07 de janeiro — São Luciano de Antioquia, Sacerdote e Mártir

07 de janeiro — São Luciano de Antioquia, Sacerdote e Mártir
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Samósata, cidade da Síria, é a terra de São Luciano. Menino de doze anos apenas, perdeu seus pais, mas tão firmado já estava na virtude cristã, que distribuiu seus bens entre os pobres e procurou asilo no convento do abade Macário, para poder se instruir ainda melhor nos princípios da fé cristã e da santa perfeição. A prática constante das virtudes e o estudo dedicado dos livros sacros prepararam a Luciano para a luta contra as heresias do seu tempo.

Tendo recebido em Antioquia o Sacramento da Ordem, dedicou-se primeiramente ao ensino nas escolas primárias com o fim de dar à mocidade uma instrução e educação nos moldes dos princípios cristãos. Pelo estudo e pela prática adquiriu conhecimentos tão sólidos nas ciências bíblicas que pôde organizar uma nova edição de livros sagrados, corrigindo erros que por descuido ou por malícia se tinham insinuado nas traduções antigas. Esta nova edição teve acolhimento gratíssimo e prestou grandes serviços mais tarde a São Jerônimo, quando por ordem do Papa Dâmaso fez nova tradução da Escritura Sagrada.

Sua autoridade e competência eram tão acatadas, que todos, fiéis e hereges, a ele se referiam. Sua ortodoxia foi valorosamente defendida por São Crisóstomo e Santo Atanásio contra os arianos que tinham chamado seu testemunho em favor da sua heresia. O fato de Luciano ter sido preso em Nicomédia, por causa de uma controvérsia com um sacerdote herético, é prova cabal da retidão da sua doutrina. Uma apologia da Religião Católica apresentada ao Imperador Maximiano tem a Luciano por autor.

A decretação da guerra de extermínio à Igreja por Diocleciano, surpreendeu a Luciano, quando se achava em Nicomédia. Por ser católico e sacerdote de Cristo, foi encarcerado. Da sua prisão dirigiu uma carta aos fiéis em Antioquia, comunicando-lhes que o Papa Antimo tinha sofrido o martírio e o incumbira de lhes transmitir suas saudações. Nove anos durou sua prisão. Passado este longo tempo, foi apresentado em juízo ao governador imperial ou ao próprio imperador. O processo que os juízes adotaram para fazê-lo abjurar sua religião foi o de costume: elogios, promessas, ameaças e condenação. Luciano ficou firme e sua resposta a todos os argumentos e propostas do juiz foi “Sou cristão!” O imperador mandou o servo de Deus sujeitar-se à crudelíssima flagelação, que não deixou um lugar são no corpo da vítima e, depois ordenou, que ela, assim horrivelmente maltratada, fosse deitada sobre cacos de vidro e pedras agudas. Quinze dias passou o mártir nesta posição, sem que alguém se tivesse lembrado de oferecer-lhe de comer. Quando depois lhe apresentaram comida, esta era deliciosa, apetitosa; mas Luciano a rejeitou resolutamente, porque eram iguarias que tinham vindo dos templos dos pagãos.

Pela segunda vez Luciano foi citado perante o juiz. O resultado não foi outro. Negando-se a sujeitar-se às exigências do juiz, foi de novo submetido à dolorosíssima tortura e metido no cárcere. Aos fiéis que o visitaram, o santo sacerdote os exortava à constância na Fé. Para fortificar a si mesmo e a seus irmãos, celebrou a Santa Missa sobre seu próprio peito e deu a Santa Comunhão a si e a todos os fiéis presentes. Esta sua última Missa foi o prefácio de sua morte gloriosa. São Crisóstomo afirma que Luciano morreu pela espada. Outros, porém, dizem que foi estrangulado secretamente por ordem de Maximiano. Seu corpo foi afundado no mar. Poucos dias depois, porém, os cristãos encontraram-no na praia e deram-lhe honrosa sepultura. As relíquias do mártir estão na igreja principal de Arles, na França. São Luciano morreu em 7 de janeiro de 312.

Reflexões

Imita a São Luciano no seu zelo pela propaganda da Fé entre os infiéis e, pela conservação da mesma entre os católicos. Embora não possas como os missionários tomar parte ativa na grande obra das missões estrangeiras, de muitos meios dispões para indireta, porém, eficazmente auxiliar esta obra eminentemente católica: a oração, uma vida santa e a esmola. A oração é indispensável para que o Reino de Cristo possa tomar incremento cada vez mais forte. Cristo mesmo ensina-nos como devemos rezar pelo advento do seu Reino: “Venha a nós o Vosso Reino.” A oração pela conversão dos infiéis é agradável a Deus e corresponde admiravelmente ao espírito da Igreja. — O bom exemplo de uma vida santa muito contribui para que se realize o desejo de Nosso Senhor, de ver seu Reino se firmar cada vez mais entre os homens. O bom exemplo edifica, e mais do que a palavra, obriga a respeitar e admirar uma religião que dos homens faz verdadeiros amigos de Deus. Se vives entre hereges e incrédulos, teu bom exemplo pode, com a graça de Deus, ocasionar a conversão de muitos. — Auxiliar as missões estrangeiras com a esmola é não só uma obra de caridade, mas das obras de caridade uma das maiores. Poderás dos teus bens fazer uso melhor que empregá-los em benefício da conversão dos infiéis? Dar esmola para este fim não é trabalhar diretamente pelos interesses de Jesus Cristo? Quanta esmola poderias dar, se quisesses privar-te de vez em quando de uma diversão ou impor-te um sacrifício em coisas dispensáveis! Quanto tributo supérfluo pagas aos teus caprichos, à moda, ao luxo etc. Quanto bem poderias fazer, se quisesses com teu óbolo contribuir para a formação do clero missionário ou subvencionar os estabelecimentos de ensino, de caridade ou as pobres capelas das missões! Que pretendes fazer no futuro em referência a este assunto?

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312