04 de abril — Santo Isidoro, Bispo, Confessor e Doutor da Igreja

04 de abril — Santo Isidoro, Bispo, Confessor e Doutor da Igreja
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Santo Isidoro, o mais insigne dos doutores da Igreja da Espanha, era natural de Cartagena e filho de pais ilustres e profundamente religiosos. Seu pai, Severiano, era prefeito de Cartagena; sua mãe chamava-se Teodora. Seus irmãos, Leandro, Bispo de Sevilha, Fulgêncio, Bispo de Cartagena e, Florentina, recebem da Igreja as honras de Santos. Desde menino, dedicava-se ao serviço eclesiástico, ao estudo da religião e às práticas de piedade. Chamado por Deus, devia Isidoro ser, na mão da Divina Providência, um baluarte fortíssimo contra a barbaria e crueldade dos Godos. Junto com seu irmão Leandro, então Bispo de Sevilha, trabalhou com grande resultado na conversão dos hereges arianos, que naquele tempo perseguiam a Igreja da Espanha e cuja intenção não era outra senão exterminar a Igreja Católica naquele país.

Pela morte de seu irmão Leandro, em 600, foi Isidoro eleito seu sucessor. O programa do seu governo eclesiástico era apaziguar os diversos partidos católicos, restabelecer a ordem e harmonia entre os católicos. Era ele a alma dos sínodos diocesanos, que foram convocados para o mesmo fim. As decisões mais importantes, que naquela época foram dadas, são pela maior parte obra sua, e todas elas provam a sabedoria e o zelo apostólico do Santo. Quando, em 610, os bispos da Espanha, reunidos em Toledo, elegeram Primaz da Espanha o Arcebispo da mesma cidade, Isidoro sem protesto e relutância, assinou a ata da eleição. Seu único desejo era ver restabelecida a paz e concórdia na Igreja do seu país.

Como presidente do Concílio de Sevilha (619), condenou a seita dos acéfalos e eutiquianos. Tão clara e convincente era sua argumentação, que o Bispo Gregório, da Síria, o principal propagandista dos acéfalos, abjurou o erro e voltou à doutrina da Igreja Católica. Os eutiquianos reconheciam na pessoa de Jesus Cristo só uma natureza, quando a Igreja Católica ensina que em Jesus Cristo há duas naturezas, uma humana, outra divina. No sétimo Concílio de Toledo (633), o mais importante na história da Igreja da Espanha, foi Isidoro quem presidiu às sessões, honra e privilégio que o Primaz da Espanha lhe cedeu espontaneamente, dando assim prova pública de quanto o tinha em consideração. Sempre submisso ao Papa de Roma, como representante de Cristo na terra, procurou implantar o mesmo respeito no coração dos seus diocesanos. Como indícios certos e indubitáveis do espírito de heresia, Isidoro presenciou o menosprezo das cerimônias da Igreja, das suas leis e decretos, o desprezo e ódio aos sacerdotes, bispos e ao Papa. Para preservar seus diocesanos deste espírito pernicioso, trabalhou incessantemente para lhes inspirar amor à Igreja, respeito às suas leis e veneração aos seus ministros.

Entre estes trabalhos apostólicos passou-se a vida do santo Bispo. Nos seis últimos meses de sua existência terrena, a liberdade de Isidoro chegou a tal ponto que, sua casa, era procurada e assediada pelos pobres desde a manhã até alta noite. Sentindo chegar a hora da morte, mandou chamar para perto de si dois Bispos. Com eles, se dirigiu à Igreja, onde, das mãos de um, recebeu o hábito da penitência, enquanto o outro punha cinza na sua cabeça. Com as mãos elevadas ao céu, orou com muito fervor e pediu a absolvição dos seus pecados. Um dos Bispos deu-lhe a Santa Comunhão. Terminada sua devoção, Santo Isidoro recomendou-se às orações dos seus diocesanos, perdoou aos seus devedores e mandou distribuir sua fortuna entre os pobres. Ao povo, recomendou, com muito empenho, conservar a paz e a união entre si.

Isidoro morreu em 4 de abril de 636, tendo sido 36 anos Arcebispo de Sevilha. Seu corpo foi depositado na Catedral de Sevilha, entre seus irmãos Leandro e Florentina. Suas relíquias, transportadas no ano de 1063 para León, descansam ainda na igreja de São João Batista.

Reflexões

Santo Isidoro velava zelosamente pela rigorosa observação das cerimônias, usos e determinações eclesiásticas. O desprezo do cerimonial litúrgico, bem como das determinações do Papa, dos Bispos e de suas pessoas, era por ele considerado a primeira aproximação da heresia. A experiência mostra, de fato, que os católicos, querendo ser bons filhos da Igreja, devem ser sempre respeitadores da autoridade eclesiástica e das suas ordens. Os hereges, porém, e os inovadores em coisas de religião deram sempre provas de sua insubordinação e do seu espírito emancipado. Falar mal da autoridade, desprezá-la e desrespeitar suas determinações é sempre sinal suspeito de heresia. Quem dá lugar em seu coração à crítica, à censura, ao desrespeito às pessoas, muito facilmente chegará também a desprezar a própria religião e suas instituições. Um mau católico pode ser um elemento muito mais perigoso e pernicioso que um protestante ou judeu. Ai dos maus católicos, porque suas críticas, sua desobediência e seu desrespeito causarão grandes males, males talvez maiores que as pregações dos metodistas. Lembramo-nos da palavra do Altíssimo: “Não toqueis nos meus ungidos” (Salmos 105, 15).

Santo Isidoro queria que se respeitasse também os sacerdotes que se não mostravam à altura de sua dignidade. Os que falam mal do clero, assim muitas vezes procedem, para encobrir ou desculpar suas próprias faltas. Se no meio dos Apóstolos houve um Judas, seria injusto querermos, pela falta deste infeliz discípulo de Nosso Senhor, desprezar os demais. A porcentagem dos maus sacerdotes é mínima, e a estatística da criminalidade é uma apologia brilhante da classe sacerdotal. Os crimes de um indivíduo não aviltam a classe, não atingem a santidade do estado sacerdotal e da religião. O mau sacerdote, apesar dos seus pecados, não perde seu caráter sacerdotal, nem os poderes que Deus lhe deu, no sacramento da Ordem. Esta circunstância deve nos mover a respeitar também ao sacerdote menos digno. Jesus Cristo disse, referindo-se a servidores indignos de Deus: “Sobre a cadeira de Moisés se assentaram os escribas e os fariseus. Tudo, pois, que vos disserem, observai-o e fazei-o; mas não obreis segundo a prática das suas ações, porque dizem e não fazem” (Mateus 23, 2).

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312