07 de agosto — São Caetano de Thiene, Confessor

07 de agosto — São Caetano de Thiene, Confessor
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

São Caetano, fundador da Ordem dos Caetanos ou Teatinos, nasceu em 1480, em Vicenza, de pais ilustres e virtuosos. Logo após o batismo, foi a criança, pela mãe, oferecida e consagrada à Santíssima Virgem. A vida desse Santo prova que não ficou sem efeito a oração de sua mãe.

Diferente dos outros meninos, mostrava Caetano, desde pequeno, grande inclinação à oração e obras de caridade. Exemplar em tudo, era, entre os companheiros de infância, chamado "o Santo".

Mais tarde, fez os estudos, doutorou-se em direito civil e eclesiástico e do Papa Júlio II recebeu a ordenação sacerdotal.

Morto o Papa Júlio II, voltou à sua terra e dedicou-se quase exclusivamente ao serviço hospitalar. A única ambição que tinha, era salvar almas. O povo dizia: "Caetano no altar é Anjo, no púlpito Apóstolo". Não perdia ocasião de conduzir almas a Deus Nosso Senhor, o que lhe importou o apelido: "Caçador de almas".

Na segunda viagem a Roma, fundou, com três companheiros, uma nova Ordem, cujo plano era: a santificação própria, combater a tibieza e ignorância entre o clero, regenerar os maus costumes da sociedade, observar escrupulosamente as cerimônias litúrgicas, restabelecer o respeito e reverência na casa de Deus, exterminar as heresias e assistir aos doentes e moribundos; numa palavra — trabalhar pelo bem do próximo.

Deu aos religiosos uma regra, que os obriga à perfeita pobreza, proibindo-lhes não só aceitar a mínima recompensa pelos trabalhos, mas vedando-lhes até pedir esmola.

Por mais rigoroso que isto parecesse, houve muitos que pediram para serem aceitos como membros da nova Ordem. A primeira casa foi fundada em Roma. Um ano depois tiveram de fugir da Cidade Eterna por causa da invasão do exército imperial. Uma segunda casa foi fundada em Nápoles. Devido à intervenção enérgica de Caetano, a heresia luterana não conseguiu tomar pé naquela cidade.

Apóstolo do bem, era Caetano de extremo rigor contra si mesmo. A vida era-lhe um jejum contínuo, uma penitência sem fim. É verdade que nisto não lhe consistia a santidade, mas certo é que Deus o distinguiu com privilégios e dons extraordinários. Muitas vezes teve aparições de Nossa Senhora, das quais a mais memorável foi a da noite de Natal, em que Maria Santíssima se dignou de apresentar-lhe o Divino Infante. Contam-se às centenas as curas maravilhosas feitas pela oração do santo servo de Deus. Em muitas ocasiões predisse o futuro, com uma certeza tal, que não deixou dúvida de tê-la recebido diretamente de Deus.

A série das obras de caridade para com o próximo quis Caetano rematá-la com uma, que lhe mereceu a gratidão do povo de Nápoles. As autoridades civis e eclesiásticas de Nápoles tinham resolvido a introdução da Inquisição, para ter uma arma forte contra a insinuação da heresia, que vinha da Alemanha. O povo opôs-se a este plano e a tal ponto chegou a excitação, que era para se recear uma revolução. Os homens mais sensatos em vão se esforçaram para tranquilizar a população. São Caetano, vendo o prejuízo enorme que daí resultaria para as almas, ofereceu a vida a Deus, pedindo-lhe que a aceitasse, para que fosse conservada a paz e concórdia entre o povo e as autoridades. Deus aceitou o sacrifício. Caetano adoeceu gravemente e morreu. Imediatamente amainou a tempestade e os espíritos se acalmaram, fato que todos atribuíram à intervenção do Santo. As últimas palavras que disse, foram: "Não há outro caminho para o céu, a não ser o da inocência e da penitência. Quem abandonou o primeiro, tem de trilhar o segundo". Caetano morreu em 1547.

Reflexões

“Não há outro caminho para o céu senão o da inocência ou o da penitência”. A verdade dessas palavras está confirmada pela Sagrada Escritura. A consciência diz a cada um qual é o caminho que deve tomar.

A vida de São Caetano apresenta ainda outras coisas à nossa consideração, por exemplo, o desapego dos bens terrestres e a confiança ilimitada na Divina Providência. O mal de muita gente é uma preocupação exagerada com as coisas do mundo. Com receio de experimentar prejuízo, não se dão à pena de rezar de manhã e de noite, de ouvir a santa Missa. A atenção está concentrada num ponto só: ganhar dinheiro. Que sem a bênção de Deus nada conseguem, é uma circunstância de que não se lembram. Não devemos pertencer a essa classe de gente. A nossa confiança deve estar em Deus, que veste os lírios do campo e dá alimento às aves do céu. Procuremos primeiro o reino dos céus e tudo o mais nos será dado por acréscimo.

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

Em Arezzo, na Toscana, o mártir Donato, bispo daquela cidade. Seu martírio ocorreu no governo de Juliano Apóstata.

Em Gondar, na Etiópia, os bem-aventurados Agatângelo e Cassiano, da Ordem dos Capuchinhos, martirizados em 1638.

No México, Pedro de Ávila, assassinado por apaches. 1670.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii