05 de julho — Santa Godoleva, Mártir

05 de julho — Santa Godoleva, Mártir
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Godoleva, oriunda de nobre família francesa, possuidora de excelentes qualidades físicas e morais, era casada com Bertulpho, nobre fidalgo da Holanda. Fidalgo de nome e de sangue, não o era de coração. O amor e a amizade que aparentava antes, logo depois do dia do casamento, transformaram-se em antipatia e ódio. Neste ódio via-se secundado pela mãe, que tudo fazia para amargurar o coração da jovem nora, a ponto de expulsá-la de casa. Tendo todo o apoio do filho, aconselhou-lhe que desse a Godoleva uma moradia própria, separada, que a obrigasse a viver inteiramente separada do marido e da família do mesmo.

Godoleva, educada na escola de Cristo, embora sofresse profundamente com um tratamento tão injusto e ímpio, levou a cruz com resignação, oferecendo os sofrimentos pela conversão daqueles que a maltratavam. A malvadez do marido, inspirado diabolicamente pela mãe, chegou a ponto de tentar contra a vida da esposa.

Esta conseguiu livrar-se das mãos assassinas de Bertulpho e voltou para a casa paterna. Os pais assustaram-se com a chegada inesperada da filha, mas o pasmo transformou-se-lhes em indignação, quando souberam os motivos que determinaram a fuga de Godoleva. Como era dever, tomaram a defesa da perseguida, cuja causa confiaram a Balduíno, conde de Flandres e ao Bispo de Nimegue.

Bertulpho foi obrigado a receber a mulher e prometeu, sob juramento, tratá-la com toda dignidade. Tendo estas garantias, os pais de Godoleva consentiram que a filha voltasse para a casa do seu marido. Bertulpho, porém, não cumpriu a palavra. Recomeçou os maus tratos e, não satisfeito com isto, concebeu o plano sinistro de livrar-se da esposa de qualquer forma. Godoleva, entretanto, resolvera não abandonar o marido, ainda que lhe custasse a vida. Não se iludiu, quanto às intenções do mesmo e da sogra e preparou-se para a morte.

Tomada a resolução de fazer desaparecer a mulher, Bertulpho tratou dois empregados, que se incumbiram da execução da ordem criminosa. Bertulpho, para dissipar qualquer suspeita que contra ele pudesse surgir, aparentou a necessidade urgente de uma viagem a Bruxelas e despediu-se de Godoleva com fingida amizade.

Godoleva, porém, não confiou nas palavras mentirosas do marido e continuou a encomendar a alma a Deus.

Mal Bertulpho tinha partido, quando os assassinos contratados, por horas mortas da noite, penetraram nos aposentos de Godoleva e estrangularam-na. O crime não foi descoberto, acreditando todos que Godoleva tivesse morrido naturalmente, em consequência dos sofrimentos morais por que passara. Bertulpho, porém, mais tarde, atormentado pelos remorsos de consciência, tirou o véu do mistério e confessou publicamente a culpa, entrando numa Ordem de rigorosa penitência.

O túmulo de Godoleva foi glorificado por muitos milagres, que Deus se dignou fazer por intercessão de sua santa serva.

Reflexões

1. Não são raros os casos em que entre cônjuges não reina a harmonia, que devia haver. Que assim é, tem explicação muitas vezes nos pecados cometidos antes do casamento. Quanto maior é a paixão pecaminosa antes do casamento, tanto maior costuma ser o ódio, mais tarde. O Arcanjo São Rafael disse bem claramente ao jovem Tobias que o demônio tem poder sobre aqueles que iniciam com pecados o matrimônio (Tobias 6). Se o demônio tem poder sobre jovens casais, incitando-os a pecados contra a pureza, difícil não lhe pode ser semear mais tarde entre eles o gérmen do ódio e da discórdia. Deus reserva bênçãos especiais à família em que reina a paz. A paz, a concórdia, faz bem ao corpo e à alma, e é um meio excelente de evitar muitos pecados. Onde não existe esta paz, o matrimônio é antes um prelúdio do inferno, do que um antegozo do céu. Aos maridos, São Paulo manda que tenham amor às esposas, como Cristo ama a Igreja. O amor de Cristo à Igreja é constante, firme. Assim deve ser constante, inalterável o amor que liga as pessoas casadas.

2. Fizeram mal os pais de Godoleva terem dado a filha em casamento a um jovem, que se distinguia apenas pela descendência e posição, sem possuir, entretanto, as virtudes que devem adornar o coração de um jovem católico. Godoleva, por sua vez, procedeu imprudentemente, dando o consentimento, sem conhecer suficientemente o futuro esposo. Se há hoje tantos casamentos infelizes, é porque pais e filhos, em vez de se orientarem pelos ditames da fé e da prudência cristã, só atendem, pelo contrário, a interesses materiais, como sejam fortuna, posição, parentesco, beleza, etc. As consequências são as que observamos todos os dias: desunião entre os esposos, desinteligências contínuas, frieza, aborrecimento, ódio. Os filhos é que são muitas vezes as vítimas desse triste estado de coisas. — O matrimônio é indissolúvel. Só a morte lhe solve os laços. Por mais infeliz que seja a união, que dois indivíduos acharam no matrimônio, não há poder na terra que a possa romper. É essa a doutrina da Igreja Católica, contrária às ideias de que a impiedade moderna se empenha em propagar, sobre o amor livre, o divórcio, etc.

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

Em Cremona a memória de Santo Antônio Maria Zaccaria, fundador dos clérigos regulares de São Paulo, (Barnabitas) e das Religiosas “Angélicas” de São Paulo. Por sua iniciativa foi introduzida na Igreja a prática da Adoração das quarenta horas. 1539.

Na Síria o martírio de São Domício, na perseguição de Juliano Apóstata. Preso dentro de uma gruta, lá morreu de fome.

Na Líbia, a mártir Cirila. Intimada a adorar às divindades, se opôs. Deixou, porém, que lhe pusessem brasa com incenso nas mãos. Após esta e outras torturas deu a vida por seu divino Esposo. 300.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii