respeitar-lhe sempre a virgindade.
Aconteceu que Sigero tivesse de ausentar-se por algum tempo do castelo. Ositha, aproveitando-se da ausência do marido, fechou-se num convento, cortou o cabelo e vestiu o hábito religioso.
Voltando Sigero, se bem que sentisse dolorosamente a ausência da esposa querida, consentiu que ela continuasse a vida no convento. Fez mais: fundou um novo convento para Ositha e aquelas santas pessoas que, seguindo o exemplo da mesma, com ela quisessem viver em santa comunidade.
Passaram-se os anos e vieram piratas dinamarqueses, que espalharam o terror na Inglaterra. Incêndios, pilhagens, assassinatos e crimes de toda a espécie marcaram os caminhos por onde passaram aqueles bárbaros. Com um furor especial atacaram o convento de Ositha. O chefe dos bandidos, enlevado pela beleza da santa mulher, de cuja nobre descendência teve conhecimento, quis que ficasse em sua companhia. Ositha, porém, repeliu enérgica e sobranceiramente a vil proposta, fazendo-lhe ver que relação nenhuma podia haver entre ela e ele, que, além de tudo, era pagão. O bárbaro não estava disposto a largar a presa, e prosseguiu nas insistências, não conseguindo, entretanto, outra resposta senão um peremptório “não”.
Vendo, afinal, que era inútil todo o empenho em conquistar a simpatia de Ositha e tê-la por esposa, mudou de tática, procurando intimidá-la com terríveis ameaças. Ositha ficou inexorável. Se antes resistiu às blandícias e brilhantes promessas do terrível inimigo, as ameaças do mesmo tão pouco conseguiram amedrontá-la e alterar-lhe a atitude. Pelo contrário, em alto e bom som declarou que maior honra não lhe poderia ser dada do que poder derramar o sangue em testemunho de seu amor a Jesus Cristo. O bárbaro então não mais se conteve. Tomado de um ódio irreprimível, avançou contra Ositha e, de um golpe com a espada, cortou-lhe a cabeça, dando assim à Igreja mais uma mártir.
O túmulo de Ositha foi glorificado por muitos milagres, outros tantos testemunhos de sua grande virtude e da santidade da Religião, de que era fidelíssima serva.
REFLEXÕES
Santa Ositha conservou a virtude no meio tentador que era a corte, onde vivia. Não há lugar no mundo, onde não seja possível viver-se santamente. De Ló, a Bíblia diz que se conservou puro, vivendo na corruptíssima cidade de Sodoma. Mas, também não há lugar no mundo, onde a tentação não chegue, e onde não haja perigo de pecado. Pela graça de Deus dispomos de meios poderosos, para nos defender contra esse perigo. Uma dessas armas é a santa Comunhão. “Quem come desse pão — disse Nosso Senhor — viverá eternamente”, — isto é, estará sempre na graça de Deus. Como o alimento material deve ser tomado diariamente, a santa Comunhão, sendo o alimento da alma por excelência, deve ser recebida também frequentemente. Foi por este motivo que Jesus Cristo nos deu o Santíssimo Sacramento em forma de pão. “O Santíssimo Sacramento é a saúde da alma e do corpo — diz Tomás de Kempis — o remédio de toda a enfermidade espiritual. Cura os vícios, reprime as paixões, dissipa as tentações ou enfraquece-as, aumenta a graça, corrobora a virtude, confirma a fé, fortalece a esperança, inflama e dilata a caridade” (Imitação de Cristo, 4, sec. I, cap. 4).
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii ↩