06 de dezembro — São Nicolau de Mira, Bispo e Confessor
06 de dezembro — São Nicolau de Mira, Bispo e ConfessorExtraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
O grande taumaturgo São Nicolau era natural de Patara, na Lícia, filho de pais ricos e piedosos. Nicolau era o filho da oração, que Deus lhes dera, após longos anos de matrimônio estéril. Nicolau fugia da companhia de moços levianos e mais ainda de pessoas do outro sexo. Com o maior cuidado evitava ocasiões de pecar; tanto mais praticava exercícios de penitência, castigando e mortificando o corpo. De preferência lia livros de assuntos religiosos, quer científicos, quer ascéticos. Tendo o preparo suficiente, ordenou-se sacerdote em Mira. Como sacerdote, redobrou de amor e dedicação à prática das virtudes e da oração. A grande fortuna que lhe ficou, pela morte dos pais, despendeu-a em benefício dos pobres. Entre estes se achavam três moças, cujo pai, não havendo com que lhes dar sustento, lhes aconselhara a abraçar uma profissão desonrosa. Nicolau, ao saber disto, a horas mortas da noite foi à casa do homem e, por uma janela aberta, introduziu dinheiro suficiente para os dotes das filhas. Por esta obra de caridade salvou uma família inteira do pecado e da perdição. A três jovens, que estavam a caminho para Atenas e inesperadamente se viram em perigo de vida, São Nicolau apresentou-se como salvador de morte certa. Conseguiu que fosse transformado em igreja o templo de Apolo, no qual os estudantes pagãos costumavam realizar o culto idólatra. É devido talvez a esta circunstância, que em alguns lugares São Nicolau era considerado padroeiro dos estudantes. Depois de algum tempo, foi nomeado Superior de um convento, onde, com muita competência, desempenhou o cargo que lhe fora confiado.
Quando morreu o bispo de Mira, Nicolau foi eleito sucessor. A obediência obrigou-o a deixar o doce remanso da solidão e assumir as responsabilidades de Bispo. Em bem pouco tempo conquistou as simpatias de todos. A grande virtude, o zelo, uma caridade e bondade sem par, o espírito de oração e de sacrifício, que distinguiam o ilustre Prelado, fizeram com que crescesse no agrado de Deus e dos homens, e grandes e numerosos foram os milagres, que Deus se dignou de praticar por intermédio do seu grande servo.
Historiadores gregos dizem que Nicolau confessou a fé em Jesus, perante os pagãos, e foi preso pelos sicários de Diocleciano, quando a perseguição que este tirano decretou contra a Igreja, já estava em declínio. O santo bispo recuperou a liberdade e teve a satisfação de ver brilhar a cruz de Nosso Senhor, sobre o trono de Constantino. No Concílio de Niceia (325), assinou com os outros bispos ali presentes, a condenação da heresia ariana. Nicolau morreu em Mira, no ano de 342, pranteado pelos diocesanos, sendo-lhe o corpo depositado na Catedral da mesma cidade.
REFLEXÕES
São Nicolau fazia grandes esmolas, procurando, porém, encobrir o mais possível a liberalidade. Assim praticava a caridade, de acordo com o conselho de Jesus Cristo, que diz: “Cuidai de não fazerdes vossa justiça perante os homens, para atrair-lhes a atenção, assim não teríeis a recompensa de meu Pai. Vossa mão esquerda não deve saber o que vossa direita faz” (Mateus 6, 1-3). “Aqueles que procuram paga nesta vida, diz Santo Ambrósio, nada guardam para a vida futura; assim acontece que, tendo já recebido galardão aqui na terra, nada poderão esperar no outro mundo.” Se, portanto, praticas a caridade, imita o exemplo de São Nicolau, fazendo-o às escondidas, sem que os homens o saibam e te possam elogiar.
Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:
Na Tunísia, o martírio de três senhoras: Dionísia, Dativa e Leôncia; do monge Tércio e do médico Emiliano. Todos morreram na perseguição dos vândalos. 484.
Em Granada, na Espanha, a morte de São Pedro Pascácio, da Ordem de Nossa Senhora das Mercês, bispo de Jaén. 1300. É invocado contra terremotos e tempestades, sem que se conheça a origem desta devoção.
Em Roma, a memória de Santa Asella, virgem, no tempo de São Jerônimo. 410.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii ↩