04 de setembro — Santa Rosália, Virgem
04 de setembro — Santa Rosália, VirgemExtraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
A vida de Santa Rosália é a prova de que o homem, pela graça divina, consegue desapegar-se de tudo que o mundo de bom e apreciável lhe oferece. Os pais de Rosália pertenciam à alta aristocracia da ilha Sicília e, por laços de parentesco, estavam relacionados com a família real. O pai era Sinibaldo da Roses, descendente de Carlos Magno. A mãe, conceituadíssima na corte real da Sicília, esmerou-se em dar à filhinha uma educação aprimorada. Em nada se descuidou, para garantir à menina um futuro risonho e feliz. Outro, porém, foi o plano de Deus, que implantou no coração da donzela um profundo aborrecimento de tudo que era do mundo e um ardente e forte desejo de pertencer unicamente a Deus. Impulsionada por estas aspirações, afastou-se da casa paterna e escolheu para morada uma gruta inóspita, bem afastada da cidade.
Resolução estranha, devéras, de uma donzela, rodeada de todo o conforto, admirada por todos, abandonar a corte, onde tudo a convidava a alegrar-se e divertir-se, e trocá-la pela solidão duma gruta.
Rosália, muito antes de executar esse plano, tinha tomado providências. A gruta de que se trata, acha-se perto de Palermo, na fralda de um monte chamado Montreal. Singularíssima na formação, como nenhuma outra se prestava para ser habitada. Naquela gruta viveu Rosália por algum tempo, como atesta a seguinte inscrição: “Eu, Rosália, filha de Sinibaldo, Senhor de Montreal e Roses, habitei nesta gruta por amor de Jesus Cristo”. Não é conhecido o motivo que determinou a santa a abandonar esta gruta. É provável que passasse para uma outra, mais retirada ainda, no monte Pellegrino. O corpo foi encontrado nesta segunda gruta. Por ser quase inacessível, não se sabe como a Santa nela pôde entrar. Igualmente ignora-se como Santa Rosália pôde viver nesta solidão.
São Bernardo, ocupando-se da vida de Santa Rosália, chega a esta conclusão: Supõe verdadeiro heroísmo renunciar a todo o auxílio humano, vendo-se rodeada de perigos e exposta às mais terríveis e perigosas ciladas do demônio. É fácil imaginar-se, quantas lutas sustentou o coração, recordando-se a cada instante do carinho dos pais, do esplendor da vida na corte real, tendo diante de si a pobreza, a solidão, a penitência.
Grande foi a dor dos seus pais. Mandaram emissários por toda a parte, a procura da filha. Estes lhe encontraram os vestígios na primeira gruta e quando chegaram à segunda, acharam a Santa sem vida, na posição duma pessoa que dorme. Numerosos foram os milagres com que Deus glorificou sua serva. A extinção da peste, que naquele tempo devastava a Sicília, foi geralmente atribuída à intercessão de Santa Rosália.
Reflexões
Santa Rosália deixou o mundo e procurou a solidão. Como ela, todos os Santos procedem. Os Santos aborrecem-se do que nós gostamos. Fogem do mundo; — nós o procuramos. Detestam os prazeres e vãos divertimentos; — nós os amamos. Fecham-se no seu cubículo, para sossegadamente se recolher em Deus; o nosso pensar está lá fora, na rua, na praça, no teatro, no cinema, na sociedade, no baile. Os Santos são amigos da oração; — nós não lhe somos inimigos, mas não a cultivamos como deve ser; o nosso empenho é limitar o mais passível as práticas piedosas. Como se explica esta diferença entre nós e os Santos? Quem tem amor a Deus, em sua presença sente-se hem. Acha delícia em estar com ele, falar-lhe na intimidade. Isto não é praticável no bulício do mundo e dos prazeres. Se procuramos o mundo e as coisas que nos oferece; se lhe preferimos a companhia à leitura espiritual e à oração, sinal é que lhe temos mais amor do que a Deus; sinal é que somos mais mundanos do que divinos. Os Santos amam a Deus e fogem das coisas do mundo. Se conosco se dá o contrário, é claro que não somos Santos e no caminho da santidade não nos achamos.
Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:
No monte Nebo, na terra de Moab, o grande Legislador e Chefe dos Judeus no antigo Testamento, São Moisés. Morreu na idade de 120 anos, cerca de 1.300 anos antes de Cristo.
Em Viterbo, a memória de Santa Rosa. Filha de pais pobres, era de Deus ricamente privilegiada. Muito trabalhou pela renovação do espírito moral e religioso do seu tempo. Embora de pouca idade, pregava com muito entusiasmo, o que provocou as iras do Imperador Frederico II contra sua pessoa. Rosa morreu, tendo apenas 17 anos. Seu corpo, que se conservou intacto, se acha no convento das Clarissas em Viterbo, naquele mesmo convento que, em vida, não a quis receber. Faleceu em 1252.
Em Nápoles, Santa Cândida. Foi ela a primeira pessoa com quem São Pedro, chegando àquela cidade se encontrou; por ele foi recebida na Igreja e batizada. 1° sec.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii ↩