07 de fevereiro — São Romualdo, Abade

07 de fevereiro — São Romualdo, Abade
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Ravena é a cidade, onde, em 956, descendente da nobre família dos duques de Honesti, nasceu Romualdo. País sem religião, como foram os de Romualdo, nenhuma educação deram ao filho que, entregue à sua própria vontade, gozava de toda a liberdade até a idade de 20 anos. Vivendo segundo os princípios do mundo, aspirações superiores lhe faltaram e seus dias corriam alegres entre os exercícios de diversos esportes. Oração, audição da palavra de Deus, leitura de bons livros, exercícios espirituais não eram de seu gosto; antes pelo contrário, repugnava-lhe. Deus, porém, abriu-lhe os olhos, por um fato que muito o impressionou. Seu pai, Sérgio, em duelo, na presença de Romualdo, matou um dos seus melhores amigos. O resultado foi, que Romualdo se retirou para o convento beneditino em Classis, com a intenção de, no sossego do claustro, achar a tranquilidade de espírito. Foi a primeira vez na sua vida, que fez exercícios de piedade. Um dos religiosos, que mais se interessava pela salvação do jovem conde, sugeriu-lhe a ideia, de abandonar o mundo e tomar o hábito da Ordem. Romualdo, porém, não se mostrou disposto a seguir este conselho. Só depois de uma aparição que teve, de Santo Apolinário, padroeiro do convento, resolveu a dedicar-se ao serviço de Deus na Ordem de São Bento. Tal foi o seu zelo, tanta a sua dedicação, que em pouco tempo chegou a ser um religioso modelo. O rigor e a pontualidade com que observava a regra da Ordem, no meio dos próprios religiosos, provocou uma indisposição e animosidade tão fortes contra Romualdo, que este achou indicado, como medida de prudência, sair do convento. Com licença do Superior procurou o eremita Marino, em cuja companhia continuou as práticas da vida religiosa.

Seu exemplo abriu a alguns amigos o caminho para a vida religiosa. O próprio pai de Romualdo fez-se religioso e entrou em uma Ordem religiosa. Se bem que lutasse com muitas dificuldades e mais de uma vez estivesse a ponto de voltar para o século, a palavra e a oração de seu filho fizeram com que perseverasse no serviço de Deus.

Romualdo voltou para o convento de Classis, onde tinha feito seu noviciado. Deus permitiu que fosse provado pelas mais fortes tentações contra a virtude da pureza, contra a vida religiosa e contra a fé. Parecia-lhe quase impossível continuar na sua vocação. O remédio e a salvação em tão duro transe foi a oração. No meio da tribulação dirigiu-se a Jesus Cristo, e com a alma angustiada, perguntou ao Salvador: “Jesus, por que me abandonastes? Entregaste-me inteiramente ao poder dos meus inimigos?”

A grande obra, para a qual Deus chamou seu servo, e que este, apesar de muitas dificuldades interiores e exteriores, com ótimo resultado realizou, foi a reforma da disciplina monástica. O convento mais célebre fundado por Romualdo foi o de Camaldoli, em Toscana, que deu à Ordem toda o nome de Ordem dos Camaldulenses. Extraordinário era em Romualdo o espírito de penitência. Sua vida foi um constante jejum, uma mortificação ininterrupta. “Como me confunde a vida dos Santos! Contemplando-a, queria morrer de vergonha”, ouviu-se o Santo muitas vezes dizer. Já no fim da vida, disse a um religioso de sua confiança: “Vai para vinte anos, que estou me preparando para a morte; quanto mais faço, tanto mais me convenço de que não sou digno de comparecer na presença de Deus”. Romualdo morreu em 1027. Seu túmulo tornou-se glorioso pela multidão de milagres, que Deus obrou pela intercessão do Santo. Quando, cinco anos depois do seu trânsito, abriram o túmulo de Romualdo, seu corpo foi encontrado intacto, sem um sinal de decomposição. O mesmo espetáculo se repetiu 440 anos depois. Romualdo foi canonizado por Clemente VIII, em 1596.
 
Reflexões
 
A santa vida de Romualdo deve lembrar-te de alguns pontos de grande alcance para a vida religiosa, pontos dignos de consideração e imitação:

1. São Romualdo fez penitência pelos pecados cometidos em sua mocidade. Quando tu começarás a penitenciar-te pelo tempo que passaste, talvez, em pecados graves e feios vícios?

2. A lembrança das vaidades a que se entregou na mocidade, causou amargura e tristeza a São Romualdo, enquanto, da penitência e mortificação, colheu a mais pura alegria e consolação. Os prazeres do mundo não trazem paz e contentamento à alma. O mais forte consolo que poderemos experimentar na hora da morte, será a lembrança dos anos que passamos no serviço de Deus.

3. Durante vinte anos São Romualdo se preparou para uma morte santa, sempre com medo de perder esta graça, de todas a maior. Tu não receias a morte e para ela não te preparas? Não sabes que dela depende a eternidade toda, e que não pode ser boa uma morte, que não teve preparação alguma?

4. São Romualdo fazia mortificações nas refeições, não tocando em comidas que lhe apeteciam, dando-as depois aos pobres.
Não podias imitá-lo nesta prática de penitência e caridade? Mortificações desta natureza são agradáveis a Deus e atraem a sua santa bênção.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312
07 de fevereiro — São Romualdo, Abade — Padre João Batista Lehmann