07 de junho — São Paulo de Constantinopla, Bispo e Mártir
07 de junho — São Paulo de Constantinopla, Bispo e MártirExtraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
Paulo, natural de Tessalônica, diácono da igreja de Constantinopla, foi em 340 elevado à dignidade de Bispo da mesma cidade. Se, por seus talentos, sua dedicação à igreja, possuía a inteira confiança dos católicos, da parte dos Arianos sofreu desde a sua posse a mais atroz perseguição. Entre seus principais inimigos figurava Eusébio, Bispo ariano de Nicomédia, que por meio de intrigas e calúnias conseguiu do imperador Constâncio a convocação de um concílio de bispos arianos, que declararam Paulo deposto e em seu lugar colocaram Eusébio. Paulo, impotente contra as arbitrariedades dos seus inimigos, favorecidos pela autoridade imperial, retirou-se para Trèves, onde teve gentil acolhimento da parte do imperador Constante e do Bispo São Maximino. De Trèves seguiu para Roma, onde, junto com Santo Atanásio, assistiu ao concílio convocado em 341 pelo Papa Júlio. Este Concílio reconheceu o direito dos Bispos Atanásio, Paulo e Marcelo de Ancira e ordenou que os mesmos fossem restituídos às suas respectivas dioceses. Esta decisão foi oficialmente comunicada a todos os bispos orientais. Eusébio morreu em 342, deixando a cidade dividida em dois grandes acampamentos — ariano e católico. Os arianos tinham eleito Macedônio como sucessor na cadeira patriarcal, quando Paulo, apoiado pelos católicos, se apresentou como legítimo patriarca de Constantinopla. Grande foi a agitação que chegou a degenerar-se em guerra civil, o que vitimou a Hermógenes, general especialmente destacado pelo imperador para restabelecer a ordem. Foi preciso a intervenção pessoal de Constâncio, que se achava em Antioquia. A paz voltou, mas Paulo foi desterrado. Só em 344 pôde voltar para Constantinopla e tomar posse de sua diocese.
Os Arianos, porém, não descansaram e, quando pela morte de seu irmão Constante, o imperador Constâncio tomou abertamente o partido dos sectários, estes expulsaram novamente Paulo, pondo em seu lugar Macedônio.
Paulo foi transportado para Tessalônica, onde, apesar de sua triste sorte, gozou de relativa liberdade, bem contra o gosto dos seus inimigos. Estes souberam apoderar-se de sua pessoa e transportaram-no para Cucuso, lugar deserto no Tauro, e fecharam-no numa igreja escura. Abandonado por todos, vigiado por seus inimigos, lá permaneceu durante seis dias, sem que lhe fosse fornecido o necessário sustento. No sexto dia, achando-o ainda com vida, tiveram a crueldade de o enforcar. Ao povo, fizeram crer que morrera em consequência de uma doença. Sua morte se deu no ano de 350 ou 351.
Santo Atanásio soube a verdade do martírio de Paulo pelo depoimento de Philagio, oficial ariano, que presenciara a cena. O corpo do mártir foi transportado para Constantinopla e depositado na igreja que Macedônio tinha construído e que mais tarde recebeu o nome de São Paulo. Desde o ano de 1226, as suas relíquias são guardadas e veneradas na igreja de São Lourenço, em Veneza.
Reflexões
Cheia de amarguras estava a vida de São Paulo. É esta a sorte aqui na terra dos filhos de Deus e dos herdeiros do céu. Para nos poder dar uma coroa de rosas, no fim da vida, Deus fez-nos ferir os pés nos duros e agudos espinhos. Todos têm vivo em seu coração o desejo da felicidade. Felizes daqueles que sabem por experiência própria onde a podem encontrar. É uma grande coisa saber que o nosso coração só pode ser feliz em Deus. O desejo de pertencer a Deus cresce proporcionalmente com o sofrimento. Os eleitos de Deus todos cursam a escola da cruz. Por isso, devemo-nos felicitar, quando a divina Providência reservou para nós uma parcela da cruz santificada pela cruz de Nosso Senhor. Quem sofre com Cristo e como Cristo realiza em si a imagem de Jesus Cristo; quem traz em sua alma a imagem de Cristo, pertence ao número dos eleitos e será glorificado. Quem persevera na cruz, pode, no fim de sua vida, com o apóstolo São Paulo dizer: "Está próximo o dia da minha partida; pelejei boa peleja, terminei a carreira; conservei a fé; no mais sei que me é reservada a coroa da justiça, que o Senhor me dará naquele dia, Ele, o justo juiz, e não só a mim, mas a todos aqueles que amam a sua vinda." (II Timóteo 4, 6-8).
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312 ↩