06 de setembro — São Magno, Abade

06 de setembro — São Magno, Abade
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

A terra de São Magno ou Magnoaldo, o grande Apóstolo da Suábia, é a região circunvizinha do Lago de Constança.

São Magno não era companheiro de São Galo, como querem alguns biógrafos antigos, mas educou-se e formou-se no convento deste grande Santo, observando rigorosamente a regra de São Columbano. Com a chegada de Santo Othmar, que coincidiu com a introdução da regra de São Bento na Abadia de São Galo, Magno com mais alguns companheiros deixou a cela, para dedicar-se aos trabalhos apostólicos, como missionário. Na primeira viagem se encontrou com um cego, que lhe pedia uma esmola. Magno fez o sinal da cruz sobre ele e o pobre recuperou a vista no mesmo instante. Em transportes de alegria, o beneficiado em altos brados manifestou-lhe a gratidão, chamando o benfeitor de “Magnus”, nome que lhe ficou em substituição de Magnoaldo. O homem associou-se à pequena caravana, oferecendo a Magno os préstimos.

A biografia de Magno está cheia de bonitas lendas como esta, de seu companheiro, o sacerdote Tozzo, ter levado um archote que se acendia por si próprio e não se apagava, fosse qual fosse o tempo, chuvoso ou tempestuoso. Em determinada região, perto da fundação romana, chamada Campodunum (Kempten) havia muitas feras, que eram o terror das povoações que lá havia. Tozzo insistiu em seguir caminho; Magno, porém, decidiu ficar. Com a doutrina da cruz que pregava àquela gente, dava-lhe também poder sobre os animais bravios, que em seguida não mais a incomodavam.

Em companhia só de Tozzo se dirigiu Augsburg, em procura do Bispo Wikterp, a quem pediu licença para pregar e fundar um convento na diocese. Obtida a provisão e acompanhado da bênção do Prelado, prosseguiu viagem à margem esquerda do Lech. Chegado a Roßhaupten, viu-se de fronte de um monstro, que matava muita gente. Magno atirou-lhe um bolo ardente de piche e resina às fauces, matando-o instantaneamente. Quem não reconhece neste monstro o demônio, que prendia na escravidão as almas? O facho que ardia por si, o bolo ardente, não são símbolos da luz do Evangelho, que afugentava os espíritos maus, que espancava as trevas do paganismo e do pecado?

Numa aprazível planície a que chegaram, Magno erigiu um cruzeiro e nele pendurou uma cápsula com santas relíquias, consagrando assim o lugar à oração. Mais tarde construiu no mesmo sítio uma pequena capela em honra de Nossa Senhora, em que o companheiro Tozzo realizava as funções religiosas.

Passando por um perigoso desfiladeiro, que as águas do Lech rompem com fúria elementar, Magno chegou a Füssen. Lá construiu uma igreja em honra de Cristo Redentor, que foi sagrada pelo Bispo Wikterp.

Ao redor desta igreja se levantaram as paredes de um convento-seminário, que em breve recebeu numerosos candidatos ao sacerdócio. Magno, apesar de ter já trabalhado muito na vinha do Senhor, não era sacerdote, dignidade que o bispo o obrigou aceitar.

Uma vez sacerdote, o zelo desdobrou-se-lhe e com o Evangelho, ia levando a cultura cristã aos países, onde ainda não havia pisado um missionário de Cristo. Por toda parte onde Magno aparecia, em breve se formavam povoações bem organizadas. As matas eram desbravadas, as feras afugentadas, os pântanos enxutos, os campos amanhados e cultivados. Uma jazida de manganês, por ele descoberta e aproveitada, veio a ser grande fonte de renda para a povoação. Sob o regime de Magno o convento floresceu de tal modo, que foi preciso abrir filiais. Numerosas foram as paróquias por ele organizadas.

Vinte e cinco anos tinha Magno passado no mais dedicado exercício da missão de sacerdote. Setenta e três anos contava ele, quando adoeceu gravemente. À notícia de sua enfermidade, vieram os amigos e colaboradores visitá-lo, entre eles Tozzo, que nesse meio tempo tinha sido nomeado bispo de Augsburg. Todos se lhe acercaram no leito mortuário para, pela derradeira vez, receber-lhe a bênção e os conselhos. Rodeados de amigos que lhe abençoavam a memória, Magno morreu em 6 de setembro de 750. Das suas relíquias não há notícia; mas na igreja conventual de Füssen existem ainda diversos objetos de culto do uso do fundador, por exemplo, uma estola, um manípulo, uma cruz de prata, um cálice e um bastão.

Reflexões

Como no tempo de São Magno, a Igreja Católica ainda hoje envia os missionários às terras longínquas dos pagãos, fiel sempre à Missão que recebeu do Fundador, de pregar o Evangelho a todos os povos e trazê-los ao aprisco do Senhor. Para que não faltem missionários, homens que, a exemplo dos Apóstolos, deixam as comodidades da família para dedicar-se ao serviço do Senhor nas Missões, é necessário que Deus, o Senhor da vinha, os mande. Como pode mandá-los, se não se oferecem? Haverá quem se ofereça, quando não existe interesse e amor pela obra da propagação do reino de Cristo? “Pedi, pois, ao Senhor da messe, que mande operários. A messe é abundante; poucos, porém, são os operários”. O amor pela obra de Jesus sobre a terra, que é a conversão a Ele de todos os homens, deve começar pela oração. Rezar pelas Missões é um modo prático de manifestar a Deus a nossa gratidão pela graça da fé, que d'Ele recebemos. Devemos rezar pela santificação da família, trabalhar para que a sociedade católica cada vez mais se familiarize com o espírito de Cristo, e assim se compenetre da necessidade de cooperar com a Igreja na obra da cristianização do mundo. Devemo-nos dedicar de corpo e alma à obra das vocações sacerdotais, pois sem sacerdotes, sem missionários, a Igreja nada pode fazer. Já não é católico como deve ser, quem não dá à Igreja auxílio espiritual e material para ela poder realizar sua Missão. Já não é católico, no sentido estrito da palavra, quem não se interessa pelas Missões. Cada católico deve inscrever o nome em uma ou outra das grandes obras pontifícias, como sejam a Obra da Propaganda da Fé ou a Obra da Santa Infância.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii
06 de setembro — São Magno, Abade — Padre João Batista Lehmann