07 de novembro — Santo Engelberto, Arcebispo († 1225)

07 de novembro — Santo Engelberto, Arcebispo († 1225)
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Os pais de Santo Engelberto eram descendentes dos duques de Berg e Geldern. Cristãos fervorosos que eram, esmeraram-se na educação religiosa e cívica do filho. Este, por sua vez, revelou logo um espírito independente, ávido de glórias, honras e riquezas deste mundo. Por uma proteção especial divina, ficou alheio aos vícios costumeiros da mocidade. Acessível aos influxos da divina graça, bem cedo compreendeu a vaidade dos bens deste mundo. De direito cabiam-lhe diversos benefícios eclesiásticos, entre outros a mitra do Bispado de Münster, à qual renunciou espontaneamente.

Quando, pela morte do Imperador Henrique VI, a Alemanha foi teatro de sérias perturbações, Engelberto, para atender a um desejo particular do Papa, aceitou o arcebispado de Colônia e foi sagrado Bispo em 1215. Desde aquele tempo, não havia para Engelberto outros interesses, a não ser a glória de Deus, a salvação das almas, disciplina e ordem nas igrejas e conventos. Os direitos da mitra acharam em Engelberto um defensor impertérrito, até contra os amigos e parentes. A todos estava franqueado o acesso ao palácio do Arcebispo, e os pedidos de todos, ouvia com paciência, atendendo-os sempre que lhe era possível. A retidão do seu caráter não admitia que um súdito fosse tratado com injustiça pelos seus subalternos, fosse quem fosse. Nas decisões jurídicas decidia sempre o direito, não a posição das pessoas ou o interesse.

Os pobres tinham no arcebispo um verdadeiro pai. Amigo do clero, dava aos sacerdotes pobres sustento e roupa. Grande admirador da vida monástica, não admitia que religiosos e sacerdotes pobres sofressem algum desacato. Uma vez por semana jejuava em honra da Santíssima Virgem e, quotidianamente, se dirigia à Mãe celestial, pedindo-lhe que fosse seu amparo na vida e na morte.

Quanto era estimado na Alemanha, prova-o o fato do Imperador Frederico II, por ocasião de uma viagem à Itália, ter-lhe confiado, não só a autoridade sobre o filho, como a administração do Império, cargo que desempenhou com inteira satisfação do Imperador e da nação toda. Uma morte violenta pôs termo a uma vida tão útil e abençoada, quando Engelberto entrava no décimo ano de episcopado.

Em Essen existia um convento de freiras, que sofria as maiores opressões e injustiças da parte de Frederico, duque de Isenburg. Apesar dos protestos das freiras, das admoestações do Papa Honório e ameaças do Imperador, o duque continuou a injusta campanha. Em vista disto, o Papa e o Imperador incumbiram a Engelberto de proteger as religiosas, contra o opressor. Engelberto, por escrito e oralmente, insistiu com o duque, para que modificasse o procedimento para com as freiras. Em vão. Frederico, com receio de Engelberto recorrer à força armada, resolveu livrar-se deste admoestador incômodo. O arcebispo recebeu um convite para consagrar uma igreja fora da cidade. Já estava o dia da partida marcado. O ímpio duque aproveitou-se desta ocasião para executar o plano tenebroso. Na véspera da partida recebeu Engelberto uma carta anônima informando-o dos intentos do inimigo. O arcebispo, após a leitura da carta sinistra, atirou-a ao fogo. Parecia-lhe impossível que um homem cristão fosse capaz de praticar tal crime. Achou, porém, prudente tomar providências e preparar-se para qualquer eventualidade. Neste sentido, fez uma confissão geral, preparando-se para a morte. Feita a confissão, disse resoluto: "Faça-se o que Deus quer". Às pessoas que quiseram dissuadi-lo da viagem, respondeu: "À Divina Providência recomendo meu corpo e minha alma!"

Engelberto, acompanhado da comitiva, pôs-se a caminho. O duque tinha-lhe mandado dois soldados ao encontro. Deus permitiu que os planos do inimigo se realizassem. Em determinado ponto, achando-se o arcebispo um tanto afastado dos companheiros, foi assaltado, horrivelmente maltratado e morto por quarenta e sete punhaladas. As últimas palavras do Santo foram: "Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem". Assim morreu o arcebispo Santo Engelberto, mártir pela justiça; pois por questões de direito foi perseguido e morto. O túmulo de Engelberto, na igreja dos Apóstolos, foi por Deus glorificado por numerosos e visíveis milagres.

REFLEXÕES

Imitando o exemplo de Jesus Cristo, Engelberto perdoava aos assassinos, rezando por eles. Qual é a tua atitude perante aqueles que te ofenderam? Já te lembraste deles alguma vez nas tuas orações? Se julgares dura esta exigência, ouve o que diz Santo Agostinho: "Confesso que é duro, dever rezar pelos inimigos. Se isto é difícil, grande deve ser a recompensa na outra vida". O perdão dos inimigos é um mandamento de Jesus Cristo. Nosso Senhor ameaça com o inferno àqueles que não querem perdoar. Ele mesmo, não só não se vingou dos inimigos, mas por estes rezou, pedindo ao Pai que lhes perdoasse. "Sentir tristeza é humano, diz São Jerônimo, mas ao cristão convém refrear a ira e perdoar de coração aos inimigos".

Santos cuja memória é celebrada hoje:

Em Albi, na França, o martírio de Santo Amaranto, na perseguição de Décio. Séc. 3.

Em Pádua, a morte de São Prosdócimo, primeiro bispo desta cidade.

Em Perúgia, a memória de Santo Herculano, bispo e mártir.

Em Utrecht, a morte de São Vilibrordo, bispo.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii