03 de novembro — Santo Umberto, Bispo († 728)
03 de novembro — Santo Umberto, Bispo († 728)Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
Umberto, de nobre família da Frânconia, nasceu em 656. Família. O pai Beltrão, duque de Aquitânia, e a mãe, Hugberna, descendiam em linha reta do célebre Taramundo, primeiro rei dos Francos. Umberto recebeu uma boa educação, e era o desejo dos pais que se dedicasse à carreira militar. Para este fim lhe deram professores idôneos e hábeis instrutores, que lhe ensinaram as respectivas matérias. De fato, Umberto correspondeu vivamente à vontade dos progenitores, galgou posições bem elevadas, desempenhou cargos importantes na corte do duque Pepino de Lotaríngia, o qual, em recompensa aos seus grandes méritos, casou-o com Floribana, filha única do conde Dagoberto de Louvaina.
Se bem que sólida fosse a educação religiosa que recebera, a influência cotidiana duma corte opulenta fez com que Umberto chegasse a abandonar as práticas da religião e apresentar o tipo do católico tíbio. Pouco faltou para que se precipitasse no abismo do vício.
Mas a Divina Providência velou sobre ele e fez-lhe o coração dirigir-se para coisas mais dignas e o espírito elevar-se-lhe a ideias mais nobres. Esta mudança na vida de Santo Umberto é atribuída a um acontecimento extraordinário, que um antigo historiador relata nos termos seguintes: "Num dia de grande festa, quando todos iam à igreja, para assistirem à Missa, Umberto foi à caça. Inesperadamente se lhe apresentou um veado, que na testa trazia o sinal do Crucificado. Ao mesmo tempo Umberto ouviu uma voz que lhe dizia: “Umberto, se não te converteres a Deus, com o propósito de viver mais santamente, a passos largos irás à perdição”. Umberto caiu em si, largou da caça, abandonou a vida frívola e perigosa da corte e tornou-se católico fervoroso.
Neste momento, veio a falecer-lhe a esposa, ao dar à luz a Floriberto, único filho de Umberto e Floribana. Na Aquitânia estava à morte o pai e Umberto assistiu-lhe os últimos momentos. O ducado, que lhe cabia por herança, cedeu-o ao irmão Eudo, a cujos cuidados confiou também o filhinho Floriberto. Tendo feito estas disposições, renunciou ao mundo, deu o resto dos bens aos pobres, deixando para o filho só o necessário e tornou-se eremita. Sete anos durou a penitência que fez, pelos erros cometidos. Tinha por vestuário uma couraça de ferro, que usava sobre o corpo, trazendo por cima um hábito de cor cinzenta. Frutas, ervas e raízes eram o alimento do santo eremita, água a bebida, o chão o leito.
Passado este tempo, procurou o bispo de Maastricht, São Lamberto, o qual, conhecendo-o havia muito tempo, acolheu-o com muita cordialidade e, vendo o extraordinário progresso que fizera na virtude e santidade, conferiu-lhe as ordens sacerdotais e conservou-o consigo, como auxiliar na administração da diocese. São Lamberto morreu em 709 e Umberto foi eleito sucessor.
Como Bispo, Umberto seguiu perfeitamente o exemplo do antecessor mártir. Envidou todos os esforços para debelar os vícios, implantar nos corações as virtudes cristãs e erradicar os restos do paganismo. Grandes e numerosos foram os milagres que Deus se dignou fazer por intermédio de seu servo.
Avisado em celeste visão da proximidade da morte, para ela se preparou com muitas orações, jejuns e outras penitências. Rodeado dos seus sacerdotes, entregou tranquilamente a alma nas mãos de Deus. Santo Umberto morreu com 71 anos de idade, dos quais passara 30 na administração da diocese.
As relíquias do Santo foram depositadas em Liège e mais tarde na abadia de Anduin, nas Ardenas. O povo católico daquela região devota a Santo Umberto muita veneração, por causa dos muitos milagres que por sua intercessão se realizaram e ainda se realizam.
REFLEXÕES
Desde que Santo Umberto se convenceu da necessidade de fugir do mundo para salvar a alma, embora fosse já de idade madura, sem demora alguma cortou as relações que o prendiam ao século e procurou a solidão, onde viveu sete anos, entregue aos exercícios da mais austera penitência. Penitentes como Santo Umberto, há poucos. Ou merecem o título de penitentes aqueles que uma ou outra vez se apresentam ao confessor, acusam uma longa série de pecados e vícios, para depois com a mesma facilidade recaírem nas mesmas faltas? Quem assim procede traz apenas a máscara da penitência e uma penitência aparente.
A penitência verdadeira exige emenda verdadeira, a qual não é possível sem a fuga das ocasiões, sem a perseverança no bem, sem a restituição do bem injusto, sem a mortificação dos sentidos. Penitentes que desta maneira entendem a penitência, são poucos.
Santos cuja memória é celebrada hoje:
A morte de São Quarto, discípulo dos Apóstolos.
Em Saragoça um grande número de cristãos, que sob o governador Daciano, com firmeza, sofreram o martírio pela fé.
Na Inglaterra a virgem mártir Wenefrida. 660.
Em Roma, Santa Sílvia, mãe de São Gregório Magno.
Em Tonquim o martírio do bem-aventurado Pedro Francisco Néron, do Seminário de Paris. 1860.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii ↩