04 de março — São Casimiro, Confessor

04 de março — São Casimiro, Confessor
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Casimiro, príncipe da Polônia e rei eleito da Hungria, o terceiro filho do rei Casimiro IV da Polônia e Isabel da Áustria, nasceu em 5 de outubro de 1458. Não só re­cebeu uma educação primorosíssima de sua santa mãe, mas teve também excelentes mestres que o introduziram nas ciências; entre eles merece menção o célebre Dlugosz, chamado Longino, homem de grande saber e virtude. O maior prazer de Casimiro era rezar e estu­dar, e seu lugar predileto era a Igreja. “Em parte alguma sinto-me tão bem — assim dizia aos seus pajens — co­mo nos degraus do altar. Podendo escolher a caça, o jogo, a dança e outros divertimentos, dis­penso-o todos, se puder ficar na Igreja”. À Santa Missa assistia Ca­simiro com um recolhimento admi­rável. Tendo mais idade, levanta­va-se durante a noite, para fazer uma visita à Igreja; se a achava fechada, ficava de joelhos na porta, em profunda adoração ao Santíssimo Sa­cramento. Terníssima era sua de­voção à Sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo. Seus olhos enchiam-se de lágrimas, todas às vezes que olhava para o Crucifixo. A Ma­ria Santíssima não chamava de ou­tro nome senão o de “minha que­rida Mãe”. Em sua honra compôs o hino: “Omni die dic Mariae”, pérola preciosíssima da li­teratura cristã. Uma cópia deste hino achava-se no túmulo do Santo, quando aber­to em 1604. O corpo estava perfei­tamente conservado e o hino se en­controu debaixo da cabeça.

Com o amor a Jesus e Maria li­gava Casimiro uma grande caridade aos pobres, o que lhe valeu o título de “pai dos pobres”. A algu­mas pessoas da corte, que achavam sua caridade um tanto exagerada, Casimiro respondeu: “Melhor apli­cação de sua nobreza um príncipe não pode fazer, senão servindo aos po­bres. Quanto a mim, maior honra não aspiro, a não ser a de fazer-me o servo do mais pobre”.

Seu desprezo pelas hon­ras e grandezas do mundo é bem caracterizado pelo modo como se houve na campanha contra Matias, rei da Hungria. Matias tinha per­dido o trono, e representantes da nação húngara ofereceram a Casi­miro a coroa de Santo Estêvão. Seu pai apoiava fortemente o pedido dos embaixadores e determinou a seu filho, que contava apenas 13 anos, que com força armada entrasse na Hungria. Entretanto, soube-se que Matias com poderoso exército es­perava a entrada do jovem prínci­pe, que o povo tinha se declarado de novo a seu favor, e que o Papa Sisto IV desejava ver Matias no trono da Hungria. Em con­sideração a tudo isto, Casimiro retirou-se para o castelo de Dobsky, onde passou uns me­ses, entregue as práticas da mais austera penitência. Um segundo convite de políticos húngaros não foi mais toma­do em consideração, e o dese­jo do Santo de alcançar a co­roa da glória eterna aumen­tou consideravelmente. Ape­sar de rodeada de todo o con­forto, a vida de São Casimiro foi acompanhada de um espí­rito de penitência que não é comum entre os homens. Ex­tremamente rigoroso contra sua própria pessoa, Casimiro trazia sempre um cilício para castigar o corpo e cada semana lhe oferecia uns dias de jejum. Os dias de je­jum e abstinência por manda­mento da Igreja eram obser­vados com toda a pontualida­de, mesmo na doença. Ao sono eram dedicadas poucas horas e, embora tivesse à sua dis­posição um leito que em co­modidade nada deixava a de­sejar, Casimiro escolhia de preferência o chão para o re­pouso do corpo.

A prática de todas estas virtudes mereceram ao prín­cipe a fama de grande Santo. Entre as virtudes que adorna­vam seu coração, foi a da santa pu­reza que Casimiro exercia com es­pecial esmero e à qual se obrigou por um voto. É admirável que o jo­vem príncipe pudesse chegar a um grau tão elevado, principalmente nesta virtude, quando se via, dia por dia, rodeado de perigos e sedu­ções. A chave deste segredo estava na recepção dos Sacramentos, na devoção à Santíssima Virgem, na mortificação constante de seu corpo e na fuga das más ocasiões. Em sua presença ninguém ousava proferir palavra que ofendesse a moral. Quando contava 24 anos, Deus mandou-lhe uma grave doença. Os médicos, vendo já esgotados todos os recursos da ciência, deram ao príncipe, co­mo última esperança de salvar a vida, o conselho de se casar. Casi­miro, mal tinha ouvido esta pro­posta, declarou: “Antes prefiro morrer; e se tivesse a perder mil vi­das, perderia todas elas, para guardar a castidade virginal”. Por um favor especial de Deus, Casimiro soube o dia da sua morte e para ela se pre­parou com muito fervor. Suas últi­mas palavras foram, de­pois de ter beijado com muita ter­nura o Crucifixo: “Em vossas mãos, ó Jesus, entrego o meu espírito”. Casimiro morreu em 1483. Sua festa é celebrada no dia 4 de março. São Casimiro goza de grande veneração na Polônia, onde sua festa é comemorada com Oitava.

Reflexões

1. São Casimiro era filho de rei e irmão de rei. A vida na corte podia proporcionar-lhe todos os regalos, que o coração ar­dente do jovem geralmente ambiciona. No entanto, Casimiro era só de Deus. Seu prazer e único divertimen­to era rezar, ir à Igreja e estudar. Há poucos, bem poucos moços, que como São Casimiro, acham prazer em serem devotos e piedosos; os poucos que o são, tornam-se geralmente alvo do despre­zo ou de escárnio dos companheiros, que têm outra compreensão da vida. Realmente grande é a diferença que há entre um e outro sistema. Resta saber qual dos dois meios satisfaz à alma; qual dos dois mais consolo lhe dá na hora da morte; qual dos dois mais agrada a Deus. Não é difícil acertar com a solu­ção do problema.

2. As devoções prediletas de São Casi­miro eram a da Sagrada Paixão e Morte de Nosso Senhor e a devoção a Maria Santíssima. Nestas devoções estava o segredo, por que tão ciosamente guar­dava a virtude da pureza. Preferia a morte a macular esta virtude. — Quem tem amor a Jesus e Maria, deve igual­mente amar a virtude angélica, que é a predileta da Mãe de Deus e de seu Fi­lho. Se queres adiantar-te neste santo amor, cultiva em teu coração a devoção à Sagrada Paixão e Morte de Jesus Cris­to. Durante a quaresma, devias fazer uma leitura quotidiana de um ou outro trecho da Sagrada Paixão. Quanto mais teu espírito penetrar neste mistério de amor, tanto mais em tua alma se acen­tuará o desejo de servir unicamente a Deus, que tanto te amou.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312
04 de março — São Casimiro, Confessor — Padre João Batista Lehmann