05 de dezembro — São Pedro Crisólogo, Bispo, Confessor e Doutor da Igreja

05 de dezembro — São Pedro Crisólogo, Bispo, Confessor e Doutor da Igreja
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

São Pedro, natural de Ímola, perto de Roma, recebeu dos pais o que constitui o tesouro mais precioso — uma educação sólida, baseada sobre o fundamento da religião católica. Em todo o tempo que se dedicou aos estudos, foi dos companheiros sempre o primeiro. Vendo-lhe a piedade e a conduta, irrepreensível, o Bispo de Imola recebeu-o entre os clérigos e conferiu-lhe o diaconato. Tão digno se mostrou da confiança do Bispo, que este lhe entregou a administração da diocese, função de que sempre se desempenhou com muita competência. Os perigos, porém, que há no mundo, bem como a vaidade do século, fizeram com que no espírito lhe amadurecesse cada vez mais a resolução de entrar para um convento; foi o que fez, e do claustro só saiu, quando circunstâncias especialíssimas lhe dirigiram a elevação à dignidade episcopal.

Tinha morrido o Bispo de Ravenna. O clero da diocese tinha eleito um sucessor, o qual com alguns companheiros se dirigiu a Roma, com o fim de obter a ratificação papal da eleição. Ao mesmo tempo, em negócios da diocese, foi a Roma o Bispo de Ímola, tendo levado consigo o diácono Pedro. Na noite antes da chegada da embaixada de Ravenna, teve o Papa a visão de São Pedro Apóstolo e de Santo Apolinário, que em vida tinha sido Bispo de Ravenna e avisaram-lhe que não desse a mitra ao eleito do clero daquela diocese, mas em lugar deste, sagrasse a Pedro de Ímola. Quando chegaram os embaixadores de Ravenna, não puderam disfarçar o aborrecimento, do Papa não lhes ter aceitado o candidato; sabendo, porém, do aviso que o Sumo Pontífice tivera, contentaram-se inteiramente e com suma satisfação aceitaram a Pedro como Bispo. Na entrada em Ravenna, que se tornou soleníssima, Pedro foi recebido pelo próprio Imperador Valeriano e a esposa, a Imperatriz. Numa alocução que o novo Bispo naquela ocasião fez, explanou o programa de querer trabalhar unicamente pela honra de Deus e a salvação das almas. Dos diocesanos disse esperar só obediência aos mandamentos da lei de Deus e respeito e submissão à autoridade diocesana.

Para obter a bênção de Deus para os trabalhos apostólicos, sujeitou-se a frequentes jejuns e mortificações. Como pregador desenvolveu uma atividade tal, que conseguiu não só a conversão dos mais renitentes pecadores, mas a abolição de festas escandalosas no dia primeiro de janeiro, festas que apresentavam caráter pagão, com todas as suas frivolidades e indecências. Pedro era a caridade para com os pobres, aflitos e desvalidos, um forte protetor das viúvas e órfãos, um pastor desvelado para os pobres pecadores. A todos os diocesanos recomendava o uso frequente dos santos Sacramentos, principalmente a Comunhão cotidiana.

O que, porém, trouxe glória imorredoura na Igreja inteira, foi o modo como se houve na defesa da fé verdadeira e na luta contra as heresias de Eutiques e Dióscoro. A apologia que a pedido do Papa Leão I, escreveu contra os hereges, é um documento de alto valor, em que Pedro Crisólogo manifesta grande saber e uma eloquência arrebatadora. Cabe-lhe em grande parte o merecimento das duas heresias serem condenadas no Concílio de Calcedônia. Laços de íntima amizade ligaram-no a São Germano de Auxerre. Durante dezoito anos pastoreou Pedro o rebanho. A fé teve nele um defensor impertérrito e a posteridade deve-lhe escritos de grande valor.

Se lhe foi pura a vida, santa havia de ser-lhe a morte. Sentindo-lhe a aproximação, voltou para Imola, onde se preparou para a grande viagem à eternidade. Ao clero recomendou com muita insistência que andasse na presença de Deus, bem como a observação dos mandamentos e muito critério na eleição do novo Bispo. Pedro morreu em Ímola, no ano 450. O corpo do santo Bispo repousa na igreja de São Cassiano. A posteridade honrou-lhe o nome com o apelido de Crisólogo, isto é, orador áureo, pondo em relevo a grande eloquência do Santo.

REFLEXÕES

“Quem em vida se quer divertir com o demônio, não poderá gozar com Cristo no céu” — assim falava São Pedro, referindo-se às pessoas que se mascaravam, para mais livremente se divertir. Na sua opinião cometiam pecado grave. O mundo não concorda com o conceito do nosso Santo. Na Sagrada Escritura lemos o seguinte: “A mulher não se vista a modo de homem e o homem não traje indumentária feminina. Quem faz estas coisas, é abjeto perante Deus” (Deuteronômio 22, 5). Circunstâncias especiais pode haver que justifiquem uma exceção desta determinação. Mas se o fim do disfarce for a luxúria, o desejo de mais livremente se poder entregar à dissolução, ao pecado, ou se o disfarce causar escândalo, não há teólogo nenhum, que não veja nisso uma grande desordem e uma provocação para o pecado. Os Santos Padres, nos termos mais enérgicos, intérpretes inequívocos de sua indignação, condenam as loucuras do Carnaval, que levam milhares de almas ao inferno.

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

Em Palestina, o santo abade Sabas, defensor da fé contra os adversários do Concílio da Calcedônia.

Na Itália, a memória do bispo Pelino, que muito sofreu da parte dos idólatras, cujo templo desabara em virtude das orações do santo bispo. 362.

Em Tebaste, na Argélia, o glorioso martírio de Santa Crispina, senhora de alta aristocracia. Morreu na perseguição diocleciana por ter se negado a adorar divindades.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii