05 de maio — São Pio V, Papa e Confessor

05 de maio — São Pio V, Papa e Confessor
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Pio V nasceu em 1504 em Bosco, Itália. De nobre descendência, embora seus pais se achassem em condições bem precárias. No Santo Batismo, deram a seu filho o nome de Miguel. Menino ainda, deu Miguel provas de vocação sacerdotal, distinguindo-se sempre por uma piedade pouco vulgar.

Seguindo sua inclinação, entrou na Ordem de São Domingos, na qual ocupou diversos cargos de Superior. Igualmente distinto em santidade como em ciência, foi Miguel nomeado inquisidor, ou juiz em matérias, em causas de fé, cargo este que desempenhou com grande competência. Muitas cidades e regiões inteiras devem a ele terem ficado livres da peste da heresia.

Reconhecendo seu valor e seus grandes méritos, o Papa Pio IV conferiu-lhe a dignidade de Bispo e cardeal da Igreja Católica. O conclave, reunido por ocasião da morte de Pio IV, elevou-o ao pontificado.

Como Papa, desenvolveu Pio V uma atividade admirável para o bem da Igreja de Deus sobre a terra. Seu pontificado foi um dos mais abençoados. Exemplaríssimo em sua vida particular, ardente de zelo pela glória de Deus e a salvação das almas, possuía Pio V as qualidades necessárias de um grande reformador. É impossível dizer em poucas linhas o que este grande Papa fez pela defesa da verdadeira fé, pela exterminação das heresias e pela reforma dos bons costumes na igreja toda. Incansável se mostrou em restabelecer a disciplina eclesiástica, em defender os direitos da Santa Sé, em remover escândalos, erros e heresias, em patrocinar a causa dos oprimidos e necessitados. Não só mandou seus embaixadores à todas as cortes cristãs europeias, mas, por sua ordem, muitos homens apostólicos percorreram a França, os Países Baixos e a Alemanha, em defesa da fé católica, seriamente periclitada, principalmente naqueles países. A Companhia de Jesus, cuja fundação é contemporânea ao seu pontificado, achou em Pio V um grande protetor.

Ameaçava grande perigo à Igreja, como à Europa toda, da parte dos turcos, cujo imperador jurara exterminar a religião cristã. Pio V envidou todos os esforços, fez valer toda sua influência junto aos príncipes cristãos, para conjurar essa desgraça iminente. Para obter de Deus que abençoasse as armas cristãs, Pio V ordenou que fizessem em toda a parte da cristandade preces públicas, procissões penitenciais. Ele mesmo, em pessoa, tomou parte nesses exercícios extraordinários, impostos pela última necessidade. O êxito foi glorioso. A vitória dos cristãos foi completa. As festas de Nossa Senhora da Vitória e do Santíssimo Rosário perpetuam até hoje a memória daquele célebre fato. No momento em que a batalha se decidia a favor dos cristãos, teve o Papa, por revelação divina, conhecimento da vitória e, imediatamente, convidou as pessoas presentes para dar graças a Deus. Era seu plano organizar uma nova campanha contra os Turcos, mas uma doença dolorosa não lhe permitiu pô-lo em execução. A doença era o prenúncio da morte, para a qual Pio se preparou com o maior cuidado. Quando as dores (causadas por cálculos renais) chegavam ao auge, exclamava o doente: "Senhor! Aumentai a dor e dai-me paciência!" Mandou que lhe lessem trechos da Sagrada Paixão e Morte de Nosso Senhor e continuamente se confortava com a citação de aforismos, versos bíblicos e jaculatórias, até que a morte pôs termo à sua vida tão rica em trabalhos, sofrimentos e glórias. Pio V morreu em 15 de maio de 1572, tendo durado seu pontificado seis anos e três meses.

Não há virtude que este grande Papa não tenha exercitado. Todos os dias celebrava ou ouvia a Santa Missa com o maior recolhimento. Terníssima era a sua devoção a Jesus Crucificado. Todas as suas orações, ele as fazia aos pés do Crucificado, os quais inúmeras vezes beijava.

Certa vez, que ia beijá-los conforme seu costume, a imagem os retirou, salvando-o assim de morte certa. Pessoa má tinha-os coberto de um pó levíssimo e venenoso. Numa Quinta-Feira Santa, quando realizava a cerimônia do Mandatum, entre os doze pobres, havia um cujos pés apresentavam uma úlcera asquerosa. Pio, exprimindo uma natural repugnância, beijou a ferida com muita ternura. Um fidalgo inglês, que viu este ato, ficou tão comovido que, no mesmo dia, se converteu à Igreja Católica.

Pio era tão amigo da oração que os turcos afirmaram ter mais medo da oração do Papa do que dos exércitos de todos os príncipes unidos. Com a oração, ligava o rigor contra si mesmo. Sua vida era penitência contínua. Três vezes por semana, comia carne, e ainda assim em quantidade diminutíssima.

Grande amor mostrava aos pobres e doentes. Entre os pobres gozavam de preferência os neófitos. Pouco aproveitavam seus parentes. Quando, em certa ocasião, alguém o lembrou de subvencionar mais seus parentes, Pio respondeu: "Deus me fez Papa para cuidar da Igreja e não de meus parentes."

Seguindo o exemplo de seu divino Mestre, perdoava de boa vontade aos seus inimigos e ofensores. Nunca se ouviu de sua boca uma palavra áspera.

Pio empregava bem o seu tempo. Era amigo do trabalho e todo o tempo que sobrava da oração pertencia às ocupações do seu alto cargo. Alguém lhe aconselhara que poupasse mais a sua saúde e tomasse mais descanso. Pio respondeu-lhe: "Deus deu-me este cargo, não para que vivesse à minha comodidade, mas para que trabalhasse para o bem dos meus súditos. Quem é governador da Igreja, deve atender mais às exigências da consciência que às do corpo."

Pio V foi canonizado por Clemente XI. Seu corpo descansa na Igreja de Santa Maria Maggiore.

Reflexões

1. Causa-nos admiração vermos em São Pio V uma grande severidade contra si próprio, tanto amor ao próximo e uma piedade quase sem limites. São estas justamente as virtudes que distinguem os discípulos de Jesus Cristo. Sofrer com paciência, ter caridade ao próximo e perdoar aos inimigos são coisas que o imitador de Jesus deve aprender, custe o que custar.

2. "Deus me fez Papa para que cuide de sua Igreja, não, porém, para que me preocupe com os laços que me prendem à família. Deus me chamou para este estado, não para que me entregasse a uma vida cômoda, mas para que fosse útil aos fiéis." Assim falava São Pio ao subir ao trono pontifício. Qual é o destino que Deus nos deu a nós? Não fomos criados para que lhe sirvamos, o amemos e trabalhemos pela nossa salvação?

Não deve ser a nossa vida um constante serviço de Deus? Quando resolver-nos-emos a pôr em prática o que tantas vezes afirmamos pela boca? Quando será que a nossa vida deixará de ser, como até hoje foi, um serviço reservado e exclusivo do mundo, em vez de pertencer a Deus? Quando começaremos a nos interessar tanto pelo céu como nos interessamos pela terra? Quando começaremos a ser servidores da virtude, como temos sido até agora servidores do pecado e do vício?

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312